Friday, February 29, 2008

10 - Wheel

O sol já se despedia de mais um dia e ela ainda passeava seus olhos ora pelo espaço entre as tiras de madeira, ora pelos seus dedos há muito dobrados sobre o toque da madeira, ora pela própria madeira. Pelo menos, era de um tom verde escuro pintado e não aquele marrom, que mesmo molhado, faz pensar em dias secos.

Aliás, havia chovido por alguns minutos. A grama deixava escapar o cheiro da terra molhada sob si, enquanto as nuvens davam ao sol apenas uma fresta para seu “adeus... até amanhã”. Alguns pingos de água resistiam em algumas tiras de madeira. Mas só nas que formavam o assento do banco, pois as que formavam o encosto já estavam secas após tantos deslizes de dedos.

A garota tinha visto o dia começar, o orvalho subir, o sol atingir o meio-dia, a chuva cair e cessar, e um vento suave ir e voltar algumas vezes. Agora, ela via o sol se render ao apelo da lua: a noite chegava. O ar estava um pouco frio, mas não tanto quanto os tecidos que a garota usava. Jeans, meias, camiseta e moletom molhados. Seu capuz verde nunca esteve tão pesado.

Era um meio tom entre a grama e as tiras de madeira. A garota achava engraçado: era uma quase camuflagem, mas sem chegar a misturá-la à paisagem. Mas ainda que a misturasse, o tanto que se mexia arruinaria o disfarce. Ah, a inquietação dos que querem ser encontrados...

E lá estava a garota. Encolhida atrás de um banco, sem conseguir uma posição que não incomodasse seu corpo: suas pernas doíam; suas costas já reuniam suas últimas forças para se manterem eretas; assim como seu pescoço parecia querer desistir de agüentar o peso da cabeça (aumentado pela água no capuz e no cabelo); sua testa e seus dedos já sentiam a textura da madeira mesmo quando não a tocavam. O único que parecia um pouco descansado era seu braço esquerdo que, agora, repousava sobre a mochila também úmida.

Ao contrário, seus olhos eram os mais cansados. Não só por causa dos movimentos de um lado para o outro mas, principalmente, por serem eles os que viam cada uma das pernas apressadas, cada um dos pés arrastados, todas as cabeças distraídas, os braços sincronizados que passavam sem notá-la. Todos os olhos que não pousavam nos seus.

Quando a luz do dia enfraqueceu, finalmente, os olhos passaram seu posto para os ouvidos; e uma nova vigília começou. Cada galho caído e pisado era uma expectativa... logo frustrada. A falta de luz veio acompanhada da falta de movimento, e o estalar das tiras de madeira se comprimindo era o que os ouvidos alcançavam.

A ausência de outro som deixou a garota ansiosa pelo novo dia – quem sabe ele não traria fim à espera? – com seus sons que a noite não tem. E ali a garota, que entrou numa brincadeira de esconde-esconde sem saber onde fica o pique e quem mais está brincando, ficou. Rendida ao cansaço, deitada na grama já menos molhada, com sua mochila fazendo as vezes de travesseiro, e acalentada pelo canto dos pássaros que soava em sua cabeça:

The birds will sing for us but we all die in the end

Friday, February 15, 2008

Feliz...


...dia de São Valentim p'ra todos!

Vá lá, um dia de atraso não é nada...

Wednesday, February 13, 2008

Terrorismo é uma coisa, estupidez é outra

Ricardo Araújo Pereira

Os serviços secretos de Espanha andam a brincar connosco. Há uns séculos, os espanhóis levaram uns bofetões de uma profissional da indústria da panificação, e não deve passar um dia em que não pensem na vingança. Na semana passada comunicaram-nos que a Al Qaeda ameaça praticar actos terroristas em Portugal. E nós, parvos, acreditámos. Até onde chega a credulidade dos portugueses... Primeiro acreditámos no Sócrates, e agora nos espanhóis. Há que aprender a lição.

Como é evidente, só um terrorista muito estúpido é que vem exercer a profissão para cá. Com a vigilância que existe, hoje em dia, nos aeroportos, os terroristas só podem entrar no País de carro. E vir andar de carro para as nossas estradas
é das decisões mais obtusas que uma pessoa pode tomar. É verdade
que eles são suicidas, mas não exageremos. Vai uma grande diferença entre ser suicida e ser burro.

