Monday, June 04, 2007

I

O ar tem tons pastéis. Muitos pés e pernas brigando por espaço. A calçada é um cinza frio. Gritos:

- Eu a conheço! Quero falar com ela! Não. Me solta!

Um braço uniformizado a segura pela cintura, a disputa de forças é tamanha que os pés abaixo da cintura chegam a flutuar por alguns segundos.


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De um ponto no centro, a claridade aumenta. Branco completo...
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A garota abre a janela e senta na cama diante da vista. Abre seu caderno e com um sorriso

A viagem foi mais tranqüila do que eu esperava: a ansiedade não me tomou, perdeu lugar para a irritaçãomais uma comédia sobre um homem que se disfarça de mulher gorda usando pele de borracha? Atravessar o oceano a nado seria mais engraçado!


Lembrete pessoal: atravessar qualquer coisa que seja a nado nunca é engraçado quando é você quem deve atravessar e você não sabe nadar!
Ok,
não esquecerei...

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no táxi conseguia sentir o gosto de um novo começoeu anunciei o endereço desejado, e sabia que demorarei a anunciar o caminho de volta.

O frio de fim de inverno aceitou meu pedido e será meu guia em meus primeiros dias. Pela janela vejo boa parte do que sei que vou encontrar, mas é o que essa janela não me mostra que mais me entusiasma e assusta. Uma última fechada de olhos, respiro fundo e... saio!


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Por um instante, a porta esconde a luz. Mas tão logo ela se fecha, pela janela, a claridade entra sem esforços e toma tudo
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Com passos lentos, a garota parecia saborear cada centímetro de concreto, cada milímetro de vitrine, cada corrente de vento em cada esquina, todas as folhas caídas e o ar que gelava suas narinas e saía de sua boca sem nem agradecer por ter sido aquecido. Eram os passos quemuito vinha ensaiando.

Em menos de cinco minutos se encontrava dividida pela consciência de sua pequenez diante de anos de vida e obras da humanidade e pela sensação da grandeza de sua curiosidade – o peso da História contra a força motora da paixão. O melhor conflito experimentado.

Seu corpo ainda tropical a levou a um café: era preciso algo quente, líquido e vapor

Mais bonitos e aconchegantes, parecem mais limpos e tudo que é servido parece delicioso. Que boba! Até os cafés me encantam! Que prazer a vista sob o véu do início de um amor...

Um chocolate quente e um croissant que duraram vários minutos

Casais em passeios pela manhã buscam proteção contra o vento gelado e encontram, além de cafés quentes, mesas pequenas que justificam a proximidade pré-planejada. O burburinho é baixo e cadenciado, sugerindo diálogos clichês que interessam às bocas que os pronunciam, a menos de um palmo de distância umas das outras.

A um palmo de minha boca, meu último pedaço de croissant. Volto p’ra rua, vou travar diálogos com os fantasmas de séculos e séculos...


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O sol de uma manhã de sábado nublado furou as nuvens e alcançou a cidade que respirava o último golpe do inverno.
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Iluminada pelas luzes falsas de postes, a vista intimidava a garota, fazia parecer mais difícil. Ela fechou as cortinas e se jogou na cama para repassar em sua cabeça o dia vivido, como se fosse preciso guardar cada detalhe na memória para que não perdessem a qualidade de reais

Lembrete pessoal: croissant e chocolate quente não contam como refeição completa!


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A claridade da manhã de domingo ignorou as cortinastalvez se não fossem brancas...
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A garota finalmente pôde vestir a roupa que havia escolhido (e planejado usar na primeira ocasião que tivesse) antes mesmo de comprar seu bilhete de embarque. Parecia uma bonequinha de pano, ou melhor, uma bonequinha de tecidos pesados e resistentes a baixas temperaturas, mas, ainda assim, uma boneca sorridente à procura de uma menina tão desejosa de companhia quanto ela mesma

O primeiro homem a encontrar o túmulo de Tutankamon, Amélie ao encontrar os tesouros de infância de Dominique Brodeteau e eu ao entrar na Biblioteca Nacional.

Não passo de uma criança e este é o maior parque de diversões onde estive. Direita ou esquerda? Subo ou desço as escadas? E se eu me perder?! Quanto tempo até que eu decida que é melhor ser encontrada?

O tempo agora se divide em dois: o do mundo fora e o da vida aqui dentro. O primeiro é o de sempre, conhecido e não exatamente interessante. Eu me deixarei ficar com o segundo. Tiro meu relógio e o coloco no bolso junto com essas minhas palavraselas querem se esconder diante de tantas outras tão mais bonitas.


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O brilho fosco do ouro de brochuras tornava turva a visão
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Minha intenção era chegar até a sala de leitura com o sortudo que tinha escolhido, mas nem sequer me afastei da prateleira: tão logo me virei, a vi...

Traços saídos de um Delacroix, a palidez dos que têm mais horas no quarto do que amigos para celebrar, o brilho vermelho do cabelo que dança mesmo sem vento. Eu senti: era a liberdade que veio me guiar.

- Anais Nïn? – apontou para o livro que sofria o aperto de meus braços que não sabiam o que fazer – Henry Miller – ergueu a mão esquerda – fazemos um par!

Quanto tempo demorei a reagir àquele sorriso? Tempo suficiente p’ra desejar que eu pudesse me acomodar em meu bolso junto ao meu relógio.

Saturday, June 02, 2007

Um bom começo seria abrir meus ouvidos para minhas próprias palavras.

Vamos lá, Ana Carolina. Você consegue!

Friday, June 01, 2007

Abrindo meus olhos e ouvidos

"I have often thought it would be a blessing if each human being were stricken blind and deaf for a few days at some time during his early adult life. Darkness would make him more appreciative of sight; silence would teach him the joys of sound.

Now and then I have tested my seeing friends to discover what they see. Recently I was visited by a very good friend who had just returned from a long walk in the woods, and I asked her what she had observed. 'Nothing in particular,' she replied. I might have been incredulous had I not been accustomed to such responses, for long ago I became convinced that the seeing see little.

How was it possible, I asked myself, to walk for an hour through the woods and see nothing worthy of note? I who cannot see find hundreds of things to interest me through mere touch. I feel the delicate symmetry of a leaf. I pass my hands lovingly about the smooth skin of a silver birch, or the rough, shaggy bark of a pine. In spring I touch the branches of trees hopefully in search of a bud, the first sign of awakening Nature after her winter's sleep. I feel the delightful, velvety texture of a flower, and discover its remarkable convolutions; and something of the miracle of Nature is revealed to me. Occasionally, if I am very fortunate, I place my hand gently on a small tree and feel the happy quiver of a bird in full song. I am delighted to have the cool waters of a brook rush through my open fingers. To me a lush carpet of pine needles or spongy grass is more welcome than the most luxurious Persian rug. To me the pageant of seasons is a thrilling and unending drama, the action of which streams through my finger tips.

At times my heart cries out with longing to see all these things. If I can get so much pleasure from mere touch, how much more beauty must be revealed by sight. Yet, those who have eyes apparently see little. The panorama of color and action which fills the world is taken for granted. It is human, perhaps, to appreciate little that which have and to long for that which we have not, but it is a great pity that in the world of light the gift of sight is used only as a mere convenience rather than as a means of adding fullness to life.

If I were the president of a university I should establish a compulsory course in 'How to Use Your Eyes'. The professor would try to show his pupils how they could add joy to their lives by really seeing what passes unnoticed before them. He would try to awake their dormant and sluggish faculties.

(...)

Oh, the things that I should see if I had the power of sight for just three days!"


Three Days to See
Helen Keller (1880-1968)

Tuesday, May 29, 2007

"It's never over"!

He's the tear that hangs inside our souls forever...
1966-1997

Monday, May 21, 2007

Nanda em uma foto

Se eu tivesse que descrever você de uma maneira artística (não original, infelizmente):

Wednesday, May 16, 2007

Escritos à 00(h) e eu devia estar dormindo(min)

Sua voz ecoava na garganta, mas não saía pela boca. Engasgou. Uma tosse tuberculosa. No máximo. Arranha e não passa. Dói a garganta que tosse e os ouvidos que ouvem. Quando chega aos lábios, só resta escarro.


Então... É isso. Pois é...

Eu acadêmica

No horário da preguiça pós-almoço, o laranja parece ainda mais argiloso - são paredes de um forno de fazer carvão. O verde parece mais distante, escuro e, se possível, monótono.

Entre as portas, a argila e o verde monótono, um ar abafado, que só se movimenta pelas mudanças de posições das cabeças que caem sob o peso do sono.

O calor abafa as falas, que soam como repetições monossilábicas, e multiplica a digressão de pensamentos.

Lá fora, risadas e passos. Aqui dentro, a densidade da vontade de ir embora somada às palavras que entram nos ouvidos mas não são escutadas.

Onde estávamos mesmo?


A professora de Teoria da História pediu que escrevêssemos sobre uma aula. A diferença entre a aula que me inspirou e a de Teoria é o horário!

Onde estávamos mesmo?
Onde tenho estado todos os dias?!

Tuesday, April 24, 2007

Ensaiando

Você me deixava angustiada. Você é daquelas pessoas que nos fazem querer muito tê-las em nossa vida mas, ao mesmo tempo, deixam muito medo porque não sabemos até quando estarão nela.

