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Friday, July 10, 2009

Dois anos de pizza

(um aviso aos mais sensíveis: este texto é brega e meloso!)


Hoje é dia da pizza e, para comemorar, vou dividir minha receita preferida.

A massa são seus braços que sustentam o recheio e não deixam os ingredientes caírem. Esses são sempre frescos, colhidos com um “bom dia” e um beijo atrás da orelha: são rodelas de carinho, fatias de abraços e vários pedaços de conversas. Tudo isso salpicado com os muitos sorrisos que você me traz.

Em dois anos na dieta dessa pizza, já perdi e já ganhei muito quilos:

- perdi o peso dos dias solitários; perdi a gordura trans dos domingos, que nos mata um pouco a cada mordida; perdi o gosto de conversa pronta que estava grudado a minha garganta havia meses;...

- ganhei o sabor da sua companhia e o ômega 3 que protege meu coração; mas também ganhei o peso de tentar corresponder às expectativas.

Estou sempre tentando ser uma “comedora” à altura dessa pizza. Minha preferida.

Feliz dois anos, querido!

Saudades...

Friday, January 16, 2009

Isso vai soar muito egoísta, mas...

Feliz aniversário, Glau!

 Eu queria poder dar algo lindo p’ra você. Um livro que contasse estórias sobre lugares mais bonitos que os que temos a nossa volta, sobre pessoas que nos dessem choques intelectuais a cada conversa, sobre vidas que seguem os cursos sonhados simplesmente porque é assim que deve ser. Ou, quem sabe, um filme que trouxesse o conforto da sensação de se identificar com uma personagem, com uma trilha sonora que se encaixasse perfeitamente como uma trilha para as nossas vidas.

Talvez, uma simples fotografia que retratasse, em apenas uma imagem, como seria se a felicidade, e somente ela, existisse. Ou, ainda, o par de sapatos que Dorothy Gale perdeu, para que você pudesse ir p’ra onde quiser, quando quiser. O pó mágico das fadas, será?, p’ra que você voe longe.

 Mas infelizmente, esses presentes não estão ao alcance. E se eu pudesse dar a você qualquer coisa, qualquer coisa mesmo: daria a você meus dias, p’ra que você os enchesse com sua companhia, com sua risada (uma das mais gostosas que ecoam pelo mundo!) e com a sensação de “estou em casa” que sinto toda vez que vejo você.

 Hoje, reforço meu grito aos ventos para que eles tragam felicidade p’ra você e, depois, fico com a vontade de, no seu aniversário, me dar sua companhia como presente.

Amo você

Fique bem

Muitas saudades...

Tuesday, July 01, 2008

Tão depois de pouco depois de depois do Sol

O garoto começou uma viagem que levaria seus truques p’ra longe. E a garota voltou p’ra sua torre. O buraco que há pouco emoldurava um jardim dançante agora exibia em sua tela o garoto se afastar num grande pássaro branco. A garota ficou. Assistindo. Até que pássaro deixou de ser um minúsculo ponto e desapareceu – como se fosse mais um truque.

Dentro da torre, a garota tinha dificuldade em manter as canções soando. Ela se mexia tanto que o som mais alto era sua inquietação. As flores dançavam numa mistura de recordação e medo: mesmo soando baixo agora, na lembrança as canções ainda tinham volume alto; mas será que demorariam a voltar a ser mais que lembrança?

A garota olhava para as flores e sentia preguiça de dançar. Preguiça não, desânimo. Não queria que o jardim ficasse quieto, só queria ela mesma ficar. Sentou-se no chão, abraçou seus joelhos, como de costume, e desejou que houvesse mais para abraçar do que suas próprias pernas.

Cansada de olhar para a tela vazia, deitou-se junto às flores e tentou não pensar no quase silêncio. Olhava para o chão e para os caules tão verdes que se mexiam num ritmo agradável. A garota sorriu: as canções ainda soavam, no eco protegido pelos paralelepípedos da sua torre.

Sem se esticar muito, a garota levou sua mão à parede. Não havia o frio de pedra, mas um tremor ritmado e quente – mais um truque do garoto, ela teve certeza.

Sunday, June 01, 2008

E aí, você cresceu um Troy ou um Goonie?

