Quando se limpa gavetas se encontra de tudo.
Entre cédulas de cruzados novos, cartões postais e telefônicos, fotos de pessoas de quem já nem lembro o nome, provas de ensino religioso e História da quinta série, livros da série “E Agora Você Decide” e cartas de “seu eterno amigo”, cuja amizade não durou mais que uma linha, encontrei algumas coisas que trouxeram aquele calorzinho gostoso no coração.
Há fotos que me dão a certeza de eu estar muito bonita hoje! – comparativamente há anos atrás... Estou um sucesso! Há sobras de minha fase pseudo-típica-adolescente-fã – eu coleciono e jogo fora. Sempre fui assim. O que me lembra que preciso reassistir ao “Adaptação” de Charlie Kaufman. Há, também, provas do alto consumo de Bollycao entre eu e meus irmãos – adesivos, álbuns, brindes... tudo vinha dentro do pacote, junto com os quatro pãezinhos recheados com chocolate. Supernutritivo!
Mas as lembranças mais interessantes aparecem em forma de papel: um bilhete, uma carta e um rascunho de discurso.
O Bruno vai mesmo repetir? Nem sei, mas acho q/ ele só passa por conselho de classe. Então, ele vai ficar pra trás. Não chora. Você vai ter que aprender a viver sem ele. Há Há, eu só perguntei pq ele tá c/ cara de burro. A cara de burro é a mesma de sempre. Ele pra burro só falta asa. (...) Tem um monte de gente para se falar mal, pegue uma. (...) To com fominha! Eu to com fomona. E muito sono.
Minutos depois, encontrei uma carta que, cronologicamente vem antes, mas não tem problema.
Ana,
Muito obrigada pela sua amizade sempre tão sincera, pelas muitas vezes em que você me estendeu sua mão e me emprestou seu ombro.
(...)Acredito que a única razão de eu ter me mudado foi pra te encontrar(...)
Por tudo isso, eu te agradeço do fundo do meu coração e da minha alma.
(...)E quero que você lembre disso; quando estiver triste ou precisando de um amigo saiba que estarei sempre ao seu lado, mesmo que distante estarei lá para você. Nunca irei te abandonar.
Parabéns pelo canudo. Feliz Natal e um ótimo Ano Novo!!!
E mais uma vez Muito Obrigada
Com muito amor,
Gláucia
14/12/200
Vocês podem achar que é só uma carta fofa entre meninas de quatorze anos, mas... Tentem imaginar uma folha com Frajola e Piu-Piu desenhados no canto inferior direito, e todas as palavras escritas uma letra em rosa e a seguinte em dourado (TODAS as palavras!).
Não é só uma carta de uma menina p’ra outra. É algo feito pela Gláucia. É uma daquelas coisas que se eu visse em qualquer lugar, acharia “coisa de menininha”. Mas quando vem da Gláucia... Droga, eu acho lindo!
O que me leva ao rascunho do discurso que fiz à mesa, no jantar de baile de formatura do terceiro ano do ensino médio.
“Ai,... meu... Deus! Putz, ela vai falar de mim. Que fracassada”Você é a mais pura das pessoas que conheço, o mundo é tão bonito quando descrito por você. Você é aquela pessoa que vê beleza nas coisas, aquela que acha tudo bonitinho, fofinho, uma gracinha... Se o mundo tivesse um cagagéssimo da beleza que você tem, eu não seria tão amarga quanto sou. Você faz comentários ótimos, você é engraçada – algo que não é de família, como podemos perceber. Você é inteligente, talentosa e insegura. E por tudo isso, e também por você ser a mais nova defensora de Maringá, eu amo você. P’ra terminar, a já clássica e ainda significativa frase que é só nossa: nunca estamos sozinhos quando sabemos que ocupamos um lugar no coração de alguém
-x-
Puta meu! A primeira vez que te vi, pensei: “Pai Eterno! Essa menina tem tudo que eu mais abomino”. Aí, eu te conheci e não mudei de idéia. Agora falando sério. Eu nunca imaginei que eu fosse ser amiga de alguém tão, tão, tão... Barbie. Mas, quem mandou cuspir p’ra cima? Você é aquele lado desequilibrado que todo mundo tem, só que ao extremo. Você é fresca – mais que eu, você é frágil – mais que eu, você é anti-social – menos que eu, você tem uma coração enorme – muito maior que o meu, e é muito talentosa. E pelo conjunto da obra: eu te amo. Eu nunca quero fazer pacto de sangue com ninguém. Não porque vocês são especiais, mas porque dói muito. Minhas irmãs.