Você era tudo que eu não gostava. Tá, tão logo bati os olhos em você fiquei fascinada – foi aquela certeza que sentimos de que vamos aprender muita coisa com uma pessoa, e não consegui não me aproximar. E no início de nossa convivência tive a impressão de você ser a projeção, a imagem do tipo de pessoa que eu não gostava. Você era suicida, que estimava e agendava a data de morte com drogas e desistência, e eu...eu era um bichinho assustado numa redoma de vidro.

Feliz o dia em que você, com toda sua ignorância, sua falta de jeito, quebrou minha redoma. Você me tirou do medo em que vivia, me ensinou, na verdade, me obrigou a ter coragemnão em relação à vida, às decisões, mas em situações palpáveis que... nunca vamos esquecer, tenho certeza.

Com você cada inspiração passou a ter um cheiro e cada palavra um gosto. E de todos os cheiros e gostos que descobri com você, os meus preferidos ainda são: o toque da sua mão puxando a minha e o som da sua voz dizendo “vem”.

Você adora dizer que eu salvei sua vida pelo menos umas 4 vezes. Isso é mais uma prova do tamanho da sua teimosia.

Eu precisei ser salva por você uma!

Sunday, April 15, 2007

Uma questão física

- What happens when an unstoppable force meets an immovable object?
(...)
- It never happens. If there's a thing that can't be stopped, it's not possible for there to be something else which can't be moved, and vice versa. They can't both exist. You see, it's a trick question... is the answer.

(Imagine Me & You, 2005)

Enquanto eu for um objeto imóvel, não haverá força irrefreável...

Tuesday, March 27, 2007

Vem à noite e me deixa durante o dia...

Monday, March 26, 2007

Parece que ela voltou...

Bom Dia, Tristeza

(Vinicius de Moraes / Adoniran Barbosa)

Bom dia, tristeza
Que tarde, tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você

Se chegue, tristeza
Se sente comigo
Aqui, nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar

Friday, March 23, 2007

PROCURA-SE



Apesar da aparência inocente, esta garota representa grande perigo à sociedade: quando ela some, dá saudade. E muita!

Saturday, March 17, 2007

Ai, ai...

...né?

Friday, February 23, 2007

Tava aqui pensando...


"Acho que a gente precisa de outra cerveja!"
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Pelo menos, EU preciso...
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Sabe quando surgem boatos de greve? Então...

Sunday, January 28, 2007

Resumo da ópera

Bem, começa assim:

Fiquei de férias e voltei p'ra casa



Em mais uma manhã de verão tropical...


...passamos pelo caos nos aeroportos p'ra ir à cidade maravilhosa


Reunimos a família,...

Saturday, January 27, 2007

...visitamos lugares que me ajudaram a ver a História,...



...vimos coisas que nos fazem pensar "vou vender ISSO lá na minha terra e ficar rica!",...


...trocamos presentinhos, gracinhas e cutucões...



De volta à megalópole do noroeste do Paraná, passeamos...


...e, ainda, subimos muitos degraus...




É, foram dias de família e (muita) comida

Que venha o primeiro semestre! Mas não precisa ser rápido, não...

Tuesday, January 09, 2007

Lá me fui...

"Mas... Cê tá feliz?"

E assim, com três palavras, eu voltei vários passos...

Friday, December 15, 2006

Quero fazer parte de uma banda!

Ok Go - A Million Ways
Ok Go - "Here It Goes Again"

Será que todo loser tem seus minutos de pop?

Tuesday, December 12, 2006

Resolvi me matar,...

...mas como sou medrosa, o faço aos poucos. Quanto mais medo, mais demora; quanto mais demora, mais vontade; quanto mais vontade, mais medo;... Um ciclo vicioso nojento, ridículo e infantil.

Mas, se me mato não é porque assim escolhi! É um pedido ao qual atendo.

Dizem que quando sentimos muita vontade de comer algo é porque esse algo está em falta no nosso organismo. Pois então, meu organismo pede, grita por colesterol: há dias eu só faço comer manteiga (daquelas amarelas, claras, mas amarelas!). Se meu corpo grita, eu atendo!

Aos poucos minhas veias se entopem. Ei, não pisque! - ou quer perder o átimo durante o qual meu rosto revela meu arrependimento?

Além da gordura, hoje meu organismo pediu álcool (a mente debilitada faz parte do organismo, certo?). Um grito dentro, o atendimento fora. Mas, o álcool é pouco e insuficiente (palavrinha recorrente nos últimos dias, hein...) então, outro grito: MÚSICAS TRISTES!

As veias se entopem, os sentidos se entorpecem e os ouvidos se encobrem. Low Density Lipoproteins, 39% de teor alcoólico e manhãs que duram por toda a tarde. Pão pintado com amarelo gordura, banana com leite batizado e eu encurralada, enquanto carros são ligados e pés andam pelos caminhos.

Mas, é tudo tão demorado. Tão lento. Tão lento quanto eu...

E é só terça-feira...

Saturday, December 09, 2006

That's where I will be

Tuesday, December 05, 2006

Em contagem regressiva...

10...

Thursday, November 02, 2006

As paredes ouvem...

...e deixam ouvir


Acordei e logo ouvi um dos meus dois bons-dias de sempre.

Curioso que o volume era baixo. Não sabia dizer se já tinha se passado o momento auge dos gritos ou se este ainda nem tinha começado. Na cozinha, peguei um copo e uma colher sem fazer barulho. Não queria que percebessem que eu estava ali – elas já estavam desconfortáveis o suficiente só as duas, lembrar que há outras pessoas tão perto não ajudaria em nada.

Mas, uma voz masculina tirou minha sensação de reconhecimento da cena. E, quando outras duas vozes masculinas soaram, eu já não sabia o que esperar. Apenas uma porta nos separava mas, será que era suficiente? Por alguma razão que não sei qual é, não me sentia segura.

Meu coração batia num misto de pena e medo – por sentir que a porta poderia, a qualquer momento, se dissolver no ar e minha voz, ser somada ao coro que agora me assustava.

Elas continuavam a discutir, vez ou outra um grito, vez ou outra a participação de um dos homens: a gravidade não era só por se tratar de um homem falando, havia gravidade nas palavras, na entonação.

Minha insegurança crescia na mesma proporção que meus batimentos se aceleravam. A porta começava a se dissolver. Por desespero, abandonei o copo, a colher e a idéia do café-da-manhã sobre a bancada, e tentei manter meu escudo: as mãos espalmadas e a cabeça apoiada pediam, por favor, para que a matéria não me deixasse.

Meu pedido silencioso foi interrompido pela gravidade das palavras. Respirei (me senti respirar), consegui abrir os olhos e posicionar um deles diante do olho-mágico. O diâmetro tão pequeno emoldurou um tecido preto com bordado branco, POLÍCIA.

Uma porta já não bastava. O volume agora era mais alto. Como sempre, uma delas gritava; como sempre, seus gritos eram finos mas sufocavam os ouvidos, transformando o silêncio na saudade mais dolorida que se pode ter e num desejo que derruba.
Precisava me encolher como se isso diminuísse minha capacidade de ouvir. Voltei para o meu quarto – meu quarto, meu mundo, certo? Pois meu mundo tem vista para o final da discussão.

Meus ouvidos queriam que eu me encolhesse ainda mais, mas meus olhos queriam me fazer acreditar. Olhos vencedores, fui até a janela. Puxei um canto da cortina e me deparei com janelas dotadas de vidros, metais e cabeças. Três andares abaixo, o carro, as três vozes graves (agora já caladas de impaciência), a voz baixa aconselhando e a voz alta resistindo.

Uma entrou no banco de passageiros, a outra, ainda resistindo, pareceu se perder por instantes e olhou para seus pulsos – seus olhos também queriam fazê-la acreditar –, eram algemas. Da descrença, seu olhar passou para o medo: a porta traseira fora aberta. A impaciência que calara as vozes, agora movia os braços que empurravam, mesmo ela insistindo em ir sozinha.

Dois: um de cada lado, um p’ra cada braço, ela foi colocada – sem delicadeza – no “bagageiro”:

- Eu não consigo respirar aqui!

O último grito. O baque seco da porta traseira. E, finalmente, ganhei de volta o silêncio.

Mas já não era como antes...

Monday, October 23, 2006

...

Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

Thursday, September 21, 2006

John Mayer - Stop This Train

"I'll never stop this train..."

Monday, September 18, 2006

Maldita...

...tecnologia!

Cadê os vídeos que deveriam ter aparecido aqui?

Thursday, August 03, 2006

Vestido azul

Uma roda gigante brilha em vermelho e azul. Um vento gelado faz seus joelhos tremerem, ou será que é o medo? A noite parece mais escura do que de costume e... Olha para a direita, para a esquerda e para trás: está sozinha.

Não sabe p’ra onde seus pais foram. Sentiu-os soltarem suas mãos, mas só agora percebe que eles se afastaram. “P’ra onde?” Não se atreve a sair a sua procura, está assustada: muitas crianças passam correndo, gritando, se divertindo; as luzes brilham fortes demais, os brinquedos são barulhentos demais, os gritos, altos demais.