"THE GOONIES SWITCHEROO

Go back into the annals of beloved '80s films, and you'd be hard pressed to find a movie closer to the hearts of thirty-somethings than The Goonies. I'll spare you the synopsis, as you most likely already know it, but if you don't, no need to worry - you've seen 20 other movies like it in its time. The template: nerdy but affable underdog(s) suffer unrelenting ridicule by jocks in varsity letter jackets but ultimately have their comeuppance, usually stealing a smoking hot girlfriend or two in the process.

In the case of The Goonies, a band of awkward, socially outcast kids set off to find a buried treasure, narrowly averting almost certain death and outrunning, among others, a popular high school jock named Troy. Troy is one of the classic cinematic archetypes of the 1980s; the jock. He's good looking, rocks a period-relative badass Mustang convertible, and he's a total prick. All we can do from the moment Troy enters the frame is to wait with baited breath to see Troy lose and the Goonies win.

And in that end, back in 1985 when the underdogs had their day, (and their bag of jewels), and the final credits rolled and we called our parents for a ride home, we realized something fantastic: It's true, we weren't Troy. But for the first time, thanks to The Goonies, we no longer wanted to be Troy. It was okay to be us, thank you very much.

Cut to present day.

What happened to the better part of a generation that once walked out of their local theater rooting for the Mikeys and Chunks and Datas of the world? They've turned into Troys. Troys who can't accept the differences in others and condemn the things they don't understand. Finger-pointing, shit-talking Troys.

Ask yourself: with whom do you identify more these days, Troy or the Goonies? And if you're reading this and you happen to be an Internet shit-talker, could it be because you think I'm Troy? Because honest to God, I've always fancied myself a Goonie; the underdog who toppled over the narrow-minded naysayers and walked away with a treasure.

So maybe this whole thing is one big misunderstanding and it turns out we don't need to go down as a generation remembered as having spent the '00s wearing our asses like hats after all. Maybe it will turn out that we needed a little time to figure out that in the end we're all just a bunch of Goonies."
Texto de John Mayer

Saturday, March 08, 2008

Pouco depois de depois do Sol

(ou Depois do Sol - 2)


O garoto continuava a fazer seus truques, agora já mais calmo – já não tão convencido de que fosse sua a responsabilidade de deixar tudo certo. Cada carta tirada do baralho vinha seguida por um sorriso da garota, que começava a se sentir como uma assistente.

Ela acabou por descer do muro para o lado de fora, mas não se afastou de sua torre: continua sentada abraçada aos seus joelhos e tem as costas apoiadas pelo quente – tempos atrás frio – contato com alguns paralelepípedos. Até mesmo para participar dos truques do garoto ela não perde o toque das pedras. Estica, o quanto for necessário, um braço e puxa uma carta. Aliás, quando é preciso esticar os dois braços ela chega a hesitar, curvada sob a força da insegurança.

Mas ainda assim, com o garoto sentindo o peso das responsabilidades a mais e a garota com a sensação de que há excesso de ar sem um maior bloqueio de sua torre, eles seguem com os truques e os sorrisos. Os dias passam fáceis e a grama em torno deles parece ilhá-los da chuva que cai e deixa ensopados os humores.

Ao menos era essa a impressão que a garota tinha. O garoto faz o que pode p’ra não deixar o cinza chegar. Ele preenche os dias dela com truques que ela nunca antes tinha visto. E não são só feitos com cartas. Aliás, seus preferidos não envolvem muita coisa: um pouco mais que palavras.

A garota esperava ansiosa pelos momentos em que as manhãs começavam, as tardes se encurtavam e as noites se dissolviam nas palavras que eles trocavam. O garoto sentava ao seu lado (às vezes chegava a, também, se apoiar na torre da garota) e a conversa percorria o curto caminho de sua miopia. E as mãos da garota, por vezes, soltavam seus joelhos, p’ra encontrar os dele.

O garoto parecia falar em versos. Suas palavras, ainda que nem sempre rimadas, pareciam formar poemas. Ou melhor, canções. E enquanto falava, o garoto realizava mais um de seus truques: uma pauta surgia diante de seu rosto, como se por efeito especial, e levava em suas notas as sílabas ditas por ele. A garota seguia a música diante de seus olhos como uma criança que vê, pela primeira vez, uma roda-gigante: num quase equilíbrio entre o medo que afasta e o encanto que atrai.

