Friday, December 12, 2008
Um dos melhores que já vi
Estou com vontade de algo macanudo


Wednesday, December 10, 2008
Acabou
Vou tentar resumir como foi o momento:
Wednesday, November 12, 2008
Ars longa, vita brevis est
xo
ingrid"
Thursday, October 30, 2008
Novo CEP, novas e velhas questões
Esvaziar armários, gavetas; colocar roupas em malas; embrulhar objetos com papel bolha; encaixotar livros, CDs, DVDs;... Carregar caixas e malas andares abaixo, carro adentro, andares acima;... A mudança vem, demora a ir embora, e aproveita cada segundo para esgotar suas energias.
Mas, o cansaço passa. O pior da mudança é ver em quantas caixas sua vida cabe.
Seus livros, os diários que você nunca escreveu. Os CDs que cantam: sua adolescência, seu primeiro passo sozinha, o dia em que você encontrou companhia. Os filmes que permitem que você viva três vezes, as vidas que você nunca terá mas que, ainda assim, não vai desistir de procurar.
Tudo o que você tem, tudo o que é precioso p’ra você reduzido a um empilhamento de cubos de papelão num canto do seu novo cômodo.
O novo cômodo...
Se o antigo, mesmo depois de quase quarenta meses, não dava sensação de “meu refúgio”, um lugar novo tem menos chances ainda. Não por ser novo – não é problema com novidades. É só que... O quarto é frio, no sentido figurado, e absurdamente quente, no sentido “pelamor, um ventilador urgente!”.
Um verso de “The Chain” (linda música!) de Ingrid Michaelson define bem o quarto: “My room seems wrong, the bed won’t fit”. É aqui que estou. Aqui estarei pelos próximos meses. Quantos serão... não posso/quero pensar nisso agora...
Wednesday, October 08, 2008
Saturday, October 04, 2008
Um clássico re"paginado"
E quem nunca se "googleou"?
Friday, October 03, 2008
Tegan or Sara - Who's songs do you prefer?
You prefer Tegan's songs. (Oh, chocante, não?) :oP
Agora, vamos às características. Com grifos meus.
You're a risk taker and enjoy living in the fast lane. You're passionate, idealistic and optimistic and enjoy life everyday. You easely get restless and impatient. You're moody and quickly shift between being happy, goofy, upset, sad, angry, tired... And you have no trouble letting people know how you feel at any time.
You easely fall in - and out of - love and get crushes all the time. You like to shower your partner (and other loved ones) with gifts and attention. They love you for your generosity and unselfishness, your creativity and your ability to make them laugh.
Facts:
- Tegan tends to write with more metaphors, and her voice is throatier.
- Sara tends to write more emotionally, and her voice is higher pitched.
- Tegan tends to write more and be more lenient with what happens to her songs.
- Sara says she has visions for her songs and so therefore writes less and is less lenient with them.
- Sara has been quoted saying that Tegan writes songs prolifically, "like a fish lays eggs," eventually discarding most of them.
- Sara's songs evolve slowly and methodically and almost always make it onto the record.
Como posso ser "laid back" e ficar "restless" com facilidade?! Ai, ai... Se tivesse paciência p'ra isso, começaria uma auto-análise que me levaria a um crise de identidade, mas... Como disse Ellen Degeneres: "Procrastinate now, don't put it off."
Friday, September 19, 2008
Opa!

Ok, era só que eu ainda tinha esperanças de poder mostrar a tal foto num vídeo, ou encarte de CD, ou... Neh, não vai acontecer, né?
Monday, September 15, 2008
O tal do vídeo
"Congratulations!! We love your photo and not only are we considering it
for the video, but we have chosen it to possibly be included in the
artwork for Ingrid’s new CD. "
E não é que o vídeo foi feito sem foto alguma?!
Mas, mesmo com a frustação da não participação, achei o vídeo muito bom! E a música é ótima!
Ingrid Michaelson BE OK
Monday, August 18, 2008
Friday, August 01, 2008
Já pensou em aparecer num clip?