Por outro lado, os terroristas que tiverem a infeliz ideia de entrar no País terão de construir a bomba cá. Não se faz uma viagem Paquistão-Portugal com um engenho explosivo debaixo do braço. Há que ir a uma loja comprar peças. E é aqui que as chatices começam. «Esta peça, só mandando vir do estrangeiro, chefe. Daqui a duas semanas mete-se o Carnaval, por isso agora só em Março.»

Se o explosivo levar combustível, pior ainda. Eles que vejam o preço a que está a nossa gasolina, a ver se continua a apetecer-lhes rebentar coisas. É muito fácil apanhar terroristas em Portugal. São os tipos de turbante que estão nas bombas da Galp a chorar. Os que lá andam a chorar sem turbante somos nós.

E depois temos as contingências inerentes a uma actividade tão perigosa como é o fabrico de um engenho explosivo. O terrorista corre inúmeros riscos, o maior dos quais é ir parar a um hospital português. Basicamente, o sistema de saúde português oferece-lhe três hipóteses: pode morrer no caminho, pode morrer na sala de espera e pode morrer já dentro do hospital. É certo que o esperam 71 virgens no Paraíso, mas aposto que, para morrer num hospital português, o terrorista fica em lista de espera até as virgens serem septuagenárias, altura em que a virgindade perde muito do seu encanto.

Quando, finalmente, os terroristas conseguem reunir condições para construir a bomba, o prédio que tinham planeado mandar pelos ares já explodiu há dois meses, ou por mau funcionamento da canalização do gás, ou porque o esquentador de quatro ou cinco condóminos está instalado na casa de banho. Portugal pode ser um bom destino turístico, mas para fazer terrorismo não tem condições nenhumas.

Friday, February 01, 2008

Gavetas - ou poços de desejos

Quando se limpa gavetas se encontra de tudo.

Entre cédulas de cruzados novos, cartões postais e telefônicos, fotos de pessoas de quem já nem lembro o nome, provas de ensino religioso e História da quinta série, livros da série “E Agora Você Decide” e cartas de “seu eterno amigo”, cuja amizade não durou mais que uma linha, encontrei algumas coisas que trouxeram aquele calorzinho gostoso no coração.

Há fotos que me dão a certeza de eu estar muito bonita hoje! – comparativamente há anos atrás... Estou um sucesso! Há sobras de minha fase pseudo-típica-adolescente-fã – eu coleciono e jogo fora. Sempre fui assim. O que me lembra que preciso reassistir ao “Adaptação” de Charlie Kaufman. Há, também, provas do alto consumo de Bollycao entre eu e meus irmãos – adesivos, álbuns, brindes... tudo vinha dentro do pacote, junto com os quatro pãezinhos recheados com chocolate. Supernutritivo!

Mas as lembranças mais interessantes aparecem em forma de papel: um bilhete, uma carta e um rascunho de discurso.

O Bruno vai mesmo repetir? Nem sei, mas acho q/ ele só passa por conselho de classe. Então, ele vai ficar pra trás. Não chora. Você vai ter que aprender a viver sem ele. Há Há, eu só perguntei pq ele tá c/ cara de burro. A cara de burro é a mesma de sempre. Ele pra burro só falta asa. (...) Tem um monte de gente para se falar mal, pegue uma. (...) To com fominha! Eu to com fomona. E muito sono.

Minutos depois, encontrei uma carta que, cronologicamente vem antes, mas não tem problema.

Ana,
Muito obrigada pela sua amizade sempre tão sincera, pelas muitas vezes em que você me estendeu sua mão e me emprestou seu ombro.
(...)Acredito que a única razão de eu ter me mudado foi pra te encontrar(...)
Por tudo isso, eu te agradeço do fundo do meu coração e da minha alma.
(...)E quero que você lembre disso; quando estiver triste ou precisando de um amigo saiba que estarei sempre ao seu lado, mesmo que distante estarei lá para você. Nunca irei te abandonar.
Parabéns pelo canudo. Feliz Natal e um ótimo Ano Novo!!!

E mais uma vez Muito Obrigada
Com muito amor,
Gláucia
14/12/200

Vocês podem achar que é só uma carta fofa entre meninas de quatorze anos, mas... Tentem imaginar uma folha com Frajola e Piu-Piu desenhados no canto inferior direito, e todas as palavras escritas uma letra em rosa e a seguinte em dourado (TODAS as palavras!).

Não é só uma carta de uma menina p’ra outra. É algo feito pela Gláucia. É uma daquelas coisas que se eu visse em qualquer lugar, acharia “coisa de menininha”. Mas quando vem da Gláucia... Droga, eu acho lindo!

