Friday, December 15, 2006

Quero fazer parte de uma banda!

Ok Go - A Million Ways
Ok Go - "Here It Goes Again"

Será que todo loser tem seus minutos de pop?

Tuesday, December 12, 2006

Resolvi me matar,...

...mas como sou medrosa, o faço aos poucos. Quanto mais medo, mais demora; quanto mais demora, mais vontade; quanto mais vontade, mais medo;... Um ciclo vicioso nojento, ridículo e infantil.

Mas, se me mato não é porque assim escolhi! É um pedido ao qual atendo.

Dizem que quando sentimos muita vontade de comer algo é porque esse algo está em falta no nosso organismo. Pois então, meu organismo pede, grita por colesterol: há dias eu só faço comer manteiga (daquelas amarelas, claras, mas amarelas!). Se meu corpo grita, eu atendo!

Aos poucos minhas veias se entopem. Ei, não pisque! - ou quer perder o átimo durante o qual meu rosto revela meu arrependimento?

Além da gordura, hoje meu organismo pediu álcool (a mente debilitada faz parte do organismo, certo?). Um grito dentro, o atendimento fora. Mas, o álcool é pouco e insuficiente (palavrinha recorrente nos últimos dias, hein...) então, outro grito: MÚSICAS TRISTES!

As veias se entopem, os sentidos se entorpecem e os ouvidos se encobrem. Low Density Lipoproteins, 39% de teor alcoólico e manhãs que duram por toda a tarde. Pão pintado com amarelo gordura, banana com leite batizado e eu encurralada, enquanto carros são ligados e pés andam pelos caminhos.

Mas, é tudo tão demorado. Tão lento. Tão lento quanto eu...

E é só terça-feira...

Saturday, December 09, 2006

That's where I will be

Tuesday, December 05, 2006

Em contagem regressiva...

10...

Thursday, November 02, 2006

As paredes ouvem...

...e deixam ouvir


Acordei e logo ouvi um dos meus dois bons-dias de sempre.

Curioso que o volume era baixo. Não sabia dizer se já tinha se passado o momento auge dos gritos ou se este ainda nem tinha começado. Na cozinha, peguei um copo e uma colher sem fazer barulho. Não queria que percebessem que eu estava ali – elas já estavam desconfortáveis o suficiente só as duas, lembrar que há outras pessoas tão perto não ajudaria em nada.

Mas, uma voz masculina tirou minha sensação de reconhecimento da cena. E, quando outras duas vozes masculinas soaram, eu já não sabia o que esperar. Apenas uma porta nos separava mas, será que era suficiente? Por alguma razão que não sei qual é, não me sentia segura.

Meu coração batia num misto de pena e medo – por sentir que a porta poderia, a qualquer momento, se dissolver no ar e minha voz, ser somada ao coro que agora me assustava.

Elas continuavam a discutir, vez ou outra um grito, vez ou outra a participação de um dos homens: a gravidade não era só por se tratar de um homem falando, havia gravidade nas palavras, na entonação.

Minha insegurança crescia na mesma proporção que meus batimentos se aceleravam. A porta começava a se dissolver. Por desespero, abandonei o copo, a colher e a idéia do café-da-manhã sobre a bancada, e tentei manter meu escudo: as mãos espalmadas e a cabeça apoiada pediam, por favor, para que a matéria não me deixasse.

Meu pedido silencioso foi interrompido pela gravidade das palavras. Respirei (me senti respirar), consegui abrir os olhos e posicionar um deles diante do olho-mágico. O diâmetro tão pequeno emoldurou um tecido preto com bordado branco, POLÍCIA.

Uma porta já não bastava. O volume agora era mais alto. Como sempre, uma delas gritava; como sempre, seus gritos eram finos mas sufocavam os ouvidos, transformando o silêncio na saudade mais dolorida que se pode ter e num desejo que derruba.
Precisava me encolher como se isso diminuísse minha capacidade de ouvir. Voltei para o meu quarto – meu quarto, meu mundo, certo? Pois meu mundo tem vista para o final da discussão.