Bate as pontas dos sapatinhos brancos que ganhou horas antes – o primeiro dos presentes de aniversário, o segundo é a visita ao parque. Olha p’ra baixo e se vê: sapatos novos, seu melhor vestido, um azul bem claro com uma fita na cintura. Lembra-se de sua imagem refletida no espelho antes de saírem de casa: o cabelo bem preso num rabo-de-cavalo alto com uma fita de cetim azul pouco mais escura que o vestido; os brincos de cruz que a avó havia lhe dado pouco antes de morrer. “Uma princesinha!”, disse sua mãe juntando as mãos sob o queixo e sorrindo.

Seus sapatinhos começam a perder o brilho com a poeira que sobe de suas batidas de pés e dos passos de tantos estranhos que passam. “Como o parque está cheio. Será que todas essas crianças também estão fazendo aniversário?”

Olha a sua volta mais uma vez. “Quem sabe eles estão voltando com um ursinho de pelúcia como aquele que vi naquela barraca...” Um ombro dentro de uma camisa xadrez bate em seu rosto tirando seu equilíbrio. Ela cai sentada em meio a nuvens de poeira.

“Sujei meu vestido. Sujei minhas mãos. Meus sapatinhos... Mamãe vai brigar comigo!” Começa a chorar de medo. Medo por estar sozinha rodeada por tantos estranhos, por não saber onde seus pais estão e nem quando vão voltar e agora, mais ainda, por saber que sua mãe irá ralhar.

Chora sentada no chão abraçando as pernas, olha ao redor. Quer que seus pais voltem, mas não quer que eles a vejam suja como está. Suas mãos ardem, estão raladas por causa da queda. Quer que seu pai as sopre, mas não quer que ele brigue com ela por vê-la sentada no chão sujo.

Com as costas da mão, interrompe as lágrimas. Por acaso, percebe que perdeu o brinco que usava na orelha direita. “O brinco da vovó”. Seu choro aumenta – adorava os brincos, eram sua única lembrança da avó.

Sentada no chão, é invisível: as crianças continuam a passar, gritar e sorrir, não a vêem. Entre gritos, passos e poeira, ergue a cabeça: a roda gigante ainda brilha em vermelho e azul, mas a noite é ainda mais escura.

Não sei...

Seus braços doíam, não sabia porquê. Bem na região onde se costuma tirar sangue. Doíam esticados, doíam dobrados. Não havia posição que melhorasse e, por isso, não conseguia relaxar.

Estava sentado numa cadeira de plástico laranja. Daquelas que parecem gritar “ANOS 80”. Apoiava os cotovelos nos apoios p’ra braços e... doíam. O lugar era mal iluminado e fedia, como rodoviárias. Mesmo sabendo que o vai-e-vem de pessoas era intenso, não via ninguém. Sua vista estava reduzida a um quadrado de limites: os apoios p’ra braços de sua cadeira na largura, e a altura ia de seus pés até seu tórax.

Quando erguia a cabeça, além de sentir uma forte dor no pescoço, não enxergava nada! Escuridão. Ficava cego. O mesmo acontecia quando olhava para os lados. Seus pés, suas pernas, seu tórax, seus braços – era só isso que via.

Pensou em levantar, mas seus pés permaneciam imóveis. Seu cérebro mandava o comando, mas eles não obedeciam. Desesperou-se: sentia, sabia que tentava mexer seus pés, fazia força, mas os enxergava inertes, como se a o outro pertencessem.

Quis gritar! Num reflexo, ergueu a cabeça – escuridão. Abriu a boca, mas nada saiu. Pensou em mexer seus braços, gesticular até chamar a atenção de algum dos que passavam (sabia que não eram poucos). Mas, agora, doíam ainda mais.Olhou para a única área que enxergava e percebeu seus braços também imóveis. Dobrados em “V” como nos manequins de vitrine.

O grito que não saía o sufocava a garganta, seu corpo todo paralisado, seu desespero preso a um quadrado de vista. Os passos, o grito, os gestos, o socorro...

Das bordas, um contorno escuro foi crescendo em direção ao centro do quadrado. Sobrava um círculo de visão que ia diminuindo, diminuindo,...

O grito sufocando, os braços doendo,...

...diminuindo, diminuindo,...

Os olhos cheios de medo...

Escuridão!

Tuesday, August 01, 2006

Sobre a mentira

- Eu te ligo!

- Eu te liguei a noite toda, mas só dava ocupado.

- Eu ia te chamar, mas não deu tempo.

- Eu queria que você tivesse ido.

- Pensei em te chamar, mas achei que você nem ia querer ir.

- Pode deixar que eu vou.

- Eu fiquei trabalhando.

- Não tem nada a ver com você.

- Eu não fico inventando desculpas!

- Eu sei que fiz mal.

- Eu não mentiria p’ra você!

- Eu te ligo.

Sunday, July 23, 2006

Atualmente

Parados no meio da sala diante um do outro, os dois viviam momentos diferentes.

- Consegue sentir? Todas as vezes, antigamente, quando tentei mostrar, você dizia que não sentia – com as duas mãos, ternas como ele bem reconhecia, ela segurava a mão direita dele contra seu peito -, e agora? Sente?

Não, ele não sentia, mas dessa vez não queria e não iria admitir. Olhava nos olhos dela buscando neles ver o que “todas as outras vezes, antigamente” ela tentava mostrar e ele só enxergava. Mas, dessa vez...

- O coração acelerado, a tontura, a falta de ar,... Pode ter certeza, ainda tem todas essas coisas.

Ele não sabia porquê, mas não conseguia ficar feliz ao ouvi-la repetir aqueles sintomas que “todas as outras vezes, antigamente” o faziam sorrir. Ainda buscava nos olhos dela, mas dessa vez...

- Eu estou olhando nos seus olhos e ainda sinto como se estivesse num lugar muito alto e olhasse p’ra baixo. Sabe aquela sensação de ser sugado?

Eles permaneciam diante um do outro, a distância era do braço dele esticado. Ainda segurando a mão dele aberta contra seu peito, ela abria caminho com seus dedos entre os dele com movimentos delicados mas decididos como das “outras vezes, antigamente”, mas dessa vez...

- Eu seguro sua mão e meus dedos ainda parecem encontrar encaixe perfeito entre os seus. Você percebe isso, eu sei.

Isso, sim, ele percebia. Seus dedos, os dele e os dela, sempre se entenderam bem, se entrelaçavam como se aquele movimento fosse o mais genuíno e certo. Os dedos diziam, as palavras confirmavam, mas os olhos, dessa vez...

- Eu ainda tenho dificuldade em encontrar palavras p’ra falar com você,...

Ele parou de ouvir por um instante, quando ela soltou sua mão, pois só agora notava: ela não estava sorrindo como “todas as outras vezes, antigamente”, não estava sem jeito, ruborizada como “todas as outras vezes, antigamente”. Falava com confiança, sem desviar o olhar... Esse olhar que tantas “outras vezes, antigamente” fugia do dele por simples timidez ou provocação, mas dessa vez...

- Ainda tem tudo isso, mas agora... Agora é por medo.

Sunday, June 11, 2006

Efeito Young

Terça-feira, 06 de junho de 2006. Pela manhã, meu professor profetizou: "Seis, do seis do seis. Um bom para nascer o Anti-Cristo... ou para algum louco fazer alguma grande bobagem."

Se nasceu o Anti-Cristo, o pró-Cristo, se algum louco fez alguma bobagem (grande ou pequena), se algum bobo fez alguma loucura (grande ou pequena) não sei, só sei que... Fernanda Young.

Passei o dia esperando às 6 e meia chegar p'ra pegar o táxi (maldita cidade projetada p'ra pessoas com carro). Chegou... mas o táxi não! O ponto estava vazio. Em minha cabeça uma vozinha sacana repetia: "Murphy, Murphy, Murphy..." E eu sabia que ela não falava do Robocop! Felizmente, meu pessimismo foi derrotado ("quem acha que perder é ser menor na vida"? Perdi com gosto). Em poucos minutos, após superarmos o trânsito de volta p'ra casa, cheguei a Caixa Cultural. Ah, caso um dia estejam em Brasília e quiserem ir a Caixa Cultural, digam ao taxista que vai a Caixa Ecônomica, eles não sabem que o teatro fica na mesma área.

Logo que entrei no prédio: fones brancos no ouvido (provavelmente um IPod. Bundão!), camiseta do "Laranja Mecânica", óculos com armação grossa retangular e escura, All Star pretos com estrelas brancas e aquela cara de tédio, tudo no melhor estilo "mamãe, quero ser cult". Sentei na proltona vaga, ao lado deste ser "indie".

Quinze para às sete. "Que horas vai abrir?", "Às sete", "Obrigado". Por que as pessoas falam tão alto? Por que eu ainda cometo esse erro tolo de sair de casa sem fones no ouvido??? (pretos, viu?). Cinco p'ra sete. "Que horas vai abrir?", "Às sete", "Ah, então falta pouco". Sete e dois. "Que horas vai abrir?", eu olhei no relógio e pensei: o quão cretino será ele responder "Às sete"? E o quão mais cretino será eu retrucar "Então vai daqui a dois minutos atrás!"? "Às sete". Bleh... Deixei passar.

Sentei na terceira fileira, mas a câmera apontada p'ra mim me fez re-escolher meu lugar. Acabei ao lado de uma garota que não sabe ler. Só pode não saber! Entrou com um saco do McDonalds e comeu dentro do teatro logo após passar pelo aviso: "Proiba a entrada com bebidas e alimentos". Hmmm, o "porteiro" além de atrasado é cego? Ou será incompetente mesmo?