O que me leva ao rascunho do discurso que fiz à mesa, no jantar de baile de formatura do terceiro ano do ensino médio.

“Ai,... meu... Deus! Putz, ela vai falar de mim. Que fracassada”Você é a mais pura das pessoas que conheço, o mundo é tão bonito quando descrito por você. Você é aquela pessoa que vê beleza nas coisas, aquela que acha tudo bonitinho, fofinho, uma gracinha... Se o mundo tivesse um cagagéssimo da beleza que você tem, eu não seria tão amarga quanto sou. Você faz comentários ótimos, você é engraçada – algo que não é de família, como podemos perceber. Você é inteligente, talentosa e insegura. E por tudo isso, e também por você ser a mais nova defensora de Maringá, eu amo você. P’ra terminar, a já clássica e ainda significativa frase que é só nossa: nunca estamos sozinhos quando sabemos que ocupamos um lugar no coração de alguém

-x-

Puta meu! A primeira vez que te vi, pensei: “Pai Eterno! Essa menina tem tudo que eu mais abomino”. Aí, eu te conheci e não mudei de idéia. Agora falando sério. Eu nunca imaginei que eu fosse ser amiga de alguém tão, tão, tão... Barbie. Mas, quem mandou cuspir p’ra cima? Você é aquele lado desequilibrado que todo mundo tem, só que ao extremo. Você é fresca – mais que eu, você é frágil – mais que eu, você é anti-social – menos que eu, você tem uma coração enorme – muito maior que o meu, e é muito talentosa. E pelo conjunto da obra: eu te amo. Eu nunca quero fazer pacto de sangue com ninguém. Não porque vocês são especiais, mas porque dói muito. Minhas irmãs.


Pois é, tão bobo. Tão pouco. (E tão injusto com a Gláucia! Desculpe, querida!)

Limpar a casa é chato. Esvaziar gavetas é muito chato. Mas ajuda a lembrar.
Lembrar quem éramos, quem passamos a ser (graças a esses pedacinhos de papel e às pessoas que estão neles) e quem queríamos ser. São peças que montam quem quero ser.

Quero o abraço (com grito e tudo) da Gláucia, depois de quase um ano sem nos vermos; dias regidos pela risada de Coca-Cola da Nanda; tardes de “relembrar é viver – e chorar de rir”, seguidas de sonhos com o futuro – do qual não riremos tanto, porque não haverá outros tempos tão ridículos quanto os que deixamos p’ra trás.

Quero noites num playground, olhando as estrelas e ouvindo o mar, enquanto o resto do mundo corre atrás das horas, tentando “aproveitar ao máximo”; quero manhãs, num carro às cinco horas, de relatos de vitórias e fracassos que cabem numa noite – músicas, bebidas, lugares, bocas e línguas; quero tardes no sofá da sala de TV, com conversas interrompidas pelo velho companheiro, o sono da Gláucia.

Quero as estampas de camisetas, os filmes e as vidas que faremos juntas.

Quero a vida com vocês...

Tuesday, January 22, 2008

Confissão .1

Tínhamos passado a manhã e a tarde dentro do colégio. Durante o dia, vimos passar os mesmos rostos que passavam na época em que eu estudava por lá. Já à noite, só restávamos nós duas. Nem sei quem ela era. Só sei que estava comigo, nesse dia tão estranho.

O mais estranho em relação a esse dia é que ele só entrou na minha memória, só foi adicionado aos arquivos de minha lembranças quando eu me forcei a lembrá-lo, dias depois. Quando percebi que havia uma lacuna. Faltavam todo um dia e algumas horas antes e depois dele.

Eu sabia qual era o dia e, mais, eu sabia o que eu tinha feito. Eu a tinha matado. Sabia até como – estrangulada com um cadarço vermelho. Mas não me lembrava. Fechava os olhos e não conseguia me ver apertando o fio cor-sangue. Muito menos enxergava o porquê de tê-lo feito.

Foi quando meu irmão quis me provocar, “Aproveita e leva o seu cadarço p’ra polícia examinar”, que senti meu coração chegar ao estômago. A culpa vinha doendo fraca, mas as palavras dele (que nem sabia que havia acertado) me fizeram achar a lacuna e, nela, a culpa cresceu.

Eu precisava lembrar, precisava saber o que havia me levado a matar aquela garota. Aquela que nem sei quem era.