Meus ouvidos queriam que eu me encolhesse ainda mais, mas meus olhos queriam me fazer acreditar. Olhos vencedores, fui até a janela. Puxei um canto da cortina e me deparei com janelas dotadas de vidros, metais e cabeças. Três andares abaixo, o carro, as três vozes graves (agora já caladas de impaciência), a voz baixa aconselhando e a voz alta resistindo.

Uma entrou no banco de passageiros, a outra, ainda resistindo, pareceu se perder por instantes e olhou para seus pulsos – seus olhos também queriam fazê-la acreditar –, eram algemas. Da descrença, seu olhar passou para o medo: a porta traseira fora aberta. A impaciência que calara as vozes, agora movia os braços que empurravam, mesmo ela insistindo em ir sozinha.

Dois: um de cada lado, um p’ra cada braço, ela foi colocada – sem delicadeza – no “bagageiro”:

- Eu não consigo respirar aqui!

O último grito. O baque seco da porta traseira. E, finalmente, ganhei de volta o silêncio.

Mas já não era como antes...

Monday, October 23, 2006

...

Tic-tac, tic-tac, tic-tac...

Thursday, September 21, 2006

John Mayer - Stop This Train

"I'll never stop this train..."

Monday, September 18, 2006

Maldita...

...tecnologia!

Cadê os vídeos que deveriam ter aparecido aqui?

Thursday, August 03, 2006

Vestido azul

Uma roda gigante brilha em vermelho e azul. Um vento gelado faz seus joelhos tremerem, ou será que é o medo? A noite parece mais escura do que de costume e... Olha para a direita, para a esquerda e para trás: está sozinha.

Não sabe p’ra onde seus pais foram. Sentiu-os soltarem suas mãos, mas só agora percebe que eles se afastaram. “P’ra onde?” Não se atreve a sair a sua procura, está assustada: muitas crianças passam correndo, gritando, se divertindo; as luzes brilham fortes demais, os brinquedos são barulhentos demais, os gritos, altos demais.

Bate as pontas dos sapatinhos brancos que ganhou horas antes – o primeiro dos presentes de aniversário, o segundo é a visita ao parque. Olha p’ra baixo e se vê: sapatos novos, seu melhor vestido, um azul bem claro com uma fita na cintura. Lembra-se de sua imagem refletida no espelho antes de saírem de casa: o cabelo bem preso num rabo-de-cavalo alto com uma fita de cetim azul pouco mais escura que o vestido; os brincos de cruz que a avó havia lhe dado pouco antes de morrer. “Uma princesinha!”, disse sua mãe juntando as mãos sob o queixo e sorrindo.

Seus sapatinhos começam a perder o brilho com a poeira que sobe de suas batidas de pés e dos passos de tantos estranhos que passam. “Como o parque está cheio. Será que todas essas crianças também estão fazendo aniversário?”

Olha a sua volta mais uma vez. “Quem sabe eles estão voltando com um ursinho de pelúcia como aquele que vi naquela barraca...” Um ombro dentro de uma camisa xadrez bate em seu rosto tirando seu equilíbrio. Ela cai sentada em meio a nuvens de poeira.

“Sujei meu vestido. Sujei minhas mãos. Meus sapatinhos... Mamãe vai brigar comigo!” Começa a chorar de medo. Medo por estar sozinha rodeada por tantos estranhos, por não saber onde seus pais estão e nem quando vão voltar e agora, mais ainda, por saber que sua mãe irá ralhar.

Chora sentada no chão abraçando as pernas, olha ao redor. Quer que seus pais voltem, mas não quer que eles a vejam suja como está. Suas mãos ardem, estão raladas por causa da queda. Quer que seu pai as sopre, mas não quer que ele brigue com ela por vê-la sentada no chão sujo.

