Uma tarde de sábado. Um garoto e uma garota. Céu cinzento. Uma feira daquelas onde se encontra de tudo. Vento. Pingos de chuva que se atrasaram e chegam sozinhos. Um mirante numa torre. Fotos. Algodão-doce.
Suas mãos não encontram descanso. Seus braços gesticulam como numa dança de má improvisação. Seus olhares se evitam tentando conter o embaraço que já os toma. Mexem em lembrancinhas, lêem camisetas, brincam com chapéus.
Ligeiros, os pés se mantêm tão secos quanto conseguem através das poças. Os passos começam a tentar acompanhar a velocidade das palavras. Palavras quaisquer. Não importa, são só p’ra abafar o silêncio que inquieta ainda mais.
Não se tocam. Nem mesmo seus ombros se esbarram. A distância entre eles é visivelmente proposital. Assim, não concordam quanto que direções tomar. Ele assume seu papel e aponta o lado escolhido. Ela segue.
Não sabem o que fazem. Nem o que devem fazer. Não sabem. Não fazem.
O que falta p’ra eles? Precisam que alguém os diga o que todos já sabem? Será preciso mostrar o que todos vêem?
Mas, o que eles vêem?
-----------------------------------------------------------------------------------
Uma tarde de sábado. Um garoto e uma garota. Céu cinzento. Uma feira daquelas onde se encontra de tudo. Vento. Pingos de chuva que se atrasaram e chegam sozinhos. Um mirante numa torre. Fotos. Algodão-doce.
Braços que se cruzam. Ombros que se encolhem. Mãos que fogem para os bolsos. Olhos que se escondem por trás de camisetas, bonés, canecas. “Eu gravo sua mensagem num chaveiro na hora, é só escolher.”
Os pés desviam das poças, restos da água que há pouco parecia querer derrotar quem se atrevesse a caminhar sob ela. “Foi bom, diminuiu o calor que estava demais.” Palavras que saem como se viessem dos pensamentos de outras pessoas que não deles.
Um dedo indicador aponta a direção. Corpos que não se conhecem, não sabem andar lado a lado. Por vezes parecem querer seguir por lados opostos – talvez queiram. Os passos são medidos. Não há ritmo, só inércia.
Modo automático. Modo educado. Modo distante. Modo ausente em plena presença.
Suas mãos não encontram descanso. Seus braços gesticulam como numa dança de má improvisação. Seus olhares se evitam tentando conter o embaraço que já os toma. Mexem em lembrancinhas, lêem camisetas, brincam com chapéus.
Ligeiros, os pés se mantêm tão secos quanto conseguem através das poças. Os passos começam a tentar acompanhar a velocidade das palavras. Palavras quaisquer. Não importa, são só p’ra abafar o silêncio que inquieta ainda mais.
Não se tocam. Nem mesmo seus ombros se esbarram. A distância entre eles é visivelmente proposital. Assim, não concordam quanto que direções tomar. Ele assume seu papel e aponta o lado escolhido. Ela segue.
Não sabem o que fazem. Nem o que devem fazer. Não sabem. Não fazem.
O que falta p’ra eles? Precisam que alguém os diga o que todos já sabem? Será preciso mostrar o que todos vêem?
Mas, o que eles vêem?
-----------------------------------------------------------------------------------
Uma tarde de sábado. Um garoto e uma garota. Céu cinzento. Uma feira daquelas onde se encontra de tudo. Vento. Pingos de chuva que se atrasaram e chegam sozinhos. Um mirante numa torre. Fotos. Algodão-doce.
Braços que se cruzam. Ombros que se encolhem. Mãos que fogem para os bolsos. Olhos que se escondem por trás de camisetas, bonés, canecas. “Eu gravo sua mensagem num chaveiro na hora, é só escolher.”
Os pés desviam das poças, restos da água que há pouco parecia querer derrotar quem se atrevesse a caminhar sob ela. “Foi bom, diminuiu o calor que estava demais.” Palavras que saem como se viessem dos pensamentos de outras pessoas que não deles.
Um dedo indicador aponta a direção. Corpos que não se conhecem, não sabem andar lado a lado. Por vezes parecem querer seguir por lados opostos – talvez queiram. Os passos são medidos. Não há ritmo, só inércia.
Modo automático. Modo educado. Modo distante. Modo ausente em plena presença.

No comments:
Post a Comment