Falando em competência, às sete e meia (horário marcado p'ra começar o programa) descobriram que uma das câmeras precisava ser trocada. Troca daqui, troca de lá, troca lente, troca toda a câmera... Claro, voltaram a primeira e ela foi a escolhida.

Pffff... E ainda tive que assistir um videozinho da Caixa falando sobre seus projetos culturais com a última frase: "O melhor do Brasil é o brasileiro". Por isso que o país está como está...

Dez para às oito. A prostituição em Minas Gerais na época do auge da exploração mineradora no Brasil Colonial foi, finalmente, deixada de lado. "Vamos começar?". Tem coisa mais irritante que ficar esperando alguém e quando esse alguém chega pergunta "Então... Podemos ir?". "NÃO, INFELIZ! Quero continuar esperando p'ra ver quanto tempo leva até aparecer OUTRO idiota como você!" P'ra peida...

"Blá blá... Roteirista, escritora, blá blá blá... Fernanda Young"

É ela! Um sorriso de desconforto que só os tímidos que já atravessaram palcos sabem fingir ser espontâneo (malditas formaturas). Um andar rápido de quem sente que sentado a área exposta é menor e, logicamente, a proteção contra tantos olhares é maior. É mesmo ela.
- Boa noite. Desculpem o atraso, não fui eu quem atrasou. EU ODEIO ATRASOS! - É ela, definitivamente.

As caras e bocas, as viradas de olhos, as pausam imprevistas tentando encontrar a melhor palavra, os braços em revolução (no sentido original da palavra, queridas, da astronomia, com ênfase na noção de irresistibilidade), o tom de voz oscilante entre a certeza já muito refletida e a afirmação interrogativa (aquela falada tão logo surge e que, por isso mesmo, pede, em silêncio, concordância,confirmação), ... É ela.

Ela. Aquela personagem criada p'ra aparecer na televisão e impressionar as pessoas com sua tranqüilidade, sua imunidade ao mundo, as pessoas, a vida e suas pequenices. Ok, viu essa personagem? Então, olhe de novo. Não há imunidade, não há o brilho e os sorrisos de "Caras" e "Tititi".

Não sei dizer o quanto a vontade de me reconhecer atrapalha minha visão ("A identificação traz conforto"), mas esses braços com coreografia própria, as alternâncias entre convicção e suspeita (a primeira muito mais freqüente, mas ainda assim...), as "frases de efeito" (repetição causa conforto, dizem no mundo da propaganda) e brincadeiras várias,...

Senti um conforto daqueles de conversa de madrugada que começa na televisão e chega a cor preferida de fogos de artifício. Conforto de verso perfeito na música recém descoberta, de frase de filme que se assiste sozinha quando nenhuma companhia pode salvar sua noite, de página aberta ao acaso num livro descoberto entre as muitas prateleias de uma biblioteca ("É esse que vou levar!"),...

Engraçado. Ela sempre diz que se sente/sentiu deslocada, e suas palavras trazem conforto, através da identificação, p'ra milhares de pessoas. Hoje, pude ver algumas dessas milhares, todas se levantaram ao fim do programa com um brilho como o da personagem cega de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" quando chega a banca de jornal após ser conduzida pela protagonista.

Se ela é deslocada e nós todos nos reconhemos nela, não seremos nós locados? Mesmo sendo muitos, ainda nos sentimos "diferentes" mas, pelo menos, já não estamos sozinhos nisso.

Diante da escada do metrô, ela solta nossos braços. Já podemos ir.

Tuesday, May 16, 2006

À espera...

17:40
“No matter which way you go,
No matter which way you stay
You're out of my mind…
I was walking with a ghost
I said please, please don't insist”

Ok, estou adiantada. Bom. Não há riscos de perdê-lo. Agora, é só esperar uns minutinhos. Só esperar?! Até parece. Odeio esperar um minuto que seja!
Ah, dessa vez eu escolhi estar adiantada e, vai valer a pena. Sei que vai.


17:44
“Where do you go with your broken heart in tow?
What do you do with the left over you?
And how do you know when to let go?
Where does the good go?”

Por que será que tem essa espécie de janelinha na parede do ponto de ônibus? Pior que a vista é o estacionamento pelo qual passo todos os dias. Bleh, vou olhar p’ra outra direção: não tem a moldura da janela p’ra limitar minha distração e a vista ainda tem detalhes desconhecidos.

Cestinhos de lixo de plástico laranja. Não há como dizer que não viu! Mas, são tão pequenos, e a boca então! Uma garrafa de 2 litros de Coca-Cola não passa ali. Ok, Coca-Cola já virou unidade de medida. É grave.

17:48
“When it comes to falling in love
It runs me over
Now I’m out here with my heart in my hand
To hand it over”

“Não pise na grama”. Yeh, right. Não há como! Eu sempre fui uma militante: não pise na grama, não mate formigas, deixe os insetos em paz,... E agora? Pfff... Agora: piso na grama, mato pernilongos, uso havaianas, passo protetor solar e bebo água! Acho que devo repensar a frase daquele filme que não lembro o nome: “How am I not myself?” It seems I am!

Não, pintar as unhas não entra nesse grupo. Essa é uma mudança opcional.

Engraçado, o éter do remédio faz com que eu já nem sinta o cheiro de acetona. Estarei eu perdendo meu olfato?! Bem que a memória olfativa poderia falhar às vezes...

17:51
“This one's for you
And if you turn around or shake your arms
I'd love you…
Can't be denied
I had you in mind...
Here comes the dark
Well, I know the dark”

No ponto de ônibus ou na frente da faculdade? O aviso dizia na frente da faculdade. Menos mal, esse ponto fede...

Nuvens. Nuvens carregadas. Espero que ele chegue antes da chuva. Será? Uma chuva bem caída me faria bem hoje. Um banho de chuva. Ficar molhada até a roupa grudar no corpo, até conseguir sentir o próprio perfume, até os tênis estarem cheios e as meias encharcadas, até meus esparadrapos perderem a cola, até a minha bolsa ficar num tom escuro como madeira morta, até meus papéis amolecerem e ficarem enrugados, começando pelas bordas,...

17:56
“I’ve wasted so much time
Thinking of time…
Any day I could die
Just like I was born
And this bit in the middle
It’s what I’m hailing for…
Blue would still be blue
But things would just be easier
With you”

É, pelo jeito não vai chover. Mas, de certo está um fim de tarde bonito: uma avenida larga, comprida-comprida, com os primeiros faróis vermelhos e brancos, faz uma curva p’ra direita antes de chegar ao céu laranja-rosado com nuvens cinza-querendo-ser-preto.

Se ao menos os faróis fossem os dele...

Os postes piscam antes de conseguirem fixar suas luzes. Tão brancas agora. À noite ficam amarelas, não? Na minha lembrança são amarelas. Bem amarelas, naquele tom que odeio. Aquele que deixa a pista com ar de efeito especial, de imagem retocada em programas de computador. Não gosto.


18:01
“They treat us like dogs
So we play along
We bark and we moan
And play them more songs…
But when we blow away
Up over this place
We go down like a shout
And up like a praise”

Ele não vai chegar. Eu sei que não. Eu sabia antes mesmo de sair de casa. Meu irmão também sabia, percebi pelo olhar de pena silenciosa que lançou. Droga! Eu saber já é ruim.

Chega, vai. Mostra que estou errada, mostra que é só ansiedade, angústia de quem não sabe esperar.

Noite, já está escuro, luzes amarelas, efeitos especiais, dos dois lados da avenida larga, comprida-comprida que faz uma curva p’ra direita antes de chegar ao céu não mais laranja-rosado com nuvens cinza-querendo-ser-preto, faróis vemelhos e brancos. Agora, me sinto míope (ou com alguma outra deficiência na visão). Não vou conseguir distingui-lo. Vou perdê-lo entre esses apressados com volantes.

De repente, várias pessoas surgem saindo pelo portão azul. O fim da missa me faz lembrar das horas e não conseguir ignorar que eu devo começar a pensar em desistir da espera. Você não virá. E mesmo se vier, ainda dá tempo?

18:05
“I could do without it
And I will because you’ve worn me down...
Worn me down to my knees
I did everything to please you”

Uma garota passa ao meu lado. Ela anda devagar e deixa seus dedos esbarrarem nas colunas finas do portão. Acho que ela estava cantando alguma coisa. Pena, não parecia tão feliz quanto uma pessoa que brinca com um portão e canta enquanto anda costuma ser. Felicidade contida? Ah, p’ra que?!

Quando foi que passei meus dedos por um portão pela última vez? Ai, que saudade de caminhar com os dedos pelo vento na janela de um carro. Vento. Um vento forte viria a calhar.

Venha! Bagunce meu cabelo. Faça as mangas de minha blusa dançarem em volta de minha cintura. Desenhe meu corpo com minha camiseta.

Nem você, vento, virá?

18:09
“I would feel much better if I thought there was any other reason
to keep away the beauty from the dirt
And I would do much better if I thought I fill any other need
And I miss you”

Por que eu sempre espero? Por que ainda estou esperando?
Não tenho coragem nem p’ra desistir.
Um passo em direção ao outro lado, é só isso. Um passo.