Em resposta, o garoto ouvia as palavras da garota, que soavam como se tivessem absorvido o frio anterior da torre. Ou, pelo menos, era como ele as sentia. Palavras fora de pauta, sem melodia ou tom próprio. Era o que ele via sair da garota: palavras e sorrisos vacilantes e gestos inseguros, que pouco saíam de sua zona de segurança.

Mas não era só isso que ela lhe dava.

Por dias, a garota pensou. Já não suportava ver os olhos do garoto à procura de algo além de suas palavras. Queria mostrar algo, encher seus olhos. Mas... o quê?! Não adiantava tentar fazer truques – ela sabe que não tem talento p’ra eles. Além disso, não acredita em gestos repetidos. Somente após alguns dias de relutância, a garota cedeu a sua coragem.

Era uma manhã daquelas que luta p’ra ficar clara. A garota respirou fundo, levantou e se afastou do muro: só por alguns segundos! Correu até o garoto e, o acordando, puxou-o pela mão até a torre. Sem dizer uma palavra, ela apontou para um espaço vazio, do qual um paralelepípedo fora tirado. Não muito seguro do que ia ver, o garoto aproximou seu rosto...

protegido pelo muro, um pequeno jardim florido, no qual todas as flores dançavam ao som das canções que só o garoto entoava.

Friday, February 29, 2008

10 - Wheel

O sol já se despedia de mais um dia e ela ainda passeava seus olhos ora pelo espaço entre as tiras de madeira, ora pelos seus dedos há muito dobrados sobre o toque da madeira, ora pela própria madeira. Pelo menos, era de um tom verde escuro pintado e não aquele marrom, que mesmo molhado, faz pensar em dias secos.

Aliás, havia chovido por alguns minutos. A grama deixava escapar o cheiro da terra molhada sob si, enquanto as nuvens davam ao sol apenas uma fresta para seu “adeus... até amanhã”. Alguns pingos de água resistiam em algumas tiras de madeira. Mas só nas que formavam o assento do banco, pois as que formavam o encosto já estavam secas após tantos deslizes de dedos.

A garota tinha visto o dia começar, o orvalho subir, o sol atingir o meio-dia, a chuva cair e cessar, e um vento suave ir e voltar algumas vezes. Agora, ela via o sol se render ao apelo da lua: a noite chegava. O ar estava um pouco frio, mas não tanto quanto os tecidos que a garota usava. Jeans, meias, camiseta e moletom molhados. Seu capuz verde nunca esteve tão pesado.

Era um meio tom entre a grama e as tiras de madeira. A garota achava engraçado: era uma quase camuflagem, mas sem chegar a misturá-la à paisagem. Mas ainda que a misturasse, o tanto que se mexia arruinaria o disfarce. Ah, a inquietação dos que querem ser encontrados...

E lá estava a garota. Encolhida atrás de um banco, sem conseguir uma posição que não incomodasse seu corpo: suas pernas doíam; suas costas já reuniam suas últimas forças para se manterem eretas; assim como seu pescoço parecia querer desistir de agüentar o peso da cabeça (aumentado pela água no capuz e no cabelo); sua testa e seus dedos já sentiam a textura da madeira mesmo quando não a tocavam. O único que parecia um pouco descansado era seu braço esquerdo que, agora, repousava sobre a mochila também úmida.

Ao contrário, seus olhos eram os mais cansados. Não só por causa dos movimentos de um lado para o outro mas, principalmente, por serem eles os que viam cada uma das pernas apressadas, cada um dos pés arrastados, todas as cabeças distraídas, os braços sincronizados que passavam sem notá-la. Todos os olhos que não pousavam nos seus.

Quando a luz do dia enfraqueceu, finalmente, os olhos passaram seu posto para os ouvidos; e uma nova vigília começou. Cada galho caído e pisado era uma expectativa... logo frustrada. A falta de luz veio acompanhada da falta de movimento, e o estalar das tiras de madeira se comprimindo era o que os ouvidos alcançavam.

A ausência de outro som deixou a garota ansiosa pelo novo dia – quem sabe ele não traria fim à espera? – com seus sons que a noite não tem. E ali a garota, que entrou numa brincadeira de esconde-esconde sem saber onde fica o pique e quem mais está brincando, ficou. Rendida ao cansaço, deitada na grama já menos molhada, com sua mochila fazendo as vezes de travesseiro, e acalentada pelo canto dos pássaros que soava em sua cabeça:

The birds will sing for us but we all die in the end

Friday, February 01, 2008

Gavetas - ou poços de desejos

Quando se limpa gavetas se encontra de tudo.

