17:40
“No matter which way you go,
No matter which way you stay
You're out of my mind…
I was walking with a ghost
I said please, please don't insist”
Ok, estou adiantada. Bom. Não há riscos de perdê-lo. Agora, é só esperar uns minutinhos. Só esperar?! Até parece. Odeio esperar um minuto que seja!
Ah, dessa vez eu escolhi estar adiantada e, vai valer a pena. Sei que vai.
17:44
“Where do you go with your broken heart in tow?
What do you do with the left over you?
And how do you know when to let go?
Where does the good go?”
Por que será que tem essa espécie de janelinha na parede do ponto de ônibus? Pior que a vista é o estacionamento pelo qual passo todos os dias. Bleh, vou olhar p’ra outra direção: não tem a moldura da janela p’ra limitar minha distração e a vista ainda tem detalhes desconhecidos.
Cestinhos de lixo de plástico laranja. Não há como dizer que não viu! Mas, são tão pequenos, e a boca então! Uma garrafa de 2 litros de Coca-Cola não passa ali. Ok, Coca-Cola já virou unidade de medida. É grave.
17:48
“When it comes to falling in love
It runs me over
Now I’m out here with my heart in my hand
To hand it over”
“Não pise na grama”. Yeh, right. Não há como! Eu sempre fui uma militante: não pise na grama, não mate formigas, deixe os insetos em paz,... E agora? Pfff... Agora: piso na grama, mato pernilongos, uso havaianas, passo protetor solar e bebo água! Acho que devo repensar a frase daquele filme que não lembro o nome: “How am I not myself?” It seems I am!
Não, pintar as unhas não entra nesse grupo. Essa é uma mudança opcional.
Engraçado, o éter do remédio faz com que eu já nem sinta o cheiro de acetona. Estarei eu perdendo meu olfato?! Bem que a memória olfativa poderia falhar às vezes...
17:51
“This one's for you
And if you turn around or shake your arms
I'd love you…
Can't be denied
I had you in mind...
Here comes the dark
Well, I know the dark”
No ponto de ônibus ou na frente da faculdade? O aviso dizia na frente da faculdade. Menos mal, esse ponto fede...
Nuvens. Nuvens carregadas. Espero que ele chegue antes da chuva. Será? Uma chuva bem caída me faria bem hoje. Um banho de chuva. Ficar molhada até a roupa grudar no corpo, até conseguir sentir o próprio perfume, até os tênis estarem cheios e as meias encharcadas, até meus esparadrapos perderem a cola, até a minha bolsa ficar num tom escuro como madeira morta, até meus papéis amolecerem e ficarem enrugados, começando pelas bordas,...
17:56
“I’ve wasted so much time
Thinking of time…
Any day I could die
Just like I was born
And this bit in the middle
It’s what I’m hailing for…
Blue would still be blue
But things would just be easier
With you”
É, pelo jeito não vai chover. Mas, de certo está um fim de tarde bonito: uma avenida larga, comprida-comprida, com os primeiros faróis vermelhos e brancos, faz uma curva p’ra direita antes de chegar ao céu laranja-rosado com nuvens cinza-querendo-ser-preto.
Se ao menos os faróis fossem os dele...
Os postes piscam antes de conseguirem fixar suas luzes. Tão brancas agora. À noite ficam amarelas, não? Na minha lembrança são amarelas. Bem amarelas, naquele tom que odeio. Aquele que deixa a pista com ar de efeito especial, de imagem retocada em programas de computador. Não gosto.
18:01
“They treat us like dogs
So we play along
We bark and we moan
And play them more songs…
But when we blow away
Up over this place
We go down like a shout
And up like a praise”
Ele não vai chegar. Eu sei que não. Eu sabia antes mesmo de sair de casa. Meu irmão também sabia, percebi pelo olhar de pena silenciosa que lançou. Droga! Eu saber já é ruim.
Chega, vai. Mostra que estou errada, mostra que é só ansiedade, angústia de quem não sabe esperar.