Com as costas da mão, interrompe as lágrimas. Por acaso, percebe que perdeu o brinco que usava na orelha direita. “O brinco da vovó”. Seu choro aumenta – adorava os brincos, eram sua única lembrança da avó.

Sentada no chão, é invisível: as crianças continuam a passar, gritar e sorrir, não a vêem. Entre gritos, passos e poeira, ergue a cabeça: a roda gigante ainda brilha em vermelho e azul, mas a noite é ainda mais escura.

Não sei...

Seus braços doíam, não sabia porquê. Bem na região onde se costuma tirar sangue. Doíam esticados, doíam dobrados. Não havia posição que melhorasse e, por isso, não conseguia relaxar.

Estava sentado numa cadeira de plástico laranja. Daquelas que parecem gritar “ANOS 80”. Apoiava os cotovelos nos apoios p’ra braços e... doíam. O lugar era mal iluminado e fedia, como rodoviárias. Mesmo sabendo que o vai-e-vem de pessoas era intenso, não via ninguém. Sua vista estava reduzida a um quadrado de limites: os apoios p’ra braços de sua cadeira na largura, e a altura ia de seus pés até seu tórax.

Quando erguia a cabeça, além de sentir uma forte dor no pescoço, não enxergava nada! Escuridão. Ficava cego. O mesmo acontecia quando olhava para os lados. Seus pés, suas pernas, seu tórax, seus braços – era só isso que via.

Pensou em levantar, mas seus pés permaneciam imóveis. Seu cérebro mandava o comando, mas eles não obedeciam. Desesperou-se: sentia, sabia que tentava mexer seus pés, fazia força, mas os enxergava inertes, como se a o outro pertencessem.

Quis gritar! Num reflexo, ergueu a cabeça – escuridão. Abriu a boca, mas nada saiu. Pensou em mexer seus braços, gesticular até chamar a atenção de algum dos que passavam (sabia que não eram poucos). Mas, agora, doíam ainda mais.Olhou para a única área que enxergava e percebeu seus braços também imóveis. Dobrados em “V” como nos manequins de vitrine.

O grito que não saía o sufocava a garganta, seu corpo todo paralisado, seu desespero preso a um quadrado de vista. Os passos, o grito, os gestos, o socorro...

Das bordas, um contorno escuro foi crescendo em direção ao centro do quadrado. Sobrava um círculo de visão que ia diminuindo, diminuindo,...

O grito sufocando, os braços doendo,...

...diminuindo, diminuindo,...

Os olhos cheios de medo...

Escuridão!

Tuesday, August 01, 2006

Sobre a mentira

- Eu te ligo!

- Eu te liguei a noite toda, mas só dava ocupado.

- Eu ia te chamar, mas não deu tempo.

- Eu queria que você tivesse ido.

- Pensei em te chamar, mas achei que você nem ia querer ir.

- Pode deixar que eu vou.

- Eu fiquei trabalhando.

- Não tem nada a ver com você.

- Eu não fico inventando desculpas!

- Eu sei que fiz mal.

- Eu não mentiria p’ra você!

- Eu te ligo.

Sunday, July 23, 2006

Atualmente

Parados no meio da sala diante um do outro, os dois viviam momentos diferentes.

- Consegue sentir? Todas as vezes, antigamente, quando tentei mostrar, você dizia que não sentia – com as duas mãos, ternas como ele bem reconhecia, ela segurava a mão direita dele contra seu peito -, e agora? Sente?

Não, ele não sentia, mas dessa vez não queria e não iria admitir. Olhava nos olhos dela buscando neles ver o que “todas as outras vezes, antigamente” ela tentava mostrar e ele só enxergava. Mas, dessa vez...

- O coração acelerado, a tontura, a falta de ar,... Pode ter certeza, ainda tem todas essas coisas.