18:14
“Lonely hearts still beat the same
It’s not romantic
It’s just automatic”

Ainda estou aqui?! Eu, as batidas do coração e a pergunta tola: por que nada dá certo?

E você? Dentre tantos faróis, você não apareceu.

Buzinas, ultrapassagens, pedestres correndo, braços erguidos pedindo passagem,... E eu sou aquela garota parada em frente ao portão cinza. Aquela que já está ali há algum tempo, e continua ali mesmo sabendo que será inútil.

18:17
“Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly…
Take these sunken eyes and learn to see”

Voar. Sair daqui. Eu estava contando com você.
Mais uma vez, esperei algo/alguém p’ra começar a voar, e mais uma vez me vejo parada no mesmo lugar.
Minha cabeça já não se sustenta. O chão é minha única vista. Meus olhos não querem ser a vista de ninguém. Quero ser invisível, “atravessável”, desaparecida.

18:19
“Where did you go?
I thought I knew you
What did I know?...
Why, tell me why
Did you not treat me right
Love has a nasty habit
Of disappearing overnight”

Um passo. Não quero ver nada nem ninguém.
Outros passos. Olho p’ra trás. Foi sua última chance.
Por sorte, minhas pernas já sabem o caminho, tento me desligar.

18:22
“Gather round all you clowns
Let me hear you say:
'Hey you've got to hide your love away'”

Esconder. É isso mesmo: vou, de novo, me esconder. Com passos lentos, pelo caminho mais longo, vou devagar tentando passar desapercebida. “Se não fizer barulho, não poderão me ver”.

18:24
“Two of us riding nowhere
Spending someone's hard earned pay
You and me Sunday driving
Not arriving on our way back home”

Mas, sou só eu. Só.
Caminho p’ra não chegar, continuo p’ra não quebrar.
Uma hora vou ter que chegar. P’ra que adiar mais?

18:28

Casa. Entro em silêncio como se a falta de barulho fosse minha própria ausência.
Ah... Ninguém está aqui. Que bom. Não agüentaria expor minha cara de espera em vão.
Meu quarto.

“Lying there and staring at the ceiling
Waiting for a sleepy feeling”

Friday, May 05, 2006

"I Wish You Love" (Rachel Yamagata)

"I wish you bluebirds in the spring
To give your heart a song to sing
And then a kiss, but more than this
I wish you love
And in July a lemonade
To cool you in some leafy glade
I wish you health
But more than wealth
I wish you love
My breaking heart and I agree
That you and I could never be
So with my best
My very best
I set you free
I wish you shelter from the storm
A cozy fire to keep you warm
But most of all when snowflakes fall
I wish you love
But most of all when snowflakes fall
I wish you love"

.

Monday, May 01, 2006

HEAR, SEE, SPEAK

Saturday, April 29, 2006

Esses dias...


...de horas que passam sem serem vistas...

Tuesday, April 25, 2006

Seu presente de aniversário

Uma plaquinha que sobe, um e-mail que chega...

Um dia muito bom, um dia ruim, uma situação engraçada, um embaraço, suas decisões, suas conquistas,... Uma oportunidade de exorcizar alguns de meus demônios, dividir o riso, explicar coisas que não fazem sentido nem mesmo p’ra mim,...

Engraçado como você já faz parte dos meus dias.

É muito bom saber que esse monitor, esses fios, esses chips, essas conexões podem trazer mais do que um turbilhão de informações, distração p’ra cabeça e dores nos olhos. Muito bom encontrar (ou ser encontrada por) alguém que me fez lembrar a leveza de se ter a idade, as reações, as dúvidas que se tem; alguém que tem a mesma tranqüilidade apressada de descobrir e aprender sem negar nossas dificuldades, a mesma pressa tranqüila de conquistar novos horizontes e chegar a novos destinos.

Nós estamos indo!

Em Brasília não há praças, eu não chuto lixo e nem sei assobiar, mas hoje vou sorrir enquanto me sento na grama, cantarolando Beatles e imaginando tudo o que desejo a você.

Saturday, April 01, 2006

Diariamente

Ah, o ar da quinta cidade mais arborizada do mundo. Ah, quatro sorveterias num raio de quatro quadras. Ah, uma locadora onde os funcionários já sabem quais filmes indicar. Ah, o porteiro que brinca quando você chega.

Uh, a megalomania do povo do interior. Uh, as pessoas todas iguais pelos caminhos. Uh, os comentários no balcão sobre o último filme de super-heróis. Uh, os vizinhos que deixam o celular em casa tocando, tocando, tocando...

O ar aqui é diferente, sim. Não só por ser mais úmido ou mais puro, mas por ser um ar por mim conhecido. Reconhecido. É mais fácil respirar aqui. No entanto, não é necessariamente mais gotoso.

Minhas pernas encontram descanso aqui; minha cabeça, escapismo; meus olhos, folga; meus ouvidos, opções; minha pele, vento fresco que a cerque; minhas mãos, cones de bolacha; minha boca, sorvete.

Minhas pernas andam mais do que de costume p’ra me levar aos lugares que preciso ver se ainda existem e a outros que ainda quero descobrir; minha cabeça corre entre lembranças que ressurgem espontaneamente e novos projetos que nascem a cada encontro de ruas; meus olhos já sabem o que encontrarão caso fiquem atentos ao que se passa ao meu redor, por isso mesmo passeiam numa não-busca de alvo; meus ouvidos reconhecem os cantos dos pássaros e os juntam aos cantos que trago de longe; minha pele não se esquiva do sol e mata a saudade das sombras das árvores; minhas mãos, livres de garrafas e guarda-chuva, se dedicam a sentir os doces que encontram em casa, livrarias e sebos; minha boca canta baixinho, enquanto meus pés pisam as listras brancas sobre o alcatrão.

Ops, lá se foi mais um dia...

Tuesday, February 28, 2006

Só mais cinco minutinhos, por favor

Noite de domingo de Carnaval. Enrolei o máximo que pude p'ra já chegar na cama muito cansada. Deu certo, dormi logo.

Estava uma confusão! Acho que era uma gincana no colégio ou, pelo menos, com pessoas da minha época de colégio. O prédio não era muito alto, uma construção antiga. Eu estava no segundo piso, mas cada piso tinha muito mais altura do que os andares dos prédios de hoje. O amarelo das paredes se soltavam como pele que descasca depois do verão. Eu olhei por uma janela, um jardim. Grande e quadrado.

De repente, já estava num cômodo qualquer que parecia um quarto de hotel. Com certeza não era o mesmo prédio. Eu, uma colega (que parece ter saído da gincana e chegado nesse novo lugar comigo), o Jorge e ela.

Nem lembro sobre o que falávamos, só sei que entre desconversas e sorrisos cheios de "pára-com-isso-que-eu-sou-tímida", percebi o jeito que ela me olhava.

"Last night I dreamt
That somebody loved me"

Ela me via! Não só me olhava, mas me enxergava! Ah, que vontade de ficar naquele olhar. Ficar e só. Ela também percebia em meus olhos o olhar de "quero ficar e só, mas não sei se posso", e ainda assim sorria.

Eu havia me jogado na cama como se ali eu pudesse existir entre ficar e só e nem sequer ficar. Mas, a súbita ausência de Jorge e minha colega dificultou ainda mais meu plano de fugir dos olhos dela.

Sorrindo, vinha em minha direção. Seus cachos se mexiam em câmera lenta. Vermelhos. Sua pele era um convite, quase uma intimação as minhas mãos. Branca.

"Last night I felt
Warm arms around me"

Acordei...

"No hope, no harm
Just another false alarm"

Ah, Morrissey, sing me to sleep! I'll hide from her voice in yours...

Tuesday, February 21, 2006

Tyche p'ra que te quero...

GANHEI!!! GANHEI!!! GANHEI!!!

Pela primeira vez na vida, ganhei alguma coisa em uma promoção! É lindo!

Veja bem, sou de uma família na qual as pessoas participam de bingos com prêmios como televisões e filhotes de cachorros de raça, e ganham um cabide p’ra chapéus e casacos. Sabe como é? Daqueles de colocar junto à ponta. Pois é, eis minha sorte...
Mas, agora esse cenário parece ter mudado. Tyche passou para o meu lado! (Ai, o pedantismo, Ana Carolina...)

E foi tão simples! Só precisei responder duas perguntas: “To which legendary Clare musician has the tune ‘The Otter's Holt’ been attributed to?” e “Which uilleann piper earned the nickname ‘The King of the Pipers’?”

Ah, não se iluda caro leitor (caso você exista, é claro)! P’ra cada pergunta havia três alternativas. E eu, isxperrrrrrta que sou, respondi três vezes, cada vez registrando um e-mail e uma resposta diferente. Momento ideal p’ra citar Sr. Eurípedes Resende: “Sô trôxa? Num sô trôxa!”

Se bem que, eu ainda não recebi o prêmio, o CD "Courtin' the Ginger Lady" da banda King Laoghaire. Por enquanto foi só o e-mail pedindo p’ra eu informar meu endereço p’ra envio.

Só falta eu receber outro e-mail: “Querida, se tu pagar o frete, o prêmio é teu!”