Monday, July 14, 2008
Personalidades (virtuais) múltiplas
Explico: deixarei este blog, meu grito em silêncio, para minha pseudo-literatura e divagações sobre o mesmo tema de sempre (às vezes, até consigo disfarçar, não? Não, né? Eu sei...) - eu. E o novo será dedicado a temas que, imagino, são mais interessantes. Filmes, músicas, fotografias, lugares,... Temas mais palpéveis, por assim dizer.
Assim, vocês têm uma chance a mais para escolher, dentre o que escrevo, o que ler (a primeira chance é, a óvbia, não acessar meus blogs).
Espero que... Bleh, que eu não desista dos dois.
Quem sabe as papilas não sejam só as minhas? Vocês são bem vindos a opinar bastante.
Thursday, July 10, 2008
É hoje
Dez de julho. Dia de comemorar. Mas... é triste.
Você está em todas as cidades que vou, em todos os lugares. Em vários momentos, sinto seu cheiro atravessando o ar a minha volta. Além disso, há fotos, ilustrações, balcões, cardápios,... Tudo me faz ter vontade de você!
Quero você. Quero sentir seu cheiro e seu gosto me inebriando aos poucos. Quero lhe morder devagar e sentir você entre meus dentes. Quero me saciar de você!
Tuesday, July 01, 2008
Tão depois de pouco depois de depois do Sol
O garoto começou uma viagem que levaria seus truques p’ra longe. E a garota voltou p’ra sua torre. O buraco que há pouco emoldurava um jardim dançante agora exibia em sua tela o garoto se afastar num grande pássaro branco. A garota ficou. Assistindo. Até que pássaro deixou de ser um minúsculo ponto e desapareceu – como se fosse mais um truque.
Dentro da torre, a garota tinha dificuldade em manter as canções soando. Ela se mexia tanto que o som mais alto era sua inquietação. As flores dançavam numa mistura de recordação e medo: mesmo soando baixo agora, na lembrança as canções ainda tinham volume alto; mas será que demorariam a voltar a ser mais que lembrança?
A garota olhava para as flores e sentia preguiça de dançar. Preguiça não, desânimo. Não queria que o jardim ficasse quieto, só queria ela mesma ficar. Sentou-se no chão, abraçou seus joelhos, como de costume, e desejou que houvesse mais para abraçar do que suas próprias pernas.
Cansada de olhar para a tela vazia, deitou-se junto às flores e tentou não pensar no quase silêncio. Olhava para o chão e para os caules tão verdes que se mexiam num ritmo agradável. A garota sorriu: as canções ainda soavam, no eco protegido pelos paralelepípedos da sua torre.
Sem se esticar muito, a garota levou sua mão à parede. Não havia o frio de pedra, mas um tremor ritmado e quente – mais um truque do garoto, ela teve certeza.
Sunday, June 01, 2008
E aí, você cresceu um Troy ou um Goonie?
In the case of The Goonies, a band of awkward, socially outcast kids set off to find a buried treasure, narrowly averting almost certain death and outrunning, among others, a popular high school jock named Troy. Troy is one of the classic cinematic archetypes of the 1980s; the jock. He's good looking, rocks a period-relative badass Mustang convertible, and he's a total prick. All we can do from the moment Troy enters the frame is to wait with baited breath to see Troy lose and the Goonies win.
And in that end, back in 1985 when the underdogs had their day, (and their bag of jewels), and the final credits rolled and we called our parents for a ride home, we realized something fantastic: It's true, we weren't Troy. But for the first time, thanks to The Goonies, we no longer wanted to be Troy. It was okay to be us, thank you very much.
Cut to present day.
What happened to the better part of a generation that once walked out of their local theater rooting for the Mikeys and Chunks and Datas of the world? They've turned into Troys. Troys who can't accept the differences in others and condemn the things they don't understand. Finger-pointing, shit-talking Troys.
Ask yourself: with whom do you identify more these days, Troy or the Goonies? And if you're reading this and you happen to be an Internet shit-talker, could it be because you think I'm Troy? Because honest to God, I've always fancied myself a Goonie; the underdog who toppled over the narrow-minded naysayers and walked away with a treasure.
