Sunday, January 01, 2006

O último do ano

Maringá, 31 de dezembro de 2005 (4 da manhã)

Primeiras horas do último dia do ano. Como não consegui dormir optei pelo papel e pela caneta. Uma tentativa de voltar a escrever com certa frenqüência, recuperar minha válvula de escape.

"Oh, my heart can't carry much more
It's really, really aching and sore"*

Estou me acostumando a estar em Maringá e a idéia de voltar p'ra Brasília não se mostra muito tentadora. Aqui os dias têm passado sem eu nem perceber. Contribuindo para que eu consiga deixar de existir aos poucos.

É minha vontade atual (volúvel pouco, não?): desaparecer aos poucos, como o Michael J. Fox em "De Volta Para o Futuro", enquanto ele está tocando guitarra num baile, ou ainda como o cara no clipe do Cold Play, "God Put a Smile Upon Your Face".

Lembrando agora, por esses exemplos, desaparecer assim deve ser desesperador. Mas, sei lá. Do jeito que eu imagino é indolor e tranqüilo. Não é muito rápido e nem muito demorado. Conforme vou sumindo, vou me sentindo aliviada. Não paro p'ra pensar na minha vida mediocremente vivida (coisas que fiz, deixei de fazer; coisas que falei, que calei; "o beijo de amor que nunca roubei"; as confissões que só me deixaram mais vulnerável;... nada!). Não penso em nada. A cada parte que desaparece, meu sorriso se completa. É libertação.

Desde quando eu sou do tipo que deseja liberdade? Bleh, conceitos vazios. Por que vocês têm feito sentido p'ra mim?

Ah, falando em fazer sentido...
Tantas músicas, tantos versos que eu sempre achei lindos. Nunca quis que eles fizessem sentido, mas agora eles fazem.

"My heart don't beat like before
It's never been this slow"*

É tão bobo. Eu, já há algum tempo, deixei de esperar "p'ra sempre", entendi e aceitei que as coisas, as relações, os sentimentos mudam e até acabam. E agora estou aqui, lamentando uma mudança (ou será um fim?).


Pfff... Tanto tempo p'ra ter certeza do que sinto e agora... "Ops, hora de mudar"?!

A verdade é que já mudou. Só não sei o que, nem como, o que sobrou... Mas sei uma coisa: não quero passar mais tempo tentando entender, agora, esse novo sentir. Não dá, eu não vou agüentar se tiver que passar por isso de novo.

Bleh, p'ra que me preocupar com isso agora? Acredito que daqui uns dias (muitos talvez, mas já não conto os segundos) vou poder ver "a quantas" as coisas ficaram.

"But you couldn't care less, could you?"*


* "Couldn't Care Less" - The Cardigans

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