Entre cédulas de cruzados novos, cartões postais e telefônicos, fotos de pessoas de quem já nem lembro o nome, provas de ensino religioso e História da quinta série, livros da série “E Agora Você Decide” e cartas de “seu eterno amigo”, cuja amizade não durou mais que uma linha, encontrei algumas coisas que trouxeram aquele calorzinho gostoso no coração.

Há fotos que me dão a certeza de eu estar muito bonita hoje! – comparativamente há anos atrás... Estou um sucesso! Há sobras de minha fase pseudo-típica-adolescente-fã – eu coleciono e jogo fora. Sempre fui assim. O que me lembra que preciso reassistir ao “Adaptação” de Charlie Kaufman. Há, também, provas do alto consumo de Bollycao entre eu e meus irmãos – adesivos, álbuns, brindes... tudo vinha dentro do pacote, junto com os quatro pãezinhos recheados com chocolate. Supernutritivo!

Mas as lembranças mais interessantes aparecem em forma de papel: um bilhete, uma carta e um rascunho de discurso.

O Bruno vai mesmo repetir? Nem sei, mas acho q/ ele só passa por conselho de classe. Então, ele vai ficar pra trás. Não chora. Você vai ter que aprender a viver sem ele. Há Há, eu só perguntei pq ele tá c/ cara de burro. A cara de burro é a mesma de sempre. Ele pra burro só falta asa. (...) Tem um monte de gente para se falar mal, pegue uma. (...) To com fominha! Eu to com fomona. E muito sono.

Minutos depois, encontrei uma carta que, cronologicamente vem antes, mas não tem problema.

Ana,
Muito obrigada pela sua amizade sempre tão sincera, pelas muitas vezes em que você me estendeu sua mão e me emprestou seu ombro.
(...)Acredito que a única razão de eu ter me mudado foi pra te encontrar(...)
Por tudo isso, eu te agradeço do fundo do meu coração e da minha alma.
(...)E quero que você lembre disso; quando estiver triste ou precisando de um amigo saiba que estarei sempre ao seu lado, mesmo que distante estarei lá para você. Nunca irei te abandonar.
Parabéns pelo canudo. Feliz Natal e um ótimo Ano Novo!!!

E mais uma vez Muito Obrigada
Com muito amor,
Gláucia
14/12/200

Vocês podem achar que é só uma carta fofa entre meninas de quatorze anos, mas... Tentem imaginar uma folha com Frajola e Piu-Piu desenhados no canto inferior direito, e todas as palavras escritas uma letra em rosa e a seguinte em dourado (TODAS as palavras!).

Não é só uma carta de uma menina p’ra outra. É algo feito pela Gláucia. É uma daquelas coisas que se eu visse em qualquer lugar, acharia “coisa de menininha”. Mas quando vem da Gláucia... Droga, eu acho lindo!

O que me leva ao rascunho do discurso que fiz à mesa, no jantar de baile de formatura do terceiro ano do ensino médio.

“Ai,... meu... Deus! Putz, ela vai falar de mim. Que fracassada”Você é a mais pura das pessoas que conheço, o mundo é tão bonito quando descrito por você. Você é aquela pessoa que vê beleza nas coisas, aquela que acha tudo bonitinho, fofinho, uma gracinha... Se o mundo tivesse um cagagéssimo da beleza que você tem, eu não seria tão amarga quanto sou. Você faz comentários ótimos, você é engraçada – algo que não é de família, como podemos perceber. Você é inteligente, talentosa e insegura. E por tudo isso, e também por você ser a mais nova defensora de Maringá, eu amo você. P’ra terminar, a já clássica e ainda significativa frase que é só nossa: nunca estamos sozinhos quando sabemos que ocupamos um lugar no coração de alguém

-x-

Puta meu! A primeira vez que te vi, pensei: “Pai Eterno! Essa menina tem tudo que eu mais abomino”. Aí, eu te conheci e não mudei de idéia. Agora falando sério. Eu nunca imaginei que eu fosse ser amiga de alguém tão, tão, tão... Barbie. Mas, quem mandou cuspir p’ra cima? Você é aquele lado desequilibrado que todo mundo tem, só que ao extremo. Você é fresca – mais que eu, você é frágil – mais que eu, você é anti-social – menos que eu, você tem uma coração enorme – muito maior que o meu, e é muito talentosa. E pelo conjunto da obra: eu te amo. Eu nunca quero fazer pacto de sangue com ninguém. Não porque vocês são especiais, mas porque dói muito. Minhas irmãs.