So maybe this whole thing is one big misunderstanding and it turns out we don't need to go down as a generation remembered as having spent the '00s wearing our asses like hats after all. Maybe it will turn out that we needed a little time to figure out that in the end we're all just a bunch of Goonies."
Texto de John Mayer
Tuesday, May 20, 2008
Friday, May 02, 2008
Pois, relembrairi, é viveiri, pá!
Memória vai, lembranças vêm,... Acabei por voltar a isso:
Eu Gosto É do Verão - dos Fúria do Açúcar
Pois é, sorte de vocês eu não ter encontrado um vídeo para Canguru dos Porquinhos da Ilda...
O tio Ramalho
Tem ar de paspalho
O avô Anacleto
Tem problemas no recto
A avó Mariana
Está com uma bezana
O primo Silvestre
Tem cara de extra-terrestre
A prima Amália
Fugiu para a Austrália
Casou com um gabiru
Deu à luz um canguru
Ah! Uh um canguru
Ah Uh Ah Uh
Canguru, diz-me tu
Quantos pelos tens tu
No nariz, canguru
Fugi duma ambulância
A caminho do hospital
Peguei na minha prancha
E surfei p'ro Senegal
Cheguei ao Senegal
Não haviam aviões
Peguei na minha prancha
E surfei p'ros Camarões
Cheguei aos Camarões
E vi la um urubu
E o urubu é só
P'ra rimar com o canguru
Ah! Uh um canguru
Ah Uh Ah Uh
Canguru, diz-me tu
Quantos pelos tens tu
No nariz, canguru
Tuesday, April 22, 2008
Ficarei no escuro até julho...
Tuesday, April 08, 2008
Mallu Magalhães - Once upon a time there was a flying cat
Video by Tunico
Laughs and "Uhuuu" by... Sim, eu!
Saturday, March 08, 2008
Pouco depois de depois do Sol
O garoto continuava a fazer seus truques, agora já mais calmo – já não tão convencido de que fosse sua a responsabilidade de deixar tudo certo. Cada carta tirada do baralho vinha seguida por um sorriso da garota, que começava a se sentir como uma assistente.
Ela acabou por descer do muro para o lado de fora, mas não se afastou de sua torre: continua sentada abraçada aos seus joelhos e tem as costas apoiadas pelo quente – tempos atrás frio – contato com alguns paralelepípedos. Até mesmo para participar dos truques do garoto ela não perde o toque das pedras. Estica, o quanto for necessário, um braço e puxa uma carta. Aliás, quando é preciso esticar os dois braços ela chega a hesitar, curvada sob a força da insegurança.
Mas ainda assim, com o garoto sentindo o peso das responsabilidades a mais e a garota com a sensação de que há excesso de ar sem um maior bloqueio de sua torre, eles seguem com os truques e os sorrisos. Os dias passam fáceis e a grama em torno deles parece ilhá-los da chuva que cai e deixa ensopados os humores.
Ao menos era essa a impressão que a garota tinha. O garoto faz o que pode p’ra não deixar o cinza chegar. Ele preenche os dias dela com truques que ela nunca antes tinha visto. E não são só feitos com cartas. Aliás, seus preferidos não envolvem muita coisa: um pouco mais que palavras.
A garota esperava ansiosa pelos momentos em que as manhãs começavam, as tardes se encurtavam e as noites se dissolviam nas palavras que eles trocavam. O garoto sentava ao seu lado (às vezes chegava a, também, se apoiar na torre da garota) e a conversa percorria o curto caminho de sua miopia. E as mãos da garota, por vezes, soltavam seus joelhos, p’ra encontrar os dele.
O garoto parecia falar em versos. Suas palavras, ainda que nem sempre rimadas, pareciam formar poemas. Ou melhor, canções. E enquanto falava, o garoto realizava mais um de seus truques: uma pauta surgia diante de seu rosto, como se por efeito especial, e levava em suas notas as sílabas ditas por ele. A garota seguia a música diante de seus olhos como uma criança que vê, pela primeira vez, uma roda-gigante: num quase equilíbrio entre o medo que afasta e o encanto que atrai.
