Wednesday, October 24, 2007

Procuro

a garota com latas, grafite preto, pregos e rolos fotográficos; a garota que quer libertar duendes de jardim; a garota que as nuvens com cabelo cor de merengue não conseguem beijar; a garota que pula em poças e ri com o barulho dos passos dentro de meias encharcadas; a garota que sente o fim do mundo a cada noite de domingo; a garota que morde mangas de blusas quando fica ansiosa; a garota que se delicia ao não sentir o tempo passar enquanto desfaz as costuras de uma roupa velha; a garota que caminha mais devagar conforme a quantidade de sorvete que ainda tem nas mãos;...

Perdi você em algum lugar, pelo caminho. Desculpe... e volte!

Friday, October 12, 2007

Starálfur

- Você ainda vai estar aqui quando eu acordar?
- Só se você quiser...
- Então... fica.

...

- Você tem medo de escuro?
- Você já me viu com medo?
- Você já me viu correndo?
- Hein?
- Só porque você nunca viu, não quer dizer que não seja possível.
- Engraçado você me perguntar isso. Quando você me criou, não me deu medo.
- Você sabe que não gosto quando você fala que eu...
- Sim, sim, eu sei. Não me deu medo, mas insistiu p’ra que eu me sentisse real, e não falasse como se de outra forma fosse.

...

- Você gostaria de ter medo?

Thursday, October 11, 2007

As surpresas da vida...

Quem diria, hein?

Thursday, October 04, 2007

Na segunda-feira choveu...

Ontem choveu! Depois de quase cento e trinta dias de seca, ou melhor de secura, o céu chorou. Pela primeira vez em muito tempo, suas lágrimas não soaram como tristeza p’ra mim.

Parecia um convite p’ra que eu me juntasse à roda e “cirandasse” pela noite. Nem saí do apartamento, mas pelo vidro da varanda meu pensar se juntou aos pingos de água e uivos de vento. Por poucos, mas bons, instantes rodopiei ao gosto do ar úmido e fresco – já fazia mais de cem dias...

De volta à mesa, meu corpo se sentia aliviado do calor, e eu, saciada do ar necessário para uma noite. O relógio ainda não apontava as dez horas, mas o dia poderia ter terminado p’ra mim. Calmo, molhado e no ritmo da chuva.

Eu já não precisava me esticar como uma estrela do mar p’ra aumentar o contato da pele com o ar. Abraçava meus joelhos como se há muito não nos víssemos. Numa noite de reencontros: com o ar, a água, a pele, a ciranda.

E hoje...


"Hoje eu quero viver sem saber de nada"