Noite, já está escuro, luzes amarelas, efeitos especiais, dos dois lados da avenida larga, comprida-comprida que faz uma curva p’ra direita antes de chegar ao céu não mais laranja-rosado com nuvens cinza-querendo-ser-preto, faróis vemelhos e brancos. Agora, me sinto míope (ou com alguma outra deficiência na visão). Não vou conseguir distingui-lo. Vou perdê-lo entre esses apressados com volantes.
De repente, várias pessoas surgem saindo pelo portão azul. O fim da missa me faz lembrar das horas e não conseguir ignorar que eu devo começar a pensar em desistir da espera. Você não virá. E mesmo se vier, ainda dá tempo?
18:05
“I could do without it
And I will because you’ve worn me down...
Worn me down to my knees
I did everything to please you”
Uma garota passa ao meu lado. Ela anda devagar e deixa seus dedos esbarrarem nas colunas finas do portão. Acho que ela estava cantando alguma coisa. Pena, não parecia tão feliz quanto uma pessoa que brinca com um portão e canta enquanto anda costuma ser. Felicidade contida? Ah, p’ra que?!
Quando foi que passei meus dedos por um portão pela última vez? Ai, que saudade de caminhar com os dedos pelo vento na janela de um carro. Vento. Um vento forte viria a calhar.
Venha! Bagunce meu cabelo. Faça as mangas de minha blusa dançarem em volta de minha cintura. Desenhe meu corpo com minha camiseta.
Nem você, vento, virá?
18:09
“I would feel much better if I thought there was any other reason
to keep away the beauty from the dirt
And I would do much better if I thought I fill any other need
And I miss you”
Por que eu sempre espero? Por que ainda estou esperando?
Não tenho coragem nem p’ra desistir.
Um passo em direção ao outro lado, é só isso. Um passo.
18:14
“Lonely hearts still beat the same
It’s not romantic
It’s just automatic”
Ainda estou aqui?! Eu, as batidas do coração e a pergunta tola: por que nada dá certo?
E você? Dentre tantos faróis, você não apareceu.
Buzinas, ultrapassagens, pedestres correndo, braços erguidos pedindo passagem,... E eu sou aquela garota parada em frente ao portão cinza. Aquela que já está ali há algum tempo, e continua ali mesmo sabendo que será inútil.
18:17
“Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly…
Take these sunken eyes and learn to see”
Voar. Sair daqui. Eu estava contando com você.
Mais uma vez, esperei algo/alguém p’ra começar a voar, e mais uma vez me vejo parada no mesmo lugar.
Minha cabeça já não se sustenta. O chão é minha única vista. Meus olhos não querem ser a vista de ninguém. Quero ser invisível, “atravessável”, desaparecida.
18:19
“Where did you go?
I thought I knew you
What did I know?...
Why, tell me why
Did you not treat me right
Love has a nasty habit
Of disappearing overnight”
Um passo. Não quero ver nada nem ninguém.
Outros passos. Olho p’ra trás. Foi sua última chance.
Por sorte, minhas pernas já sabem o caminho, tento me desligar.
18:22
“Gather round all you clowns
Let me hear you say:
'Hey you've got to hide your love away'”
Esconder. É isso mesmo: vou, de novo, me esconder. Com passos lentos, pelo caminho mais longo, vou devagar tentando passar desapercebida. “Se não fizer barulho, não poderão me ver”.
18:24
“Two of us riding nowhere
Spending someone's hard earned pay
You and me Sunday driving
Not arriving on our way back home”
Mas, sou só eu. Só.
Caminho p’ra não chegar, continuo p’ra não quebrar.
Uma hora vou ter que chegar. P’ra que adiar mais?
18:28
Casa. Entro em silêncio como se a falta de barulho fosse minha própria ausência.
Ah... Ninguém está aqui. Que bom. Não agüentaria expor minha cara de espera em vão.
Meu quarto.