Em resposta, o garoto ouvia as palavras da garota, que soavam como se tivessem absorvido o frio anterior da torre. Ou, pelo menos, era como ele as sentia. Palavras fora de pauta, sem melodia ou tom próprio. Era o que ele via sair da garota: palavras e sorrisos vacilantes e gestos inseguros, que pouco saíam de sua zona de segurança.
Mas não era só isso que ela lhe dava.
Por dias, a garota pensou. Já não suportava ver os olhos do garoto à procura de algo além de suas palavras. Queria mostrar algo, encher seus olhos. Mas... o quê?! Não adiantava tentar fazer truques – ela sabe que não tem talento p’ra eles. Além disso, não acredita em gestos repetidos. Somente após alguns dias de relutância, a garota cedeu a sua coragem.
Era uma manhã daquelas que luta p’ra ficar clara. A garota respirou fundo, levantou e se afastou do muro: só por alguns segundos! Correu até o garoto e, o acordando, puxou-o pela mão até a torre. Sem dizer uma palavra, ela apontou para um espaço vazio, do qual um paralelepípedo fora tirado. Não muito seguro do que ia ver, o garoto aproximou seu rosto...
protegido pelo muro, um pequeno jardim florido, no qual todas as flores dançavam ao som das canções que só o garoto entoava.
Friday, February 29, 2008
10 - Wheel
Aliás, havia chovido por alguns minutos. A grama deixava escapar o cheiro da terra molhada sob si, enquanto as nuvens davam ao sol apenas uma fresta para seu “adeus... até amanhã”. Alguns pingos de água resistiam em algumas tiras de madeira. Mas só nas que formavam o assento do banco, pois as que formavam o encosto já estavam secas após tantos deslizes de dedos.
A garota tinha visto o dia começar, o orvalho subir, o sol atingir o meio-dia, a chuva cair e cessar, e um vento suave ir e voltar algumas vezes. Agora, ela via o sol se render ao apelo da lua: a noite chegava. O ar estava um pouco frio, mas não tanto quanto os tecidos que a garota usava. Jeans, meias, camiseta e moletom molhados. Seu capuz verde nunca esteve tão pesado.
Era um meio tom entre a grama e as tiras de madeira. A garota achava engraçado: era uma quase camuflagem, mas sem chegar a misturá-la à paisagem. Mas ainda que a misturasse, o tanto que se mexia arruinaria o disfarce. Ah, a inquietação dos que querem ser encontrados...
E lá estava a garota. Encolhida atrás de um banco, sem conseguir uma posição que não incomodasse seu corpo: suas pernas doíam; suas costas já reuniam suas últimas forças para se manterem eretas; assim como seu pescoço parecia querer desistir de agüentar o peso da cabeça (aumentado pela água no capuz e no cabelo); sua testa e seus dedos já sentiam a textura da madeira mesmo quando não a tocavam. O único que parecia um pouco descansado era seu braço esquerdo que, agora, repousava sobre a mochila também úmida.
Ao contrário, seus olhos eram os mais cansados. Não só por causa dos movimentos de um lado para o outro mas, principalmente, por serem eles os que viam cada uma das pernas apressadas, cada um dos pés arrastados, todas as cabeças distraídas, os braços sincronizados que passavam sem notá-la. Todos os olhos que não pousavam nos seus.
Quando a luz do dia enfraqueceu, finalmente, os olhos passaram seu posto para os ouvidos; e uma nova vigília começou. Cada galho caído e pisado era uma expectativa... logo frustrada. A falta de luz veio acompanhada da falta de movimento, e o estalar das tiras de madeira se comprimindo era o que os ouvidos alcançavam.
A ausência de outro som deixou a garota ansiosa pelo novo dia – quem sabe ele não traria fim à espera? – com seus sons que a noite não tem. E ali a garota, que entrou numa brincadeira de esconde-esconde sem saber onde fica o pique e quem mais está brincando, ficou. Rendida ao cansaço, deitada na grama já menos molhada, com sua mochila fazendo as vezes de travesseiro, e acalentada pelo canto dos pássaros que soava em sua cabeça:
Friday, February 15, 2008
Wednesday, February 13, 2008
Terrorismo é uma coisa, estupidez é outra
Como é evidente, só um terrorista muito estúpido é que vem exercer a profissão para cá. Com a vigilância que existe, hoje em dia, nos aeroportos, os terroristas só podem entrar no País de carro. E vir andar de carro para as nossas estradas
é das decisões mais obtusas que uma pessoa pode tomar. É verdade
que eles são suicidas, mas não exageremos. Vai uma grande diferença entre ser suicida e ser burro.