Ele não sabia porquê, mas não conseguia ficar feliz ao ouvi-la repetir aqueles sintomas que “todas as outras vezes, antigamente” o faziam sorrir. Ainda buscava nos olhos dela, mas dessa vez...

- Eu estou olhando nos seus olhos e ainda sinto como se estivesse num lugar muito alto e olhasse p’ra baixo. Sabe aquela sensação de ser sugado?

Eles permaneciam diante um do outro, a distância era do braço dele esticado. Ainda segurando a mão dele aberta contra seu peito, ela abria caminho com seus dedos entre os dele com movimentos delicados mas decididos como das “outras vezes, antigamente”, mas dessa vez...

- Eu seguro sua mão e meus dedos ainda parecem encontrar encaixe perfeito entre os seus. Você percebe isso, eu sei.

Isso, sim, ele percebia. Seus dedos, os dele e os dela, sempre se entenderam bem, se entrelaçavam como se aquele movimento fosse o mais genuíno e certo. Os dedos diziam, as palavras confirmavam, mas os olhos, dessa vez...

- Eu ainda tenho dificuldade em encontrar palavras p’ra falar com você,...

Ele parou de ouvir por um instante, quando ela soltou sua mão, pois só agora notava: ela não estava sorrindo como “todas as outras vezes, antigamente”, não estava sem jeito, ruborizada como “todas as outras vezes, antigamente”. Falava com confiança, sem desviar o olhar... Esse olhar que tantas “outras vezes, antigamente” fugia do dele por simples timidez ou provocação, mas dessa vez...

- Ainda tem tudo isso, mas agora... Agora é por medo.

Sunday, June 11, 2006

Efeito Young

Terça-feira, 06 de junho de 2006. Pela manhã, meu professor profetizou: "Seis, do seis do seis. Um bom para nascer o Anti-Cristo... ou para algum louco fazer alguma grande bobagem."

Se nasceu o Anti-Cristo, o pró-Cristo, se algum louco fez alguma bobagem (grande ou pequena), se algum bobo fez alguma loucura (grande ou pequena) não sei, só sei que... Fernanda Young.

Passei o dia esperando às 6 e meia chegar p'ra pegar o táxi (maldita cidade projetada p'ra pessoas com carro). Chegou... mas o táxi não! O ponto estava vazio. Em minha cabeça uma vozinha sacana repetia: "Murphy, Murphy, Murphy..." E eu sabia que ela não falava do Robocop! Felizmente, meu pessimismo foi derrotado ("quem acha que perder é ser menor na vida"? Perdi com gosto). Em poucos minutos, após superarmos o trânsito de volta p'ra casa, cheguei a Caixa Cultural. Ah, caso um dia estejam em Brasília e quiserem ir a Caixa Cultural, digam ao taxista que vai a Caixa Ecônomica, eles não sabem que o teatro fica na mesma área.

Logo que entrei no prédio: fones brancos no ouvido (provavelmente um IPod. Bundão!), camiseta do "Laranja Mecânica", óculos com armação grossa retangular e escura, All Star pretos com estrelas brancas e aquela cara de tédio, tudo no melhor estilo "mamãe, quero ser cult". Sentei na proltona vaga, ao lado deste ser "indie".

Quinze para às sete. "Que horas vai abrir?", "Às sete", "Obrigado". Por que as pessoas falam tão alto? Por que eu ainda cometo esse erro tolo de sair de casa sem fones no ouvido??? (pretos, viu?). Cinco p'ra sete. "Que horas vai abrir?", "Às sete", "Ah, então falta pouco". Sete e dois. "Que horas vai abrir?", eu olhei no relógio e pensei: o quão cretino será ele responder "Às sete"? E o quão mais cretino será eu retrucar "Então vai daqui a dois minutos atrás!"? "Às sete". Bleh... Deixei passar.