Ah, caso tenha ficado curioso:
1ª Junior Crehan
2ª Leo Rowsome

Monday, February 20, 2006

Turned down serenading fool

"Eu só queria distância da nossa distâcia
Saí por aí procurando uma contramão
Acabei chegando na sua rua
(...)
Atirei uma pedra na sua janela
E logo correndo me arrependi
Foi o medo de te acertar
Mas era pra te acertar
E disso eu quase me esqueci
Atirei outra pedra na sua janela
Uma que não fez o menor ruído
Não quebrou, não rachou, não deu em nada"
("É Mágoa", Ana Carolina)

Eu preocupada em não lhe acertar e nem quebrar o vidro. P’ra quê? Minhas pedras não fazem sequer barulho p’ra você.

Agora, já não tenho mais pedras. Atirei todas que tinha. Se você olhar o chão junto à sua janela, verá um monte delas.

Bleh, você já deve ter visto...

Saturday, February 18, 2006

Sabadão gostoso...

Dois mil e seis. Fevereiro. Dezoito. Sábado. Que beleza!

Uma daquelas noites em que "vanish into oblivion it's easy to do". So easy! Talvez eu devesse recorrer a Johnny Walker Red também.

Vanishing into oblivion...

Ainda assim, estou empolgada. Na próxima quinta-feira embarco em busca de minha sanidade, em busca de mim mesma. Sempre que perco a direção e me esqueço pelo caminho, sei bem onde me reencontrar. É p'ra lá que estou indo!

Ansiedade. Quero tanto fazer desses dias os melhores que vocês poderão ter ao meu lado que acho que p'ra isso terei que saber falar sobre óperas de Verdi, aprender a sapatear, imitar o Pato Donald e comer 15 cachorrões em dois minutos!

Ahá, já viram o que NÃO farei com vocês, né? Viram, não será tão ruim assim.

...

Deus existe! Dias após escrever aquela bobagem de "SAC divino", encontrei uma música por acaso: John Mayer cantando "Lover, You Should Have Come Over". John Mayer cantando Jeff Buckley num show! O mais interessante é que ele diz que tinha prometido a si mesmo nunca fazer isso. Maior prova que essa só se eu estivesse nesse show. Taí, coisa que nunca vai acontecer, né?

Mick Jagger, seu namorado Keith Richards e os outros dois divertem milhões. John me chama, a gravidade me puxa p'ra baixo. Tento me segurar com o máximo de força possível com meus braços envolta de seu pescoço. Ah, gravidade, leave me be!

Já nem sei se ainda estou escorregando ou se já me acostumei a essa sensação.

Ana Carolina, já disse p'ra você só assistir "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" quando estiver bem!

Sunday, February 12, 2006

Revisão sobre mim mesma

Ontem reli as postagens que já coloquei aqui e cartas e textos inacabamos de meses, anos atrás. Sem dúvida essa última, "SAC Divino", é a pior de todas. Mas, no geral não sei dizer o que acho de minhas palavras.

Ora penso que algumas das minhas frases são daquelas que eu iria adorar encontrar em algum livro; ora elas soam como pedantes, piegas, previsíveis, comuns, "mamãe, quero ser fofa", "mamãe, quero ser querida", "mamãe, eu me acho talentosa"... Mamãe, me tira daqui?

Além disso, achei bem patético perceber que não consigo escrever sobre outra coisa a não ser EU mesma (coisa que estou fazendo nesse exato momento. Tsic, tsic, tsic...). Mesmo quando não sou uma das personagens, eu estou lá: em gestos, manias, preferências, sonhos. Fica ainda pior quando tento inventar personagens. Parto de algo que aconteceu comigo com a intenção de, pelo menos na ficção, tomar decisões diferentes, mas acabo com a reprodução dos fatos mascarada por nomes quaisquer.

Glau disse que eu deveria escrever um livro, eu argumentei que não tenho talento e nem disciplina p'ra tal e ainda disse que não há nada demais no que escrevo porque são só formas de contar coisas tolas dos meus dias, não são grandes idéias, são só transcrições. Ela disse algo legal sobre isso ser uma coisa boa, ela quase me convenceu (quase porque sou muito teimosa) de que coisas da vida são as melhores idéias p'ra se escrever algo.

Gostaria de lembrar o que foi que ela disse...

Wednesday, February 08, 2006

SAC divino

- Para saber seu saldo, tecle 1; para obter informações sobre os serviços oferecidos, tecle 2; ou então aguarde na linha para falar com um de nossos atendentes. (...) Sua ligação está sendo transferida, em breve um de nossos atendentes vai estar falando com você. A paciência é uma virtude, lembre-se do exemplo dado por Jó.

“Pelos prados e campinas verdejantes eu vou
É o Senhor que me leva a descansar”

- Tenha calma, no momento todos nossos atendentes estão ocupados. Tão logo uma das linhas esteja ficando disponível, você estará sendo atendido. Não perca a paciência para não acabar como Maria Madalena... arrependida.

“Juntos às fontes de águas puras repousantes eu vou
Minhas forças o Senhor vai animar”

- Aguarde um momento, sua ligação estará sendo atendida em breve. Isabel aguardou muito mais tempo até finalmente engravidar.

“Tu és, Senhor, o meu pastor
Por isso nada em minha vida faltará”


- Bom dia, no quê posso estar ajudando?
- Bom dia, eu gostaria de falar com o Chefe.
- Desculpe?
- Por favor, passa minha ligação para Ele, o Senhor. Quero falar direto com Ele.
- No momento Ele se encontra muito ocupado, a senhora não pode estar falando p’ra mim qual é o problema?
- Poder, eu até posso, mas não fará diferença. É sobre um pedido. E é só Ele quem pode resolver. Por favor, passe minha ligação.
- Ele é, como a senhora bem sabe, muito ocupado e...
- Mas, é urgente.
- Sim, senhora, imagino. Todas as ligações são.
- Eu sei que todos devem dizer isso, mas é urgente mesmo.
- Com quem eu falo, por favor?
- Com a filha D’Ele!
- Sim, todos somos, querida.
- Ah, será que você não entende que...

- Minha filha, o que está acontecendo?
- Ãh, alô?
- Pois diga, minha filha, o que é tão urgente assim?
- O Senhor veio me atender mesmo...
- Claro! Quando ouvi que era você quem me chamava, vim correndo. Você me chamar depois de tanto tempo, só pode ser urgente mesmo. Diga, estou lhe ouvindo.
- Bem, é sobre um pedido que fiz.
- Entregaram errado? Recebeu o pedido de outra pessoa?
- Não, não. Na verdade, não é UM pedido, são pedidos acumulados.
- Entendo, entendo... Você, pelo jeito, ligou p’ra reclamar desde a pasta de dente que sempre quis, quando criança, mas nunca pôde usar, até o formato das suas coxas e seu quadril. Hunf...
- Não, não vou tão longe assim. Mas, é melhor não me dar idéias.
- E preciso dar?...
- É o seguinte: eu acho que nunca pedi demais, nunca pedi algo tão difícil assim. Nem mesmo pedi p’ra ganhar nas vezes em que joguei na loteria! Uma pessoa a menos, numa fila de milhões, eu sei. Mas, já era uma a menos.
- Sim, eu a...
- Então, pedidos simples, muitos eram de manutenção e não de grandes reviravoltas.
- Sim, a...
- Mas, já não consigo mais engolir quieta. Dessa vez vou reclamar!
- Dessa vez?! Que vez, minha cara? Há muito você não me pede algo, há muito você deixou de se voltar a mim. Você costumava reservar pelo menos alguns minutos p’ra mim todas as noites, antes de dormir, mas faz tempo que...
- Não, não, não. Eu não deixei de procurar o Senhor, muito pelo contrário: eu percebi que não preciso pedir licença p’ra Lhe falar, não preciso anunciar a conversa,...
- Sim, isso é muito bom, minha filha. Mas, mesmo assim,...
- Eu percebi que não preciso de gestos involuntários, palavras decoradas, pedidos e confissões prontas,...
- Muito bem, mas você partiu de um extremo para outro: de repetições ao silêncio.
- Será possível que o Senhor, onisciente, não tenha percebido minhas palavras, meus sinais? Aquele pedido que fiz a uma estrela cadente em 1998, o Senhor se lembra? Poucas horas depois de eu ter quase morrido afogada naquela represa, pois é, eu achei que ia morrer. Mais tarde, mais calma, eu estava olhando o céu daquela noite, talvez a mais bonita que já vi. Eram tantas estrelas que não dava p’ra fixar os olhos num pedaço de céu, havia a vontade de não perder nenhuma luzinha sequer. Cada vez que olhava p’ra uma das muitas, milhares de estrelas, enxergava que ao lado havia outras, e outras e outras. Quanto mais eu via, mais queria ver. No carro, voltando p’ra casa, vi a estrela cadente. Lembrei ter ouvido falar que, ao vermos uma, temos direito a um pedido. Assim fiz. Fechei meus olhos, para não ser distraída pelos muitos pontinhos que ainda brilhavam como se quisessem minha atenção, e pedi. Não foi à estrela que pedi. Apesar de encantada por seu rastro de fogo, não foi com ela que falei.
- Ah, minha filha, eu ouvi sua voz!
- Ouviu? E por acaso não entendeu o pedido?
- Querida, não é assim...
- E todas as vezes em que fiz pedidos, disputando na sorte com alguém, com cílios nas pontas do dedos? Foi ao Senhor....
- Filha, ouça...
- Ah, quer saber? Estamos conversando diretamente agora, não tem desculpa p’ra não me ouvir ou não entender: não foram só os pedidos, que mesmo repetidos não foram atendidos, foram as conversas. Assim como Bilac, converso com as estrelas; vou além, inclusive, converso com tudo que desperta meu espanto, tudo que prende meus olhos, pois sei que é nessas coisas que posso Lhe achar.
- É isso mesmo!
- Conversas que, ao que parece, só foram prazerosas a um dos envolvidos. Tentei ser paciente, mas não dá. Eu quero meu pedido realizado! Também quero a viagem com as amigas, um precipício, a aurora boreal, o sol da meia-noite, lomos – várias, show do John Mayer (e ele tocando cover do Jeff Buckley, hein!), uma música composta p’ra mim,... Vou apelar: quero mico-leão dourado fora da lista de animais em perigo de extinção, quero o fim da fome no mundo,... E quando estiver cuidando do desenvolvimento e adaptações das espécies, trate de fazer com que os aranhas tenham um veneno imediato. Odeio ver insetos agonizando nas teias!