Por outro lado, os terroristas que tiverem a infeliz ideia de entrar no País terão de construir a bomba cá. Não se faz uma viagem Paquistão-Portugal com um engenho explosivo debaixo do braço. Há que ir a uma loja comprar peças. E é aqui que as chatices começam. «Esta peça, só mandando vir do estrangeiro, chefe. Daqui a duas semanas mete-se o Carnaval, por isso agora só em Março.»
Se o explosivo levar combustível, pior ainda. Eles que vejam o preço a que está a nossa gasolina, a ver se continua a apetecer-lhes rebentar coisas. É muito fácil apanhar terroristas em Portugal. São os tipos de turbante que estão nas bombas da Galp a chorar. Os que lá andam a chorar sem turbante somos nós.
E depois temos as contingências inerentes a uma actividade tão perigosa como é o fabrico de um engenho explosivo. O terrorista corre inúmeros riscos, o maior dos quais é ir parar a um hospital português. Basicamente, o sistema de saúde português oferece-lhe três hipóteses: pode morrer no caminho, pode morrer na sala de espera e pode morrer já dentro do hospital. É certo que o esperam 71 virgens no Paraíso, mas aposto que, para morrer num hospital português, o terrorista fica em lista de espera até as virgens serem septuagenárias, altura em que a virgindade perde muito do seu encanto.
Quando, finalmente, os terroristas conseguem reunir condições para construir a bomba, o prédio que tinham planeado mandar pelos ares já explodiu há dois meses, ou por mau funcionamento da canalização do gás, ou porque o esquentador de quatro ou cinco condóminos está instalado na casa de banho. Portugal pode ser um bom destino turístico, mas para fazer terrorismo não tem condições nenhumas.
Friday, February 01, 2008
Gavetas - ou poços de desejos
Entre cédulas de cruzados novos, cartões postais e telefônicos, fotos de pessoas de quem já nem lembro o nome, provas de ensino religioso e História da quinta série, livros da série “E Agora Você Decide” e cartas de “seu eterno amigo”, cuja amizade não durou mais que uma linha, encontrei algumas coisas que trouxeram aquele calorzinho gostoso no coração.
Há fotos que me dão a certeza de eu estar muito bonita hoje! – comparativamente há anos atrás... Estou um sucesso! Há sobras de minha fase pseudo-típica-adolescente-fã – eu coleciono e jogo fora. Sempre fui assim. O que me lembra que preciso reassistir ao “Adaptação” de Charlie Kaufman. Há, também, provas do alto consumo de Bollycao entre eu e meus irmãos – adesivos, álbuns, brindes... tudo vinha dentro do pacote, junto com os quatro pãezinhos recheados com chocolate. Supernutritivo!
Mas as lembranças mais interessantes aparecem em forma de papel: um bilhete, uma carta e um rascunho de discurso.
O Bruno vai mesmo repetir? Nem sei, mas acho q/ ele só passa por conselho de classe. Então, ele vai ficar pra trás. Não chora. Você vai ter que aprender a viver sem ele. Há Há, eu só perguntei pq ele tá c/ cara de burro. A cara de burro é a mesma de sempre. Ele pra burro só falta asa. (...) Tem um monte de gente para se falar mal, pegue uma. (...) To com fominha! Eu to com fomona. E muito sono.
Minutos depois, encontrei uma carta que, cronologicamente vem antes, mas não tem problema.
Ana,
Muito obrigada pela sua amizade sempre tão sincera, pelas muitas vezes em que você me estendeu sua mão e me emprestou seu ombro.
(...)Acredito que a única razão de eu ter me mudado foi pra te encontrar(...)
Por tudo isso, eu te agradeço do fundo do meu coração e da minha alma.