“Lying there and staring at the ceiling
Waiting for a sleepy feeling”
“No matter which way you go,
No matter which way you stay
You're out of my mind…
I was walking with a ghost
I said please, please don't insist”
Ok, estou adiantada. Bom. Não há riscos de perdê-lo. Agora, é só esperar uns minutinhos. Só esperar?! Até parece. Odeio esperar um minuto que seja!
Ah, dessa vez eu escolhi estar adiantada e, vai valer a pena. Sei que vai.
17:44
“Where do you go with your broken heart in tow?
What do you do with the left over you?
And how do you know when to let go?
Where does the good go?”
Por que será que tem essa espécie de janelinha na parede do ponto de ônibus? Pior que a vista é o estacionamento pelo qual passo todos os dias. Bleh, vou olhar p’ra outra direção: não tem a moldura da janela p’ra limitar minha distração e a vista ainda tem detalhes desconhecidos.
Cestinhos de lixo de plástico laranja. Não há como dizer que não viu! Mas, são tão pequenos, e a boca então! Uma garrafa de 2 litros de Coca-Cola não passa ali. Ok, Coca-Cola já virou unidade de medida. É grave.
17:48
“When it comes to falling in love
It runs me over
Now I’m out here with my heart in my hand
To hand it over”
“Não pise na grama”. Yeh, right. Não há como! Eu sempre fui uma militante: não pise na grama, não mate formigas, deixe os insetos em paz,... E agora? Pfff... Agora: piso na grama, mato pernilongos, uso havaianas, passo protetor solar e bebo água! Acho que devo repensar a frase daquele filme que não lembro o nome: “How am I not myself?” It seems I am!
Não, pintar as unhas não entra nesse grupo. Essa é uma mudança opcional.
Engraçado, o éter do remédio faz com que eu já nem sinta o cheiro de acetona. Estarei eu perdendo meu olfato?! Bem que a memória olfativa poderia falhar às vezes...
17:51
“This one's for you
And if you turn around or shake your arms
I'd love you…
Can't be denied
I had you in mind...
Here comes the dark
Well, I know the dark”
No ponto de ônibus ou na frente da faculdade? O aviso dizia na frente da faculdade. Menos mal, esse ponto fede...
Nuvens. Nuvens carregadas. Espero que ele chegue antes da chuva. Será? Uma chuva bem caída me faria bem hoje. Um banho de chuva. Ficar molhada até a roupa grudar no corpo, até conseguir sentir o próprio perfume, até os tênis estarem cheios e as meias encharcadas, até meus esparadrapos perderem a cola, até a minha bolsa ficar num tom escuro como madeira morta, até meus papéis amolecerem e ficarem enrugados, começando pelas bordas,...
17:56
“I’ve wasted so much time
Thinking of time…
Any day I could die
Just like I was born
And this bit in the middle
It’s what I’m hailing for…
Blue would still be blue
But things would just be easier
With you”
É, pelo jeito não vai chover. Mas, de certo está um fim de tarde bonito: uma avenida larga, comprida-comprida, com os primeiros faróis vermelhos e brancos, faz uma curva p’ra direita antes de chegar ao céu laranja-rosado com nuvens cinza-querendo-ser-preto.
Se ao menos os faróis fossem os dele...
Os postes piscam antes de conseguirem fixar suas luzes. Tão brancas agora. À noite ficam amarelas, não? Na minha lembrança são amarelas. Bem amarelas, naquele tom que odeio. Aquele que deixa a pista com ar de efeito especial, de imagem retocada em programas de computador. Não gosto.
18:01
“They treat us like dogs
So we play along
We bark and we moan
And play them more songs…
But when we blow away
Up over this place
We go down like a shout
And up like a praise”
Ele não vai chegar. Eu sei que não. Eu sabia antes mesmo de sair de casa. Meu irmão também sabia, percebi pelo olhar de pena silenciosa que lançou. Droga! Eu saber já é ruim.
Chega, vai. Mostra que estou errada, mostra que é só ansiedade, angústia de quem não sabe esperar.