Pois é, tão bobo. Tão pouco. (E tão injusto com a Gláucia! Desculpe, querida!)
Limpar a casa é chato. Esvaziar gavetas é muito chato. Mas ajuda a lembrar.
Lembrar quem éramos, quem passamos a ser (graças a esses pedacinhos de papel e às pessoas que estão neles) e quem queríamos ser. São peças que montam quem quero ser.
Quero o abraço (com grito e tudo) da Gláucia, depois de quase um ano sem nos vermos; dias regidos pela risada de Coca-Cola da Nanda; tardes de “relembrar é viver – e chorar de rir”, seguidas de sonhos com o futuro – do qual não riremos tanto, porque não haverá outros tempos tão ridículos quanto os que deixamos p’ra trás.
Quero noites num playground, olhando as estrelas e ouvindo o mar, enquanto o resto do mundo corre atrás das horas, tentando “aproveitar ao máximo”; quero manhãs, num carro às cinco horas, de relatos de vitórias e fracassos que cabem numa noite – músicas, bebidas, lugares, bocas e línguas; quero tardes no sofá da sala de TV, com conversas interrompidas pelo velho companheiro, o sono da Gláucia.
Quero as estampas de camisetas, os filmes e as vidas que faremos juntas.
Quero a vida com vocês...
Entre cédulas de cruzados novos, cartões postais e telefônicos, fotos de pessoas de quem já nem lembro o nome, provas de ensino religioso e História da quinta série, livros da série “E Agora Você Decide” e cartas de “seu eterno amigo”, cuja amizade não durou mais que uma linha, encontrei algumas coisas que trouxeram aquele calorzinho gostoso no coração.
Há fotos que me dão a certeza de eu estar muito bonita hoje! – comparativamente há anos atrás... Estou um sucesso! Há sobras de minha fase pseudo-típica-adolescente-fã – eu coleciono e jogo fora. Sempre fui assim. O que me lembra que preciso reassistir ao “Adaptação” de Charlie Kaufman. Há, também, provas do alto consumo de Bollycao entre eu e meus irmãos – adesivos, álbuns, brindes... tudo vinha dentro do pacote, junto com os quatro pãezinhos recheados com chocolate. Supernutritivo!
Mas as lembranças mais interessantes aparecem em forma de papel: um bilhete, uma carta e um rascunho de discurso.
O Bruno vai mesmo repetir? Nem sei, mas acho q/ ele só passa por conselho de classe. Então, ele vai ficar pra trás. Não chora. Você vai ter que aprender a viver sem ele. Há Há, eu só perguntei pq ele tá c/ cara de burro. A cara de burro é a mesma de sempre. Ele pra burro só falta asa. (...) Tem um monte de gente para se falar mal, pegue uma. (...) To com fominha! Eu to com fomona. E muito sono.
Minutos depois, encontrei uma carta que, cronologicamente vem antes, mas não tem problema.
Ana,
Muito obrigada pela sua amizade sempre tão sincera, pelas muitas vezes em que você me estendeu sua mão e me emprestou seu ombro.
(...)Acredito que a única razão de eu ter me mudado foi pra te encontrar(...)
Por tudo isso, eu te agradeço do fundo do meu coração e da minha alma.
(...)E quero que você lembre disso; quando estiver triste ou precisando de um amigo saiba que estarei sempre ao seu lado, mesmo que distante estarei lá para você. Nunca irei te abandonar.
Parabéns pelo canudo. Feliz Natal e um ótimo Ano Novo!!!