(...)E quero que você lembre disso; quando estiver triste ou precisando de um amigo saiba que estarei sempre ao seu lado, mesmo que distante estarei lá para você. Nunca irei te abandonar.
Parabéns pelo canudo. Feliz Natal e um ótimo Ano Novo!!!
E mais uma vez Muito Obrigada
Com muito amor,
Gláucia
14/12/200
Vocês podem achar que é só uma carta fofa entre meninas de quatorze anos, mas... Tentem imaginar uma folha com Frajola e Piu-Piu desenhados no canto inferior direito, e todas as palavras escritas uma letra em rosa e a seguinte em dourado (TODAS as palavras!).
Não é só uma carta de uma menina p’ra outra. É algo feito pela Gláucia. É uma daquelas coisas que se eu visse em qualquer lugar, acharia “coisa de menininha”. Mas quando vem da Gláucia... Droga, eu acho lindo!
O que me leva ao rascunho do discurso que fiz à mesa, no jantar de baile de formatura do terceiro ano do ensino médio.
“Ai,... meu... Deus! Putz, ela vai falar de mim. Que fracassada”Você é a mais pura das pessoas que conheço, o mundo é tão bonito quando descrito por você. Você é aquela pessoa que vê beleza nas coisas, aquela que acha tudo bonitinho, fofinho, uma gracinha... Se o mundo tivesse um cagagéssimo da beleza que você tem, eu não seria tão amarga quanto sou. Você faz comentários ótimos, você é engraçada – algo que não é de família, como podemos perceber. Você é inteligente, talentosa e insegura. E por tudo isso, e também por você ser a mais nova defensora de Maringá, eu amo você. P’ra terminar, a já clássica e ainda significativa frase que é só nossa: nunca estamos sozinhos quando sabemos que ocupamos um lugar no coração de alguém
-x-
Puta meu! A primeira vez que te vi, pensei: “Pai Eterno! Essa menina tem tudo que eu mais abomino”. Aí, eu te conheci e não mudei de idéia. Agora falando sério. Eu nunca imaginei que eu fosse ser amiga de alguém tão, tão, tão... Barbie. Mas, quem mandou cuspir p’ra cima? Você é aquele lado desequilibrado que todo mundo tem, só que ao extremo. Você é fresca – mais que eu, você é frágil – mais que eu, você é anti-social – menos que eu, você tem uma coração enorme – muito maior que o meu, e é muito talentosa. E pelo conjunto da obra: eu te amo. Eu nunca quero fazer pacto de sangue com ninguém. Não porque vocês são especiais, mas porque dói muito. Minhas irmãs.
Pois é, tão bobo. Tão pouco. (E tão injusto com a Gláucia! Desculpe, querida!)
Limpar a casa é chato. Esvaziar gavetas é muito chato. Mas ajuda a lembrar.
Lembrar quem éramos, quem passamos a ser (graças a esses pedacinhos de papel e às pessoas que estão neles) e quem queríamos ser. São peças que montam quem quero ser.
Quero o abraço (com grito e tudo) da Gláucia, depois de quase um ano sem nos vermos; dias regidos pela risada de Coca-Cola da Nanda; tardes de “relembrar é viver – e chorar de rir”, seguidas de sonhos com o futuro – do qual não riremos tanto, porque não haverá outros tempos tão ridículos quanto os que deixamos p’ra trás.
Quero noites num playground, olhando as estrelas e ouvindo o mar, enquanto o resto do mundo corre atrás das horas, tentando “aproveitar ao máximo”; quero manhãs, num carro às cinco horas, de relatos de vitórias e fracassos que cabem numa noite – músicas, bebidas, lugares, bocas e línguas; quero tardes no sofá da sala de TV, com conversas interrompidas pelo velho companheiro, o sono da Gláucia.
Quero as estampas de camisetas, os filmes e as vidas que faremos juntas.
Quero a vida com vocês...
Tuesday, January 22, 2008
Confissão .1
O mais estranho em relação a esse dia é que ele só entrou na minha memória, só foi adicionado aos arquivos de minha lembranças quando eu me forcei a lembrá-lo, dias depois. Quando percebi que havia uma lacuna. Faltavam todo um dia e algumas horas antes e depois dele.