Friday, February 03, 2006

Escrevi p'ra você

- Ah, mãe, ver fotos é nossa tradição de aniversário. Uma foto p’ra cada ano de vida, eu tomo cuidado p’ra não serem sempre as mesmas. Por que você reclama todo ano?
- Por que você sempre dá um jeito de reforçar que estou ficando ainda mais velha?
- Quanto mais velha melhor: mais anos de vida, mais fotos tiradas, mais fotos p’ra vermos, menos chances de repetirmos alguma.
- Pois é, como já estou chegando aos 70, haja fotos...
- E essa, mãe, quem é?
- Ah, essa é a Ana. Nossa, a Ana... O que será que aconteceu com ela?




Hoje tenho 40 anos. Confesso que nunca tive certeza de que chegaria até aqui. Nunca tive comportamentos que comprometessem minha saúde (nada de cigarros, drogas, bebida em excesso, promiscuidade descuidada) mas, também não posso dizer que me esforcei para cuidar dela.

Num primeiro momento achei que seria difícil demais resumir os meus últimos 20 anos, mas agora, sentada com o teclado a minha frente, com as letras ao meu alcance, vejo que poucas palavras bastarão. Esses 20 anos foram como os 20 primeiros: por vezes, vazios.

Terminei a faculdade, do mesmo jeito que comecei: frustrada e torcendo pelo dia em que ia encontrar algo que despertasse paixão. Ela chegou, a paixão que tenho até hoje; na verdade, ela já tinha chegado mesmo antes, eu é que não tinha percebido. Só percebi seus sintomas depois de me formar, quando pude ter mais contato, mais informações sobre tudo o que sempre achei interessante e acreditava que encontraria na faculdade.

A faculdade: overrated, so overrated! Onde estavam os grandes amigos que faria? E as melhores festas da minha vida? (Bleh, nunca fui muito boa com festas mesmo). As grandes descobertas e experiências? Será que esconde-esconde era uma parte da graça?!

Foi normal – ainda se lembra do valor que normal tem p’ra mim? – normal até demais. Cinco anos pensando: “O que estou fazendo aqui mesmo?”

Ah, mas essa pergunta é a minha essência. Só pode ser. Depois de tanto tempo, afinal são 40 anos, é ela ainda que me persegue e, de um jeito às vezes torturante, me faz continuar.

Desculpe, perdi a linha de raciocínio. Falava de faculdade e de paixão.

Saí da faculdade e fui estudar História da Arte. Pois é, finalmente. Consegui uma especialização em Florença e por aqui fiquei. Foi aí que percebi a paixão. Meus dias se resumiam a leitura, pesquisa e observação de afrescos, esculturas, manuscritos; mas eu não me cansava, não sentia falta de outra coisa. Acho que me tornei uma daquelas especialistas chatas (redundância?) que só pensam, falam, vivem uma coisa e nem percebem.

Não demorou muito até que a euforia passasse. Como em toda paixão, o tesão inicial se acalmou e eu voltei a ter outras coisas na cabeça além das mulheres de Delacroix, os homens de Michelangelo e os trituradores de vacas de Leonardo da Vinci.

A essa altura, eu já trabalhava na La Galleria degli Uffizi. É maravilhoso, o ambiente de um museu me comove mais do que sebos, livrarias e cinemas. E trabalhar cercada por Caravaggio, Leonardo da Vinci, El Greco, Raffaello Sanzio (que me ganhou quando eu tinha apenas 11 aninhos; foi “Il Primo Bacio”, o meu primeiro), e tantos outros... Não há palavras.

Inclusive, por mais clichê que pareça, foi diante de “A Primavera”, de Botticelli, que conheci Ian. Era meu horário de almoço e, como de costume, comi rapidinho p’ra aproveitar o resto do tempo olhando p’ra uma obra. Já estava sentada, sozinha, em silêncio, admirando, por uns 30 minutos quando percebi que não era impressão minha, havia mesmo alguém ao meu lado. Era ele. Também sentado, sozinho, calado e absorvido.

Enxerguei-o de canto de olho, não conseguia desviar meus olhos da parede, até:
- Ela vai jogar suas pétalas sobre nós, não? - tive que olhá-lo.
- Vai, e elas vão nos chamar p’ra participar da dança.

Nossa, isso foi há quase 16 anos. Nem sei dizer como ou o quê aconteceu, mas agora mesmo, enquanto escrevo no quarto, posso ouvi-lo ao piano, na sala, tocando a música que compôs logo que viemos morar juntos. É a sua canção preferida p’ra dias de tranqüila falta de obrigações, de calma oportunidade de se aproveitar o dia.

Caso acreditasse em sorte diria que foi isso que trouxe Ian até mim. E já se foram 15 anos. Como você pode imaginar, esses anos de convivência não foram ininterruptos, mas quem diria? A maior parte dos méritos é dele. Metade da menor parte dos méritos é minha, a outra metade é da felicidade de concordarmos nas coisas essenciais de um relacionamento.

De novo, me desviei do assunto. Falava do meu trabalho.

Comecei como assistente de assistente, cheguei a curadora de exposições em parcerias, em galerias pequenas. Você precisava ter visto a exposição de Havaianas que fizemos. Sim, as legítimas! Foi uma exposição de calçados pelo mundo.

Lá estavam os clichês como aquele sapatinho japonês que atrofiava os pés das mocinhas; os tamancos holandeses; as botas com correntes que impedem escorregões no gelo da Rússia; tênis que, bem, nem preciso dizer que dominaram o planeta, né? E numa sala exclusiva, elas, as Havaianas. Tá, eu nunca fui muito fã delas (sempre arrebentava ou tropeçava, ou as duas coisas), mas não posso negar que elas carregam a marca de um país, os traços de uma maneira de vida. Foi divertido.

Fizemos também uma exposição muito legal, “Sentidos”. O nome ficou parecendo uma daquelas coisas pós-modernas ou, pior, reportagem especial do Fantástico, mas a idéia, sem falsa modéstia, foi boa: uma exposição que mexesse com mais de um sentido.

Dividimos um pequeno galpão em espaços, cada um foi decorado, climatizado e aromatizado de um jeito. Em cada um, fotos sobre um mesmo tema, uma temperatura, um cheiro e uma música sendo tocada.

Numa das “salas”, logo ao entrar sentia-se o frio de uma manhã de neve fraca caindo e o cheiro de pinheiros úmidos, e viam-se duas fotos ocupando toda uma parede, deixando as imagens pouco maior que a cena original. Nas duas fotos, que tinham aquele tom azulado que o frio tem, havia um rapaz numa plataforma de trem.

Numa o rapaz aparece de costas e nem sinais restam do trem. Percebe-se que há muito havia partido. Na outra, o rapaz de frente, seus olhos úmidos estão presos a algo já muito distante e seus braços caídos de qualquer jeito parecem deixar rastros de um “tchau” sofrido e ainda não convencido.

Seu rosto é da brancura que o inverno nos dá; seu nariz, um pouco vermelho, é a única parte que ainda parece viva nesse rosto. Sua pele morta sem sangue, seus olhos sem vida com lágrimas. O aroma dos pinheiros nos aproximava do frio. O frio trazia essa despedida para nosso corpo enquanto, no centro da sala, Ian tocava piano e cantava uma de suas músicas.

“tanto quanto o adeus é inevitável
é minha vontade de tentar”


Uma pena você não ter visto, gostaria de ter ouvido sua opinião. No dia de abertura da exposição voltei a tentar o velho truque da comunicação por telepatia. Não demorou muito p’ra que eu lembrar que ele nunca funcionou.

E não foi só nesse dia que lembrei de você. Foram muitos dias em que desejei ouvir um comentário seu, muitas as coisas que quis dividir com você. Comecei por dizer que esses 20 anos foram vazios por vezes, mas o vazio veio de você. Ou melhor, da falta de você.

Tantas coisas que eu quis contar, mostrar. Tantas conquistas, tantos fracassos. Estudos, trabalhos, exposições, mudanças, projetos, fotos, músicas, filmes, dias, anos. Imagino que você também deve ter passado por muitas coisas das quais eu gostaria de ter feito parte.

Por que mesmo você deixou de fazer parte dos meus dias?

Há um texto de muitos anos atrás, que circulou pela internet, no qual um soldado pede permissão para ir a procura de um amigo seu, ferido em combate. Mesmo sem a autorização de seu superior, o rapaz vai. Quando ele encontra seu já agonizante amigo só há tempo de ouvir “Eu sabia que você viria”.