E mais uma vez Muito Obrigada
Com muito amor,
Gláucia
14/12/200
Vocês podem achar que é só uma carta fofa entre meninas de quatorze anos, mas... Tentem imaginar uma folha com Frajola e Piu-Piu desenhados no canto inferior direito, e todas as palavras escritas uma letra em rosa e a seguinte em dourado (TODAS as palavras!).
Não é só uma carta de uma menina p’ra outra. É algo feito pela Gláucia. É uma daquelas coisas que se eu visse em qualquer lugar, acharia “coisa de menininha”. Mas quando vem da Gláucia... Droga, eu acho lindo!
O que me leva ao rascunho do discurso que fiz à mesa, no jantar de baile de formatura do terceiro ano do ensino médio.
“Ai,... meu... Deus! Putz, ela vai falar de mim. Que fracassada”Você é a mais pura das pessoas que conheço, o mundo é tão bonito quando descrito por você. Você é aquela pessoa que vê beleza nas coisas, aquela que acha tudo bonitinho, fofinho, uma gracinha... Se o mundo tivesse um cagagéssimo da beleza que você tem, eu não seria tão amarga quanto sou. Você faz comentários ótimos, você é engraçada – algo que não é de família, como podemos perceber. Você é inteligente, talentosa e insegura. E por tudo isso, e também por você ser a mais nova defensora de Maringá, eu amo você. P’ra terminar, a já clássica e ainda significativa frase que é só nossa: nunca estamos sozinhos quando sabemos que ocupamos um lugar no coração de alguém
-x-
Puta meu! A primeira vez que te vi, pensei: “Pai Eterno! Essa menina tem tudo que eu mais abomino”. Aí, eu te conheci e não mudei de idéia. Agora falando sério. Eu nunca imaginei que eu fosse ser amiga de alguém tão, tão, tão... Barbie. Mas, quem mandou cuspir p’ra cima? Você é aquele lado desequilibrado que todo mundo tem, só que ao extremo. Você é fresca – mais que eu, você é frágil – mais que eu, você é anti-social – menos que eu, você tem uma coração enorme – muito maior que o meu, e é muito talentosa. E pelo conjunto da obra: eu te amo. Eu nunca quero fazer pacto de sangue com ninguém. Não porque vocês são especiais, mas porque dói muito. Minhas irmãs.
Pois é, tão bobo. Tão pouco. (E tão injusto com a Gláucia! Desculpe, querida!)
Limpar a casa é chato. Esvaziar gavetas é muito chato. Mas ajuda a lembrar.
Lembrar quem éramos, quem passamos a ser (graças a esses pedacinhos de papel e às pessoas que estão neles) e quem queríamos ser. São peças que montam quem quero ser.
Quero o abraço (com grito e tudo) da Gláucia, depois de quase um ano sem nos vermos; dias regidos pela risada de Coca-Cola da Nanda; tardes de “relembrar é viver – e chorar de rir”, seguidas de sonhos com o futuro – do qual não riremos tanto, porque não haverá outros tempos tão ridículos quanto os que deixamos p’ra trás.
Quero noites num playground, olhando as estrelas e ouvindo o mar, enquanto o resto do mundo corre atrás das horas, tentando “aproveitar ao máximo”; quero manhãs, num carro às cinco horas, de relatos de vitórias e fracassos que cabem numa noite – músicas, bebidas, lugares, bocas e línguas; quero tardes no sofá da sala de TV, com conversas interrompidas pelo velho companheiro, o sono da Gláucia.
Quero as estampas de camisetas, os filmes e as vidas que faremos juntas.
Quero a vida com vocês...

2 comments:
Ah... Enfim a arrumação de gavetas foi completada!
Quanta coisa p'ra contar, garotinha... Posso te ouvir dizer "muita saudade nesse corpo"! :p
Beijos...
P.S.: Só p'ra não esquecer e registrar que você, de fato, é uma mulher muito bonita. ;-)
:~~~~
Chorei lendo (exagero).
Estamos com saudades de tu, Tatu! :D
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