Pois é, tão bobo. Tão pouco. (E tão injusto com a Gláucia! Desculpe, querida!)

Limpar a casa é chato. Esvaziar gavetas é muito chato. Mas ajuda a lembrar.
Lembrar quem éramos, quem passamos a ser (graças a esses pedacinhos de papel e às pessoas que estão neles) e quem queríamos ser. São peças que montam quem quero ser.

Quero o abraço (com grito e tudo) da Gláucia, depois de quase um ano sem nos vermos; dias regidos pela risada de Coca-Cola da Nanda; tardes de “relembrar é viver – e chorar de rir”, seguidas de sonhos com o futuro – do qual não riremos tanto, porque não haverá outros tempos tão ridículos quanto os que deixamos p’ra trás.

Quero noites num playground, olhando as estrelas e ouvindo o mar, enquanto o resto do mundo corre atrás das horas, tentando “aproveitar ao máximo”; quero manhãs, num carro às cinco horas, de relatos de vitórias e fracassos que cabem numa noite – músicas, bebidas, lugares, bocas e línguas; quero tardes no sofá da sala de TV, com conversas interrompidas pelo velho companheiro, o sono da Gláucia.

Quero as estampas de camisetas, os filmes e as vidas que faremos juntas.

Quero a vida com vocês...

Thursday, November 22, 2007

Depois do Sol

Eram três garotos e uma garota.

Era uma vez um garoto que sonhava navegar até o amor. Ele tentou reunir uma tripulação que o ajudasse, pois achava que sabia como seriam as travessias. No entanto, o garoto partiu numa viagem solitária: construiu um barco com suas próprias idéias, o qual direcionava com suas próprias visões, enquanto remava com suas próprias desculpas. Era uma embarcação simples, feita de papel e palavras. Somente o timão era de material diferente: um metal comum, mas que facilmente é confundido com um nobre. Uma pena para o garoto: toda luz que deveria nortear sua jornada, caía sobre seu timão, ofuscando sua visão.

Era uma vez um garoto que cantava e dançava como se ninguém estivesse olhando. Num momento de carência, ele tentou um novo repertório. Não durou uma canção. Mas foi num momento de tristeza que o garoto errou na dança e caiu no passado. Canções e passos que ele já sabia de cor, voz e corpo agindo no automático, só reagindo. Na coreografia repetida tantas vezes, o riso do garoto se desfez.

Era uma vez um garoto que esperava, num passe de mágica, roubar, ou melhor, furtar o coração de uma garota. Mas, infelizmente p’ra ele, num raro momento de pouca sorte, seus truques caíram sobre um muro. A sorte, ainda que pouca, estava no fato de que sobre o muro estava uma garota.

Era uma vez uma garota sentada sobre um muro. Mas não era um muro qualquer, era o seu muro. Mais que isso: um conjunto de paralelepípedos escuros que formavam uma pequena torre. Sentada sobre o muro, a garota olhava para os chãos – o de dentro do muro, de um verde escuro à sombra; e o de fora, verde forte, reflexo do sol – com cara de quem tentava lembrar “onde eu estava mesmo?”. Mas logo desistia, mudava a cara p’ra “fazer o quê, né?” e abraçava seus joelhos. O tempo passava.

Por um tempo os quatro estiveram juntos, planejando uma aventura. Mas ainda eram dois garotos e um garoto e uma garota. Nos planos, eles se preocupavam: “preciso construir meu barco. Bom é que já sei como e já tenho um timão”; “quais canções vou cantar? Quero algo novo... mas as letras antigas não saem da minha cabeça”; “eu vou descer... mas p’ra qual lado?”; “qual é mesmo o truque p’ra manter tudo certo?”.

Num dia de muito sol, a garota se amedrontou. Antes de pular de volta p’ra segurança de sua torre, deu uma olhada: um garoto levantava âncora, partindo com o sol às suas costas; um garoto entoava versos como um robô programado.

Ajoelhada à sombra, com a mão contra o muro, a garota puxou um dos paralelepípedos e pediu, num tom que quase não se escuta: “Eu quero sair, eu vou sair. Eu só preciso de alguns instantes aqui”.