Sentei na terceira fileira, mas a câmera apontada p'ra mim me fez re-escolher meu lugar. Acabei ao lado de uma garota que não sabe ler. Só pode não saber! Entrou com um saco do McDonalds e comeu dentro do teatro logo após passar pelo aviso: "Proiba a entrada com bebidas e alimentos". Hmmm, o "porteiro" além de atrasado é cego? Ou será incompetente mesmo?

Falando em competência, às sete e meia (horário marcado p'ra começar o programa) descobriram que uma das câmeras precisava ser trocada. Troca daqui, troca de lá, troca lente, troca toda a câmera... Claro, voltaram a primeira e ela foi a escolhida.

Pffff... E ainda tive que assistir um videozinho da Caixa falando sobre seus projetos culturais com a última frase: "O melhor do Brasil é o brasileiro". Por isso que o país está como está...

Dez para às oito. A prostituição em Minas Gerais na época do auge da exploração mineradora no Brasil Colonial foi, finalmente, deixada de lado. "Vamos começar?". Tem coisa mais irritante que ficar esperando alguém e quando esse alguém chega pergunta "Então... Podemos ir?". "NÃO, INFELIZ! Quero continuar esperando p'ra ver quanto tempo leva até aparecer OUTRO idiota como você!" P'ra peida...

"Blá blá... Roteirista, escritora, blá blá blá... Fernanda Young"

É ela! Um sorriso de desconforto que só os tímidos que já atravessaram palcos sabem fingir ser espontâneo (malditas formaturas). Um andar rápido de quem sente que sentado a área exposta é menor e, logicamente, a proteção contra tantos olhares é maior. É mesmo ela.
- Boa noite. Desculpem o atraso, não fui eu quem atrasou. EU ODEIO ATRASOS! - É ela, definitivamente.

As caras e bocas, as viradas de olhos, as pausam imprevistas tentando encontrar a melhor palavra, os braços em revolução (no sentido original da palavra, queridas, da astronomia, com ênfase na noção de irresistibilidade), o tom de voz oscilante entre a certeza já muito refletida e a afirmação interrogativa (aquela falada tão logo surge e que, por isso mesmo, pede, em silêncio, concordância,confirmação), ... É ela.

Ela. Aquela personagem criada p'ra aparecer na televisão e impressionar as pessoas com sua tranqüilidade, sua imunidade ao mundo, as pessoas, a vida e suas pequenices. Ok, viu essa personagem? Então, olhe de novo. Não há imunidade, não há o brilho e os sorrisos de "Caras" e "Tititi".

Não sei dizer o quanto a vontade de me reconhecer atrapalha minha visão ("A identificação traz conforto"), mas esses braços com coreografia própria, as alternâncias entre convicção e suspeita (a primeira muito mais freqüente, mas ainda assim...), as "frases de efeito" (repetição causa conforto, dizem no mundo da propaganda) e brincadeiras várias,...

Senti um conforto daqueles de conversa de madrugada que começa na televisão e chega a cor preferida de fogos de artifício. Conforto de verso perfeito na música recém descoberta, de frase de filme que se assiste sozinha quando nenhuma companhia pode salvar sua noite, de página aberta ao acaso num livro descoberto entre as muitas prateleias de uma biblioteca ("É esse que vou levar!"),...

Engraçado. Ela sempre diz que se sente/sentiu deslocada, e suas palavras trazem conforto, através da identificação, p'ra milhares de pessoas. Hoje, pude ver algumas dessas milhares, todas se levantaram ao fim do programa com um brilho como o da personagem cega de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" quando chega a banca de jornal após ser conduzida pela protagonista.

Se ela é deslocada e nós todos nos reconhemos nela, não seremos nós locados? Mesmo sendo muitos, ainda nos sentimos "diferentes" mas, pelo menos, já não estamos sozinhos nisso.

Diante da escada do metrô, ela solta nossos braços. Já podemos ir.

Tuesday, May 16, 2006

À espera...

