O sol já se despedia de mais um dia e ela ainda passeava seus olhos ora pelo espaço entre as tiras de madeira, ora pelos seus dedos há muito dobrados sobre o toque da madeira, ora pela própria madeira. Pelo menos, era de um tom verde escuro pintado e não aquele marrom, que mesmo molhado, faz pensar em dias secos.
Aliás, havia chovido por alguns minutos. A grama deixava escapar o cheiro da terra molhada sob si, enquanto as nuvens davam ao sol apenas uma fresta para seu “adeus... até amanhã”. Alguns pingos de água resistiam em algumas tiras de madeira. Mas só nas que formavam o assento do banco, pois as que formavam o encosto já estavam secas após tantos deslizes de dedos.
A garota tinha visto o dia começar, o orvalho subir, o sol atingir o meio-dia, a chuva cair e cessar, e um vento suave ir e voltar algumas vezes. Agora, ela via o sol se render ao apelo da lua: a noite chegava. O ar estava um pouco frio, mas não tanto quanto os tecidos que a garota usava. Jeans, meias, camiseta e moletom molhados. Seu capuz verde nunca esteve tão pesado.
Era um meio tom entre a grama e as tiras de madeira. A garota achava engraçado: era uma quase camuflagem, mas sem chegar a misturá-la à paisagem. Mas ainda que a misturasse, o tanto que se mexia arruinaria o disfarce. Ah, a inquietação dos que querem ser encontrados...
E lá estava a garota. Encolhida atrás de um banco, sem conseguir uma posição que não incomodasse seu corpo: suas pernas doíam; suas costas já reuniam suas últimas forças para se manterem eretas; assim como seu pescoço parecia querer desistir de agüentar o peso da cabeça (aumentado pela água no capuz e no cabelo); sua testa e seus dedos já sentiam a textura da madeira mesmo quando não a tocavam. O único que parecia um pouco descansado era seu braço esquerdo que, agora, repousava sobre a mochila também úmida.
Ao contrário, seus olhos eram os mais cansados. Não só por causa dos movimentos de um lado para o outro mas, principalmente, por serem eles os que viam cada uma das pernas apressadas, cada um dos pés arrastados, todas as cabeças distraídas, os braços sincronizados que passavam sem notá-la. Todos os olhos que não pousavam nos seus.
Quando a luz do dia enfraqueceu, finalmente, os olhos passaram seu posto para os ouvidos; e uma nova vigília começou. Cada galho caído e pisado era uma expectativa... logo frustrada. A falta de luz veio acompanhada da falta de movimento, e o estalar das tiras de madeira se comprimindo era o que os ouvidos alcançavam.
A ausência de outro som deixou a garota ansiosa pelo novo dia – quem sabe ele não traria fim à espera? – com seus sons que a noite não tem. E ali a garota, que entrou numa brincadeira de esconde-esconde sem saber onde fica o pique e quem mais está brincando, ficou. Rendida ao cansaço, deitada na grama já menos molhada, com sua mochila fazendo as vezes de travesseiro, e acalentada pelo canto dos pássaros que soava em sua cabeça:
Aliás, havia chovido por alguns minutos. A grama deixava escapar o cheiro da terra molhada sob si, enquanto as nuvens davam ao sol apenas uma fresta para seu “adeus... até amanhã”. Alguns pingos de água resistiam em algumas tiras de madeira. Mas só nas que formavam o assento do banco, pois as que formavam o encosto já estavam secas após tantos deslizes de dedos.
A garota tinha visto o dia começar, o orvalho subir, o sol atingir o meio-dia, a chuva cair e cessar, e um vento suave ir e voltar algumas vezes. Agora, ela via o sol se render ao apelo da lua: a noite chegava. O ar estava um pouco frio, mas não tanto quanto os tecidos que a garota usava. Jeans, meias, camiseta e moletom molhados. Seu capuz verde nunca esteve tão pesado.
Era um meio tom entre a grama e as tiras de madeira. A garota achava engraçado: era uma quase camuflagem, mas sem chegar a misturá-la à paisagem. Mas ainda que a misturasse, o tanto que se mexia arruinaria o disfarce. Ah, a inquietação dos que querem ser encontrados...
E lá estava a garota. Encolhida atrás de um banco, sem conseguir uma posição que não incomodasse seu corpo: suas pernas doíam; suas costas já reuniam suas últimas forças para se manterem eretas; assim como seu pescoço parecia querer desistir de agüentar o peso da cabeça (aumentado pela água no capuz e no cabelo); sua testa e seus dedos já sentiam a textura da madeira mesmo quando não a tocavam. O único que parecia um pouco descansado era seu braço esquerdo que, agora, repousava sobre a mochila também úmida.
Ao contrário, seus olhos eram os mais cansados. Não só por causa dos movimentos de um lado para o outro mas, principalmente, por serem eles os que viam cada uma das pernas apressadas, cada um dos pés arrastados, todas as cabeças distraídas, os braços sincronizados que passavam sem notá-la. Todos os olhos que não pousavam nos seus.
Quando a luz do dia enfraqueceu, finalmente, os olhos passaram seu posto para os ouvidos; e uma nova vigília começou. Cada galho caído e pisado era uma expectativa... logo frustrada. A falta de luz veio acompanhada da falta de movimento, e o estalar das tiras de madeira se comprimindo era o que os ouvidos alcançavam.
A ausência de outro som deixou a garota ansiosa pelo novo dia – quem sabe ele não traria fim à espera? – com seus sons que a noite não tem. E ali a garota, que entrou numa brincadeira de esconde-esconde sem saber onde fica o pique e quem mais está brincando, ficou. Rendida ao cansaço, deitada na grama já menos molhada, com sua mochila fazendo as vezes de travesseiro, e acalentada pelo canto dos pássaros que soava em sua cabeça:
The birds will sing for us but we all die in the end

1 comment:
ja falei... vc deveria pensar em escrever um livro...
e vou te encher o saco com isso até eu cansar :P
Post a Comment