Um garoto: não aplaudiu o número musical e pediu por algo novo; escreveu uma carta com instruções de como conseguir ajuda, fechou-a e lançou-a ao mar; ficou (do ponto de vista da garota, emoldurado como numa micro-tela de cinema) ao lado do muro, treinando seus truques, tentando lembrar aquele que faz tudo voltar a ficar bem...

Thursday, October 11, 2007

As surpresas da vida...

Quem diria, hein?

Saturday, August 11, 2007

Desejo...

... que seus ouvidos estejam sempre cheios de música; seus olhos ocupados com novas descobertas em cada rua; suas mãos distraídas com papéis, canetas e livros; sua cabeça perdida entre os estímulos do ainda alcançar e os sorrisos do já conquistado;

... prazeres dignos de Amélie; o piano de Regina Spektor; as referências em Libertines; os sóis de Turner; as páginas de Dickens;... e quantas horas e dias meus conseguir agüentar!

Feliz aniversário!
Amo você


Ai, que vontade de ir p'ra São Paulo...

Monday, May 21, 2007

Nanda em uma foto

Se eu tivesse que descrever você de uma maneira artística (não original, infelizmente):

Friday, March 23, 2007

PROCURA-SE



Apesar da aparência inocente, esta garota representa grande perigo à sociedade: quando ela some, dá saudade. E muita!

Tuesday, April 25, 2006

Seu presente de aniversário

Uma plaquinha que sobe, um e-mail que chega...

Um dia muito bom, um dia ruim, uma situação engraçada, um embaraço, suas decisões, suas conquistas,... Uma oportunidade de exorcizar alguns de meus demônios, dividir o riso, explicar coisas que não fazem sentido nem mesmo p’ra mim,...

Engraçado como você já faz parte dos meus dias.

É muito bom saber que esse monitor, esses fios, esses chips, essas conexões podem trazer mais do que um turbilhão de informações, distração p’ra cabeça e dores nos olhos. Muito bom encontrar (ou ser encontrada por) alguém que me fez lembrar a leveza de se ter a idade, as reações, as dúvidas que se tem; alguém que tem a mesma tranqüilidade apressada de descobrir e aprender sem negar nossas dificuldades, a mesma pressa tranqüila de conquistar novos horizontes e chegar a novos destinos.

Nós estamos indo!

Em Brasília não há praças, eu não chuto lixo e nem sei assobiar, mas hoje vou sorrir enquanto me sento na grama, cantarolando Beatles e imaginando tudo o que desejo a você.

Saturday, February 18, 2006

Sabadão gostoso...

Dois mil e seis. Fevereiro. Dezoito. Sábado. Que beleza!

Uma daquelas noites em que "vanish into oblivion it's easy to do". So easy! Talvez eu devesse recorrer a Johnny Walker Red também.

Vanishing into oblivion...

Ainda assim, estou empolgada. Na próxima quinta-feira embarco em busca de minha sanidade, em busca de mim mesma. Sempre que perco a direção e me esqueço pelo caminho, sei bem onde me reencontrar. É p'ra lá que estou indo!

Ansiedade. Quero tanto fazer desses dias os melhores que vocês poderão ter ao meu lado que acho que p'ra isso terei que saber falar sobre óperas de Verdi, aprender a sapatear, imitar o Pato Donald e comer 15 cachorrões em dois minutos!

Ahá, já viram o que NÃO farei com vocês, né? Viram, não será tão ruim assim.

...

Deus existe! Dias após escrever aquela bobagem de "SAC divino", encontrei uma música por acaso: John Mayer cantando "Lover, You Should Have Come Over". John Mayer cantando Jeff Buckley num show! O mais interessante é que ele diz que tinha prometido a si mesmo nunca fazer isso. Maior prova que essa só se eu estivesse nesse show. Taí, coisa que nunca vai acontecer, né?

Mick Jagger, seu namorado Keith Richards e os outros dois divertem milhões. John me chama, a gravidade me puxa p'ra baixo. Tento me segurar com o máximo de força possível com meus braços envolta de seu pescoço. Ah, gravidade, leave me be!

Já nem sei se ainda estou escorregando ou se já me acostumei a essa sensação.

Ana Carolina, já disse p'ra você só assistir "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" quando estiver bem!