Tuesday, April 24, 2007

Ensaiando

Você me deixava angustiada. Você é daquelas pessoas que nos fazem querer muito tê-las em nossa vida mas, ao mesmo tempo, deixam muito medo porque não sabemos até quando estarão nela.

Você era tudo que eu não gostava. Tá, tão logo bati os olhos em você fiquei fascinada – foi aquela certeza que sentimos de que vamos aprender muita coisa com uma pessoa, e não consegui não me aproximar. E no início de nossa convivência tive a impressão de você ser a projeção, a imagem do tipo de pessoa que eu não gostava. Você era suicida, que estimava e agendava a data de morte com drogas e desistência, e eu...eu era um bichinho assustado numa redoma de vidro.

Feliz o dia em que você, com toda sua ignorância, sua falta de jeito, quebrou minha redoma. Você me tirou do medo em que vivia, me ensinou, na verdade, me obrigou a ter coragemnão em relação à vida, às decisões, mas em situações palpáveis que... nunca vamos esquecer, tenho certeza.

Com você cada inspiração passou a ter um cheiro e cada palavra um gosto. E de todos os cheiros e gostos que descobri com você, os meus preferidos ainda são: o toque da sua mão puxando a minha e o som da sua voz dizendo “vem”.

Você adora dizer que eu salvei sua vida pelo menos umas 4 vezes. Isso é mais uma prova do tamanho da sua teimosia.

Eu precisei ser salva por você uma!

1 comment:

Anne Damalier said...

Você vive salvando vidas!
Eu quero novos posts...e queria agradecer por ter colocado o baobá no seu blogroll, ele que mal começou e já parece abandonado. Hoje me tirei de Álvaro de Campos, é quem sou hoje ou pelo menos agora.
"Começo a conhecer-me.Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim..."
Por ora
"Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele que é decisivo"
Perdoe a verborragia, eu não pretendia
"Vim aqui para repousar,
Mas esqueci-me de me deixar lá em casa,
Trouxe comigo o espinho essencial de ser consciente,
A vaga náusea, a doença incerta, de me sentir."