17:40
“No matter which way you go,
No matter which way you stay
You're out of my mind…
I was walking with a ghost
I said please, please don't insist”

Ok, estou adiantada. Bom. Não há riscos de perdê-lo. Agora, é só esperar uns minutinhos. Só esperar?! Até parece. Odeio esperar um minuto que seja!
Ah, dessa vez eu escolhi estar adiantada e, vai valer a pena. Sei que vai.


17:44
“Where do you go with your broken heart in tow?
What do you do with the left over you?
And how do you know when to let go?
Where does the good go?”

Por que será que tem essa espécie de janelinha na parede do ponto de ônibus? Pior que a vista é o estacionamento pelo qual passo todos os dias. Bleh, vou olhar p’ra outra direção: não tem a moldura da janela p’ra limitar minha distração e a vista ainda tem detalhes desconhecidos.

Cestinhos de lixo de plástico laranja. Não há como dizer que não viu! Mas, são tão pequenos, e a boca então! Uma garrafa de 2 litros de Coca-Cola não passa ali. Ok, Coca-Cola já virou unidade de medida. É grave.

17:48
“When it comes to falling in love
It runs me over
Now I’m out here with my heart in my hand
To hand it over”

“Não pise na grama”. Yeh, right. Não há como! Eu sempre fui uma militante: não pise na grama, não mate formigas, deixe os insetos em paz,... E agora? Pfff... Agora: piso na grama, mato pernilongos, uso havaianas, passo protetor solar e bebo água! Acho que devo repensar a frase daquele filme que não lembro o nome: “How am I not myself?” It seems I am!

Não, pintar as unhas não entra nesse grupo. Essa é uma mudança opcional.

Engraçado, o éter do remédio faz com que eu já nem sinta o cheiro de acetona. Estarei eu perdendo meu olfato?! Bem que a memória olfativa poderia falhar às vezes...

17:51
“This one's for you
And if you turn around or shake your arms
I'd love you…
Can't be denied
I had you in mind...
Here comes the dark
Well, I know the dark”

No ponto de ônibus ou na frente da faculdade? O aviso dizia na frente da faculdade. Menos mal, esse ponto fede...

Nuvens. Nuvens carregadas. Espero que ele chegue antes da chuva. Será? Uma chuva bem caída me faria bem hoje. Um banho de chuva. Ficar molhada até a roupa grudar no corpo, até conseguir sentir o próprio perfume, até os tênis estarem cheios e as meias encharcadas, até meus esparadrapos perderem a cola, até a minha bolsa ficar num tom escuro como madeira morta, até meus papéis amolecerem e ficarem enrugados, começando pelas bordas,...

17:56
“I’ve wasted so much time
Thinking of time…
Any day I could die
Just like I was born
And this bit in the middle
It’s what I’m hailing for…
Blue would still be blue
But things would just be easier
With you”

É, pelo jeito não vai chover. Mas, de certo está um fim de tarde bonito: uma avenida larga, comprida-comprida, com os primeiros faróis vermelhos e brancos, faz uma curva p’ra direita antes de chegar ao céu laranja-rosado com nuvens cinza-querendo-ser-preto.

Se ao menos os faróis fossem os dele...

Os postes piscam antes de conseguirem fixar suas luzes. Tão brancas agora. À noite ficam amarelas, não? Na minha lembrança são amarelas. Bem amarelas, naquele tom que odeio. Aquele que deixa a pista com ar de efeito especial, de imagem retocada em programas de computador. Não gosto.


18:01
“They treat us like dogs
So we play along
We bark and we moan
And play them more songs…
But when we blow away
Up over this place
We go down like a shout
And up like a praise”

Ele não vai chegar. Eu sei que não. Eu sabia antes mesmo de sair de casa. Meu irmão também sabia, percebi pelo olhar de pena silenciosa que lançou. Droga! Eu saber já é ruim.