O prédio em formato de L, com suas paredes revestidas com pastilhas onduladas, num tom de amarelo anêmico. À noite, o lugar tinha ainda menos vida. A iluminação era digna de cena de reconstituição de crime em seriados investigativos. Ao invés do concreto frio, o pátio tinha areia misturada com terra – não sei como ou por quê.

Eu sabia dizer quem havia estado ali horas antes conosco, ainda tinha seus rostos na lembrança tão recente e me sentia indiferente a eles. Eu estava com ela. Quem era ela afinal? Ela que caminhava comigo, no escuro e no silêncio, pelas minhas lembranças. Mesmo sem tê-las vivido, ela se lembrava comigo. E o silêncio que ajudava a manter tornava desnecessárias as palavras.

Caminhávamos sem precisar combinar a direção. Estávamos em sincronia e em paz. Isso foi o mais difícil em meu ato de lembrar esse dia: lembrar do sossego que havia entre nós, e saber que em poucos minutos ele seria quebrado. Junto com o sopro de alegria que saía daquela moça e chegava até mim.

A linha que nos unia se estreitou num nó ainda mais forte: nos demos as mãos. Nossos dedos se entrelaçaram com tal força que eu sentia o sangue pulsando em sua veia, entre sua pele e um dos metacarpos. Como se já não estivéssemos numa cena clichê o suficiente, sorríamos como numa propaganda de margarina.

E foi com alguma frase boba como essa, que fazia piada da nossa situação, que a trouxe p’ra ainda mais perto de mim. Começou assim uma seqüência de tapinhas e empurrões. Por um tempo, foram golpes limitados, já que cada uma só tinha uma mão disponível. Mas não demorou muito até que ela soltasse minha mão para poder acertar um golpe mais eficiente.

Com um tapa, um movimento de pernas e um sorriso enorme, ela me derrubou sobre ela, na terra. O chão era fofo e o ar a nossa volta ficava mais denso, com grãos de areia pulando e caindo a cada novo golpe que dávamos uma na outra. Na verdade, golpe já não explica bem. Caídas sob a areia, nos mexíamos numa mistura de brincadeira infantil e desejo ainda não experimentado.

Seus cabelos longos balançavam como se não estivessem pesados, com areia e terra. Seu sorriso era de quem incentiva e provoca. Suas mãos brincavam de prender-querendo-soltar as minhas. E todo seu corpo se mexia ditando o ritmo do meu. Nós duas sabíamos que o momento do beijo se aproximava, e não sentíamos vontade de apressá-lo. Ele aconteceria.

Mas não foi assim.


A lacuna ainda existe, e toma forma de precipício. Para onde o ar escorrega, me deixando sufocada.

Perco o ar, como a fiz perder também. Não lembro do cadarço saindo de meu bolso, nem de seus olhos pedindo p’ra que eu parasse. Nem sequer lembro como passamos de pernas entrelaçadas, para nó no pescoço.

Algo borrado, sobre um arranhão acidental, surge em minha visão. Mas não consigo acreditar que foi isso que me moveu. Eu a matei. E não sei por quê.

Aperto entre os dedos de minha mão, em meu bolso, o pedaço de linhas vermelhas. Tudo o que sinto são essas linhas, a falta de ar e a culpa. A certeza de não ser descoberta amplifica tudo isso.

Abro meus olhos para a claridade do dia. Só ela pode trazer luz ao precipício...

Wednesday, January 02, 2008

Ah, 2008...






Feliz ano p'ra todos nós!

Monday, December 10, 2007

Thursday, November 22, 2007

Depois do Sol

Eram três garotos e uma garota.

Era uma vez um garoto que sonhava navegar até o amor. Ele tentou reunir uma tripulação que o ajudasse, pois achava que sabia como seriam as travessias. No entanto, o garoto partiu numa viagem solitária: construiu um barco com suas próprias idéias, o qual direcionava com suas próprias visões, enquanto remava com suas próprias desculpas. Era uma embarcação simples, feita de papel e palavras. Somente o timão era de material diferente: um metal comum, mas que facilmente é confundido com um nobre. Uma pena para o garoto: toda luz que deveria nortear sua jornada, caía sobre seu timão, ofuscando sua visão.

Era uma vez um garoto que cantava e dançava como se ninguém estivesse olhando. Num momento de carência, ele tentou um novo repertório. Não durou uma canção. Mas foi num momento de tristeza que o garoto errou na dança e caiu no passado. Canções e passos que ele já sabia de cor, voz e corpo agindo no automático, só reagindo. Na coreografia repetida tantas vezes, o riso do garoto se desfez.