Gostaria de poder dizer que é por isso que escrevo, mas caso o fizesse estaria fingindo uma confiança que não tenho. Não sei se você virá. Só espero que venha. Após tanto tempo, só me resta a mesma coisa: esperar.

Florença, 20 de julho de 2026

Sunday, January 29, 2006

Prismas

Uma tarde de sábado. Um garoto e uma garota. Céu cinzento. Uma feira daquelas onde se encontra de tudo. Vento. Pingos de chuva que se atrasaram e chegam sozinhos. Um mirante numa torre. Fotos. Algodão-doce.

Suas mãos não encontram descanso. Seus braços gesticulam como numa dança de má improvisação. Seus olhares se evitam tentando conter o embaraço que já os toma. Mexem em lembrancinhas, lêem camisetas, brincam com chapéus.

Ligeiros, os pés se mantêm tão secos quanto conseguem através das poças. Os passos começam a tentar acompanhar a velocidade das palavras. Palavras quaisquer. Não importa, são só p’ra abafar o silêncio que inquieta ainda mais.

Não se tocam. Nem mesmo seus ombros se esbarram. A distância entre eles é visivelmente proposital. Assim, não concordam quanto que direções tomar. Ele assume seu papel e aponta o lado escolhido. Ela segue.

Não sabem o que fazem. Nem o que devem fazer. Não sabem. Não fazem.

O que falta p’ra eles? Precisam que alguém os diga o que todos já sabem? Será preciso mostrar o que todos vêem?

Mas, o que eles vêem?

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Uma tarde de sábado. Um garoto e uma garota. Céu cinzento. Uma feira daquelas onde se encontra de tudo. Vento. Pingos de chuva que se atrasaram e chegam sozinhos. Um mirante numa torre. Fotos. Algodão-doce.

Braços que se cruzam. Ombros que se encolhem. Mãos que fogem para os bolsos. Olhos que se escondem por trás de camisetas, bonés, canecas. “Eu gravo sua mensagem num chaveiro na hora, é só escolher.”

Os pés desviam das poças, restos da água que há pouco parecia querer derrotar quem se atrevesse a caminhar sob ela. “Foi bom, diminuiu o calor que estava demais.” Palavras que saem como se viessem dos pensamentos de outras pessoas que não deles.

Um dedo indicador aponta a direção. Corpos que não se conhecem, não sabem andar lado a lado. Por vezes parecem querer seguir por lados opostos – talvez queiram. Os passos são medidos. Não há ritmo, só inércia.

Modo automático. Modo educado. Modo distante. Modo ausente em plena presença.

Friday, January 20, 2006

O começo da batalha

Existe um "ensinamento" mundialmente famoso: "Plante uma árvore. Escreva um livro. Tenha um filho." Resolvi segui-lo, fazendo pequenas adaptações, é claro. Ficou assim: "Aprenda um idioma esdrúxlo. Escreva um roteiro legal. Aprenda tudo o que puder sobre tudo o que quiser."

Estou decidida a (pelo menos tentar) aprender islandês. Vou passar a escrever as idéias que tenho, ao invés de abandoná-las no segundo dia. Vou ler, pesquisar, perguntar, descobrir o máximo que conseguir sobre coisas que me interessam (fotografia, arte, cinema, literatura,...).

Ok, sei que a qualquer momento o despertador vai tocar, vou acordar, encarar meu reflexo no espelho do banheiro e ainda não saber como se diz idiossincrasia em irlandês, nem como tirar uma foto mostrando a sombra de meus cílios sobre o rosto de alguém, nem como reconhecer um andante numa obra de Mozart, muito menos quais os temas preferidos de William Blake,...

Pior, nem preciso de um despertador, tenho a mim mesma! Sou o grande "lembrete" de que minhas chances são mínimas. Começa agora uma batalha entre eu e eu mesma! Infelizmente, não há torcida. Nem eu mesma acredito e torço por mim.

Nem minha mãe! Minhas últimas idéias não merecem mais do que um "Tá bom, filha" (dito no mesmo tom de "Sim, eu sei que você vai ganhar na loteria um dia. Agora, passa o controle da TV, vai.")

Vou aprender, conhecer, saber muitas novas coisas. Acredite se puder, Ana Carolina!

Toda essa confiança só vai ajudar...
"...þetta er ágætis byrjun"
(isso é um bom começo)

Thursday, January 05, 2006

Um site, eu descrita!

Hoje, sem querer, encontrei um site que me descreve. Ok, não só ME descreve, descreve muita gente.

Teoria Pedestáltica

Eu não sabia se ria ou chorava ao ler alguém, que nem sei quem é, narrar situações que já vivi, idéias e sensações que tive. Será que ele esteve me observando? Será que me ouviu falar sozinha p’ra saber tantas coisas?

As músicas citadas... Ai, ai. A cada quadradinho escuro eu ria mais. Tirando os que não gosto, U2 (eca) e Oasis (argh! A exceção: “Wonderwall”, eles tinham que fazer algo decente, não?), e Whitesnake, Maybees e algumas do Travis, do Radiohead e do Guns que não conhecia, eu já conhecia e ouvia todas. E me identifico com elas. Muito!

Ler esse site foi como ler páginas que nunca escrevi, percorrer parte da minha lista de mais tocadas, reviver dias e momentos que são exibidos continuamente em alguma sala de projeção na minha memória.

Quanto ao fim... Ainda não cheguei lá.

Tuesday, January 03, 2006

O que tem ecoado em mim

Bleh, tenho reflexões de ano novo, mas enquanto não as concluo deixo aqui algo que acho muito bonito.

Nothing Better - The Postal Service

Will someone please call a surgeon
Who can crack my ribs and repair this broken heart
That you're deserting for better company?
I can't accept that it's over...
I will block the door like a goalie tending the net
In the third quarter of a tied-game rivalry

So just say how to make it right
And I swear I'll do my best to comply

Tell me am I right to think that there could be nothing better
Than making you my bride and slowly growing old together

I feel I must interject here you're getting carried away feeling sorry for yourself
With these revisions and gaps in history
So let me help you remember.
I've made charts and graphs that should finally make it clear.
I've prepared a lecture on why I have to leave

- So please, back away and let me go
- I can't, my darling, I love you so...

Oh, oh

Tell me am I right to think that there could be nothing better
Than making you my bride and slowly growing old together
Don't you feed me lines about some idealistic future
Your heart won't heal right if you keep tearing out the sutures

I admit that I have made mistakes and I swear
I'll never wrong you again
You've got a lure I can't deny,
But you've had your chance so say goodbye
Say goodbye

Sunday, January 01, 2006

O último do ano

Maringá, 31 de dezembro de 2005 (4 da manhã)

Primeiras horas do último dia do ano. Como não consegui dormir optei pelo papel e pela caneta. Uma tentativa de voltar a escrever com certa frenqüência, recuperar minha válvula de escape.

"Oh, my heart can't carry much more
It's really, really aching and sore"*

Estou me acostumando a estar em Maringá e a idéia de voltar p'ra Brasília não se mostra muito tentadora. Aqui os dias têm passado sem eu nem perceber. Contribuindo para que eu consiga deixar de existir aos poucos.

É minha vontade atual (volúvel pouco, não?): desaparecer aos poucos, como o Michael J. Fox em "De Volta Para o Futuro", enquanto ele está tocando guitarra num baile, ou ainda como o cara no clipe do Cold Play, "God Put a Smile Upon Your Face".

Lembrando agora, por esses exemplos, desaparecer assim deve ser desesperador. Mas, sei lá. Do jeito que eu imagino é indolor e tranqüilo. Não é muito rápido e nem muito demorado. Conforme vou sumindo, vou me sentindo aliviada. Não paro p'ra pensar na minha vida mediocremente vivida (coisas que fiz, deixei de fazer; coisas que falei, que calei; "o beijo de amor que nunca roubei"; as confissões que só me deixaram mais vulnerável;... nada!). Não penso em nada. A cada parte que desaparece, meu sorriso se completa. É libertação.

Desde quando eu sou do tipo que deseja liberdade? Bleh, conceitos vazios. Por que vocês têm feito sentido p'ra mim?

Ah, falando em fazer sentido...
Tantas músicas, tantos versos que eu sempre achei lindos. Nunca quis que eles fizessem sentido, mas agora eles fazem.

"My heart don't beat like before
It's never been this slow"*

É tão bobo. Eu, já há algum tempo, deixei de esperar "p'ra sempre", entendi e aceitei que as coisas, as relações, os sentimentos mudam e até acabam. E agora estou aqui, lamentando uma mudança (ou será um fim?).


Pfff... Tanto tempo p'ra ter certeza do que sinto e agora... "Ops, hora de mudar"?!

A verdade é que já mudou. Só não sei o que, nem como, o que sobrou... Mas sei uma coisa: não quero passar mais tempo tentando entender, agora, esse novo sentir. Não dá, eu não vou agüentar se tiver que passar por isso de novo.

Bleh, p'ra que me preocupar com isso agora? Acredito que daqui uns dias (muitos talvez, mas já não conto os segundos) vou poder ver "a quantas" as coisas ficaram.

"But you couldn't care less, could you?"*


* "Couldn't Care Less" - The Cardigans