Chega, vai. Mostra que estou errada, mostra que é só ansiedade, angústia de quem não sabe esperar.

Noite, já está escuro, luzes amarelas, efeitos especiais, dos dois lados da avenida larga, comprida-comprida que faz uma curva p’ra direita antes de chegar ao céu não mais laranja-rosado com nuvens cinza-querendo-ser-preto, faróis vemelhos e brancos. Agora, me sinto míope (ou com alguma outra deficiência na visão). Não vou conseguir distingui-lo. Vou perdê-lo entre esses apressados com volantes.

De repente, várias pessoas surgem saindo pelo portão azul. O fim da missa me faz lembrar das horas e não conseguir ignorar que eu devo começar a pensar em desistir da espera. Você não virá. E mesmo se vier, ainda dá tempo?

18:05
“I could do without it
And I will because you’ve worn me down...
Worn me down to my knees
I did everything to please you”

Uma garota passa ao meu lado. Ela anda devagar e deixa seus dedos esbarrarem nas colunas finas do portão. Acho que ela estava cantando alguma coisa. Pena, não parecia tão feliz quanto uma pessoa que brinca com um portão e canta enquanto anda costuma ser. Felicidade contida? Ah, p’ra que?!

Quando foi que passei meus dedos por um portão pela última vez? Ai, que saudade de caminhar com os dedos pelo vento na janela de um carro. Vento. Um vento forte viria a calhar.

Venha! Bagunce meu cabelo. Faça as mangas de minha blusa dançarem em volta de minha cintura. Desenhe meu corpo com minha camiseta.

Nem você, vento, virá?

18:09
“I would feel much better if I thought there was any other reason
to keep away the beauty from the dirt
And I would do much better if I thought I fill any other need
And I miss you”

Por que eu sempre espero? Por que ainda estou esperando?
Não tenho coragem nem p’ra desistir.
Um passo em direção ao outro lado, é só isso. Um passo.

18:14
“Lonely hearts still beat the same
It’s not romantic
It’s just automatic”

Ainda estou aqui?! Eu, as batidas do coração e a pergunta tola: por que nada dá certo?

E você? Dentre tantos faróis, você não apareceu.

Buzinas, ultrapassagens, pedestres correndo, braços erguidos pedindo passagem,... E eu sou aquela garota parada em frente ao portão cinza. Aquela que já está ali há algum tempo, e continua ali mesmo sabendo que será inútil.

18:17
“Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly…
Take these sunken eyes and learn to see”

Voar. Sair daqui. Eu estava contando com você.
Mais uma vez, esperei algo/alguém p’ra começar a voar, e mais uma vez me vejo parada no mesmo lugar.
Minha cabeça já não se sustenta. O chão é minha única vista. Meus olhos não querem ser a vista de ninguém. Quero ser invisível, “atravessável”, desaparecida.

18:19
“Where did you go?
I thought I knew you
What did I know?...
Why, tell me why
Did you not treat me right
Love has a nasty habit
Of disappearing overnight”

Um passo. Não quero ver nada nem ninguém.
Outros passos. Olho p’ra trás. Foi sua última chance.
Por sorte, minhas pernas já sabem o caminho, tento me desligar.

18:22
“Gather round all you clowns
Let me hear you say:
'Hey you've got to hide your love away'”

Esconder. É isso mesmo: vou, de novo, me esconder. Com passos lentos, pelo caminho mais longo, vou devagar tentando passar desapercebida. “Se não fizer barulho, não poderão me ver”.

18:24
“Two of us riding nowhere
Spending someone's hard earned pay
You and me Sunday driving
Not arriving on our way back home”

Mas, sou só eu. Só.
Caminho p’ra não chegar, continuo p’ra não quebrar.
Uma hora vou ter que chegar. P’ra que adiar mais?

18:28

Casa. Entro em silêncio como se a falta de barulho fosse minha própria ausência.
Ah... Ninguém está aqui. Que bom. Não agüentaria expor minha cara de espera em vão.
Meu quarto.