Noite, já está escuro, luzes amarelas, efeitos especiais, dos dois lados da avenida larga, comprida-comprida que faz uma curva p’ra direita antes de chegar ao céu não mais laranja-rosado com nuvens cinza-querendo-ser-preto, faróis vemelhos e brancos. Agora, me sinto míope (ou com alguma outra deficiência na visão). Não vou conseguir distingui-lo. Vou perdê-lo entre esses apressados com volantes.
De repente, várias pessoas surgem saindo pelo portão azul. O fim da missa me faz lembrar das horas e não conseguir ignorar que eu devo começar a pensar em desistir da espera. Você não virá. E mesmo se vier, ainda dá tempo?
18:05
“I could do without it
And I will because you’ve worn me down...
Worn me down to my knees
I did everything to please you”
Uma garota passa ao meu lado. Ela anda devagar e deixa seus dedos esbarrarem nas colunas finas do portão. Acho que ela estava cantando alguma coisa. Pena, não parecia tão feliz quanto uma pessoa que brinca com um portão e canta enquanto anda costuma ser. Felicidade contida? Ah, p’ra que?!
Quando foi que passei meus dedos por um portão pela última vez? Ai, que saudade de caminhar com os dedos pelo vento na janela de um carro. Vento. Um vento forte viria a calhar.
Venha! Bagunce meu cabelo. Faça as mangas de minha blusa dançarem em volta de minha cintura. Desenhe meu corpo com minha camiseta.
Nem você, vento, virá?
18:09
“I would feel much better if I thought there was any other reason
to keep away the beauty from the dirt
And I would do much better if I thought I fill any other need
And I miss you”
Por que eu sempre espero? Por que ainda estou esperando?
Não tenho coragem nem p’ra desistir.
Um passo em direção ao outro lado, é só isso. Um passo.
18:14
“Lonely hearts still beat the same
It’s not romantic
It’s just automatic”
Ainda estou aqui?! Eu, as batidas do coração e a pergunta tola: por que nada dá certo?
E você? Dentre tantos faróis, você não apareceu.
Buzinas, ultrapassagens, pedestres correndo, braços erguidos pedindo passagem,... E eu sou aquela garota parada em frente ao portão cinza. Aquela que já está ali há algum tempo, e continua ali mesmo sabendo que será inútil.
18:17
“Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly…
Take these sunken eyes and learn to see”
Voar. Sair daqui. Eu estava contando com você.
Mais uma vez, esperei algo/alguém p’ra começar a voar, e mais uma vez me vejo parada no mesmo lugar.
Minha cabeça já não se sustenta. O chão é minha única vista. Meus olhos não querem ser a vista de ninguém. Quero ser invisível, “atravessável”, desaparecida.
18:19
“Where did you go?
I thought I knew you
What did I know?...
Why, tell me why
Did you not treat me right
Love has a nasty habit
Of disappearing overnight”
Um passo. Não quero ver nada nem ninguém.
Outros passos. Olho p’ra trás. Foi sua última chance.
Por sorte, minhas pernas já sabem o caminho, tento me desligar.
18:22
“Gather round all you clowns
Let me hear you say:
'Hey you've got to hide your love away'”
Esconder. É isso mesmo: vou, de novo, me esconder. Com passos lentos, pelo caminho mais longo, vou devagar tentando passar desapercebida. “Se não fizer barulho, não poderão me ver”.
18:24
“Two of us riding nowhere
Spending someone's hard earned pay
You and me Sunday driving
Not arriving on our way back home”
Mas, sou só eu. Só.
Caminho p’ra não chegar, continuo p’ra não quebrar.
Uma hora vou ter que chegar. P’ra que adiar mais?
18:28
Casa. Entro em silêncio como se a falta de barulho fosse minha própria ausência.
Ah... Ninguém está aqui. Que bom. Não agüentaria expor minha cara de espera em vão.
Meu quarto.
“Lying there and staring at the ceiling
Waiting for a sleepy feeling”

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