Era uma vez um garoto que esperava, num passe de mágica, roubar, ou melhor, furtar o coração de uma garota. Mas, infelizmente p’ra ele, num raro momento de pouca sorte, seus truques caíram sobre um muro. A sorte, ainda que pouca, estava no fato de que sobre o muro estava uma garota.

Era uma vez uma garota sentada sobre um muro. Mas não era um muro qualquer, era o seu muro. Mais que isso: um conjunto de paralelepípedos escuros que formavam uma pequena torre. Sentada sobre o muro, a garota olhava para os chãos – o de dentro do muro, de um verde escuro à sombra; e o de fora, verde forte, reflexo do sol – com cara de quem tentava lembrar “onde eu estava mesmo?”. Mas logo desistia, mudava a cara p’ra “fazer o quê, né?” e abraçava seus joelhos. O tempo passava.

Por um tempo os quatro estiveram juntos, planejando uma aventura. Mas ainda eram dois garotos e um garoto e uma garota. Nos planos, eles se preocupavam: “preciso construir meu barco. Bom é que já sei como e já tenho um timão”; “quais canções vou cantar? Quero algo novo... mas as letras antigas não saem da minha cabeça”; “eu vou descer... mas p’ra qual lado?”; “qual é mesmo o truque p’ra manter tudo certo?”.

Num dia de muito sol, a garota se amedrontou. Antes de pular de volta p’ra segurança de sua torre, deu uma olhada: um garoto levantava âncora, partindo com o sol às suas costas; um garoto entoava versos como um robô programado.

Ajoelhada à sombra, com a mão contra o muro, a garota puxou um dos paralelepípedos e pediu, num tom que quase não se escuta: “Eu quero sair, eu vou sair. Eu só preciso de alguns instantes aqui”.

Um garoto: não aplaudiu o número musical e pediu por algo novo; escreveu uma carta com instruções de como conseguir ajuda, fechou-a e lançou-a ao mar; ficou (do ponto de vista da garota, emoldurado como numa micro-tela de cinema) ao lado do muro, treinando seus truques, tentando lembrar aquele que faz tudo voltar a ficar bem...

Wednesday, November 21, 2007

Que vontade de cantar...

Katy Perry... Tem uma música ótima, "UR So Gay", e uma versão muito boa de "Your Love".

No seu site, ela diz: "Remeber, this is the season for giving... So give 'UR So Gay' to the person that dumped you!".

Thursday, November 15, 2007

I ain't got nothing to say

I'll just dance



Tegan and Sara (cover de Bruce Springsteen) - Dancing in the Dark

Monday, November 12, 2007

Aí, fomos a um videokê

Se ela não canta, eu danço


Lembra que Marilyn Monroe cantou "Happy Birthday" para o JFK? Então, cada loira canta o quê pode e p'ra quem pode...


E o nível ficou assim por um tempo...



Até que eles, os Garotos da Quadra de Trás, arrancaram gritos e aplausos (não só das namoradas!)

Wednesday, October 24, 2007

Procuro

a garota com latas, grafite preto, pregos e rolos fotográficos; a garota que quer libertar duendes de jardim; a garota que as nuvens com cabelo cor de merengue não conseguem beijar; a garota que pula em poças e ri com o barulho dos passos dentro de meias encharcadas; a garota que sente o fim do mundo a cada noite de domingo; a garota que morde mangas de blusas quando fica ansiosa; a garota que se delicia ao não sentir o tempo passar enquanto desfaz as costuras de uma roupa velha; a garota que caminha mais devagar conforme a quantidade de sorvete que ainda tem nas mãos;...

Perdi você em algum lugar, pelo caminho. Desculpe... e volte!

Friday, October 12, 2007

Starálfur

- Você ainda vai estar aqui quando eu acordar?
- Só se você quiser...
- Então... fica.

...

- Você tem medo de escuro?
- Você já me viu com medo?
- Você já me viu correndo?
- Hein?
- Só porque você nunca viu, não quer dizer que não seja possível.
- Engraçado você me perguntar isso. Quando você me criou, não me deu medo.
- Você sabe que não gosto quando você fala que eu...
- Sim, sim, eu sei. Não me deu medo, mas insistiu p’ra que eu me sentisse real, e não falasse como se de outra forma fosse.

...

- Você gostaria de ter medo?

Thursday, October 11, 2007

As surpresas da vida...

Quem diria, hein?

Thursday, October 04, 2007

Na segunda-feira choveu...