“Lying there and staring at the ceiling
Waiting for a sleepy feeling”

Friday, May 05, 2006

"I Wish You Love" (Rachel Yamagata)

"I wish you bluebirds in the spring
To give your heart a song to sing
And then a kiss, but more than this
I wish you love
And in July a lemonade
To cool you in some leafy glade
I wish you health
But more than wealth
I wish you love
My breaking heart and I agree
That you and I could never be
So with my best
My very best
I set you free
I wish you shelter from the storm
A cozy fire to keep you warm
But most of all when snowflakes fall
I wish you love
But most of all when snowflakes fall
I wish you love"

.

Monday, May 01, 2006

HEAR, SEE, SPEAK

Saturday, April 29, 2006

Esses dias...


...de horas que passam sem serem vistas...

Tuesday, April 25, 2006

Seu presente de aniversário

Uma plaquinha que sobe, um e-mail que chega...

Um dia muito bom, um dia ruim, uma situação engraçada, um embaraço, suas decisões, suas conquistas,... Uma oportunidade de exorcizar alguns de meus demônios, dividir o riso, explicar coisas que não fazem sentido nem mesmo p’ra mim,...

Engraçado como você já faz parte dos meus dias.

É muito bom saber que esse monitor, esses fios, esses chips, essas conexões podem trazer mais do que um turbilhão de informações, distração p’ra cabeça e dores nos olhos. Muito bom encontrar (ou ser encontrada por) alguém que me fez lembrar a leveza de se ter a idade, as reações, as dúvidas que se tem; alguém que tem a mesma tranqüilidade apressada de descobrir e aprender sem negar nossas dificuldades, a mesma pressa tranqüila de conquistar novos horizontes e chegar a novos destinos.

Nós estamos indo!

Em Brasília não há praças, eu não chuto lixo e nem sei assobiar, mas hoje vou sorrir enquanto me sento na grama, cantarolando Beatles e imaginando tudo o que desejo a você.

Saturday, April 01, 2006

Diariamente

Ah, o ar da quinta cidade mais arborizada do mundo. Ah, quatro sorveterias num raio de quatro quadras. Ah, uma locadora onde os funcionários já sabem quais filmes indicar. Ah, o porteiro que brinca quando você chega.

Uh, a megalomania do povo do interior. Uh, as pessoas todas iguais pelos caminhos. Uh, os comentários no balcão sobre o último filme de super-heróis. Uh, os vizinhos que deixam o celular em casa tocando, tocando, tocando...

O ar aqui é diferente, sim. Não só por ser mais úmido ou mais puro, mas por ser um ar por mim conhecido. Reconhecido. É mais fácil respirar aqui. No entanto, não é necessariamente mais gotoso.

Minhas pernas encontram descanso aqui; minha cabeça, escapismo; meus olhos, folga; meus ouvidos, opções; minha pele, vento fresco que a cerque; minhas mãos, cones de bolacha; minha boca, sorvete.

Minhas pernas andam mais do que de costume p’ra me levar aos lugares que preciso ver se ainda existem e a outros que ainda quero descobrir; minha cabeça corre entre lembranças que ressurgem espontaneamente e novos projetos que nascem a cada encontro de ruas; meus olhos já sabem o que encontrarão caso fiquem atentos ao que se passa ao meu redor, por isso mesmo passeiam numa não-busca de alvo; meus ouvidos reconhecem os cantos dos pássaros e os juntam aos cantos que trago de longe; minha pele não se esquiva do sol e mata a saudade das sombras das árvores; minhas mãos, livres de garrafas e guarda-chuva, se dedicam a sentir os doces que encontram em casa, livrarias e sebos; minha boca canta baixinho, enquanto meus pés pisam as listras brancas sobre o alcatrão.

Ops, lá se foi mais um dia...