Eu sabia qual era o dia e, mais, eu sabia o que eu tinha feito. Eu a tinha matado. Sabia até como – estrangulada com um cadarço vermelho. Mas não me lembrava. Fechava os olhos e não conseguia me ver apertando o fio cor-sangue. Muito menos enxergava o porquê de tê-lo feito.
Foi quando meu irmão quis me provocar, “Aproveita e leva o seu cadarço p’ra polícia examinar”, que senti meu coração chegar ao estômago. A culpa vinha doendo fraca, mas as palavras dele (que nem sabia que havia acertado) me fizeram achar a lacuna e, nela, a culpa cresceu.
Eu precisava lembrar, precisava saber o que havia me levado a matar aquela garota. Aquela que nem sei quem era.
O prédio em formato de L, com suas paredes revestidas com pastilhas onduladas, num tom de amarelo anêmico. À noite, o lugar tinha ainda menos vida. A iluminação era digna de cena de reconstituição de crime em seriados investigativos. Ao invés do concreto frio, o pátio tinha areia misturada com terra – não sei como ou por quê.
Eu sabia dizer quem havia estado ali horas antes conosco, ainda tinha seus rostos na lembrança tão recente e me sentia indiferente a eles. Eu estava com ela. Quem era ela afinal? Ela que caminhava comigo, no escuro e no silêncio, pelas minhas lembranças. Mesmo sem tê-las vivido, ela se lembrava comigo. E o silêncio que ajudava a manter tornava desnecessárias as palavras.
Caminhávamos sem precisar combinar a direção. Estávamos em sincronia e em paz. Isso foi o mais difícil em meu ato de lembrar esse dia: lembrar do sossego que havia entre nós, e saber que em poucos minutos ele seria quebrado. Junto com o sopro de alegria que saía daquela moça e chegava até mim.
A linha que nos unia se estreitou num nó ainda mais forte: nos demos as mãos. Nossos dedos se entrelaçaram com tal força que eu sentia o sangue pulsando em sua veia, entre sua pele e um dos metacarpos. Como se já não estivéssemos numa cena clichê o suficiente, sorríamos como numa propaganda de margarina.
E foi com alguma frase boba como essa, que fazia piada da nossa situação, que a trouxe p’ra ainda mais perto de mim. Começou assim uma seqüência de tapinhas e empurrões. Por um tempo, foram golpes limitados, já que cada uma só tinha uma mão disponível. Mas não demorou muito até que ela soltasse minha mão para poder acertar um golpe mais eficiente.
Com um tapa, um movimento de pernas e um sorriso enorme, ela me derrubou sobre ela, na terra. O chão era fofo e o ar a nossa volta ficava mais denso, com grãos de areia pulando e caindo a cada novo golpe que dávamos uma na outra. Na verdade, golpe já não explica bem. Caídas sob a areia, nos mexíamos numa mistura de brincadeira infantil e desejo ainda não experimentado.
Seus cabelos longos balançavam como se não estivessem pesados, com areia e terra. Seu sorriso era de quem incentiva e provoca. Suas mãos brincavam de prender-querendo-soltar as minhas. E todo seu corpo se mexia ditando o ritmo do meu. Nós duas sabíamos que o momento do beijo se aproximava, e não sentíamos vontade de apressá-lo. Ele aconteceria.
Mas não foi assim.
A lacuna ainda existe, e toma forma de precipício. Para onde o ar escorrega, me deixando sufocada.
Perco o ar, como a fiz perder também. Não lembro do cadarço saindo de meu bolso, nem de seus olhos pedindo p’ra que eu parasse. Nem sequer lembro como passamos de pernas entrelaçadas, para nó no pescoço.
Algo borrado, sobre um arranhão acidental, surge em minha visão. Mas não consigo acreditar que foi isso que me moveu. Eu a matei. E não sei por quê.
Aperto entre os dedos de minha mão, em meu bolso, o pedaço de linhas vermelhas. Tudo o que sinto são essas linhas, a falta de ar e a culpa. A certeza de não ser descoberta amplifica tudo isso.
Abro meus olhos para a claridade do dia. Só ela pode trazer luz ao precipício...