Ontem choveu! Depois de quase cento e trinta dias de seca, ou melhor de secura, o céu chorou. Pela primeira vez em muito tempo, suas lágrimas não soaram como tristeza p’ra mim.

Parecia um convite p’ra que eu me juntasse à roda e “cirandasse” pela noite. Nem saí do apartamento, mas pelo vidro da varanda meu pensar se juntou aos pingos de água e uivos de vento. Por poucos, mas bons, instantes rodopiei ao gosto do ar úmido e fresco – já fazia mais de cem dias...

De volta à mesa, meu corpo se sentia aliviado do calor, e eu, saciada do ar necessário para uma noite. O relógio ainda não apontava as dez horas, mas o dia poderia ter terminado p’ra mim. Calmo, molhado e no ritmo da chuva.

Eu já não precisava me esticar como uma estrela do mar p’ra aumentar o contato da pele com o ar. Abraçava meus joelhos como se há muito não nos víssemos. Numa noite de reencontros: com o ar, a água, a pele, a ciranda.

E hoje...


"Hoje eu quero viver sem saber de nada"

Tuesday, September 25, 2007

Esses dias de calor...

Tem Bob Esponja, sorvete com granulado, nada, Coca-Cola, confissões, croissants, brincadeiras com Dalila, oversharing, coincidências nas infâncias, bolacha de coco, blues, molho de tomate acompanhando qualquer coisa, "Oh, you touch my tralala...", nada, requeijão p'ra dar sabor a tudo, "pare de comer os dedos, garotinho", dedos brincando na barba, Alpino, "deixa que eu faço isso, moça", cafuné com cheiro de frutas, puré da Lúcia,...

E ainda sobra tempo p'ra mais:



Ei, nós poderíamos estar roubando, poderíamos estar matando,...

Wednesday, September 12, 2007

Desafio

Encontre, no texto abaixo:
- duas músicas;
- uma banda;
- duas frases "mamãe, quero escrever bonito";
- uma frase "Tão Ana isso";
- um parágrafo pedante;
- X erros de português;
- muita falta do que fazer


Caleidoscópio de cores


Quatro e quarenta e nove minutos. Não é só o calor, nem a monotonia da voz que vem na direção quadro-negro-eu.

As cores ainda pulam em meus olhos, após a manhã passada brincando com fotos. É como enxergar uma canção de Jimi Hendrix.

Ribbons of euphoria sem vento. As paredes e os vidros são uma panela de pressão que impedem que meus gritos escapem. Mudos, meus sorrisos também ficam presos.

No ambiente seco não tenho possibilidades de pular. É o contrário do que canta a banda gelada. Uma rosa sem vitória. Longe do túnel azul.

Tons pastéis voltam aos meus olhos.

Hoje, sou laranja...

Tuesday, September 11, 2007

Uma música p'ra você, garotinha


Helen Sjoeholm - Gabriellas Sång

Det är nu som livet är mitt

It is now that my life is mine

Jag har fått en stund här på jorden

I’ve got this short time on earth

Och min längtan har fört mig hit

And my longing has brought me here

Det jag saknat och det jag fått

All I lacked and all I gained



Det är ändå vägen jag valt

And yet it’s the way that I chose

Min förtröstan långt bortom orden

My trust was far beyond words
Som har visat en liten bit

That has shown me a little bit

Av den himmel jag aldrig nått

Of the heaven I’ve never found



Jag vill känna att jag lever

I want to feel I’m alive

All den tid jag har

All my living days

Ska jag leva som jag vill

I will live as I desire

Jag vill känna att jag lever

I want to feel I’m alive

Veta att jag räcker till

Knowing I was good enough



Jag har aldrig glömt vem jag var

I have never lost who I was

Jag har bara låtit det sova

I have only left it sleeping

Kanske hade jag inget val

Maybe I never had a choice

Bara viljan att finnas kvar

Just the will to stay alive



Jag vill
leva lycklig

All I want is to be happy

För att jag är jag

Being who I am

Kunna vara stark och fri

To be strong and to be free

Se hur natten går mot dag

To see day arise from night


Jag är här och mitt liv är bara mitt

I am here and my life is only mine

Och den himmel jag trodde fanns

And the heaven I thought was there

Ska jag hitta där nånstans

I’ll discover it there somewhere

Jag vill känna att jag levt mitt liv

I want to feel that I’ve lived my life

Monday, September 10, 2007

Onde está, garotinha?

"Not Found

Sorry, but you are looking for something that isn't here."