Tuesday, December 13, 2005

Pequenos prazeres de atos maquinados

Chuva. Céu escuro. Chuva forte. Céu cinza. Chuva fininha. Pé-d'água. Eu caminhando. Ana Carolina, "Eu Te Amo". Gramado entre blocos. Crianças. Supermercado. Prateleiras. Brócolis. Pão. Sem colesterol. Frango. Coca-Cola. Caixa. Até dez volumes. Demora. Chuva fraca. Eu voltando. Maia Sharp, "Willing to Burn". Eu mudando de direção. Caminho mais longo. Wendy Rene, "After Laughter". Eu entre blocos que nem sei se são L,M,X ou Z. O CD acabou. Sacolas na mão esquerda. Abro a bolsa. Play. Brian Eno, "By This River". Chuva engrossa. Passos mais lentos. Droga. Cheguei.

Bolso direito. Molho de chaves nº1. Chave com formato mais reto. Portaria. Chave redonda. Correio. "Jornal do Senado". Mais um que ele não vai ler. P'ra mim? Nada. Nove degraus. Esquerda. Nove degraus. Primeira porta. Boliviana feia e sem educação grita com projeto de boliviano com menos educação ainda. Esquerda. Oito degraus. Esquerda. Oito degraus. Oba, dessa vez o DVD não é do Belo. Esquerda. Oito degraus. "Olá, queridos. Fazia tempo, não? Fiquem bem". Barulho leve de asas ainda mais leves. Mas, eles não voam. O casal continua na vidraça. Penas escuras, peito branco. Esquerda. Oito últimos degraus. 306. Uhuu! A pseudo-revoltada está ouvindo e gritando Marcelo D2, como sempre. 305. Molho de chaves nº1. Mão direita, chave dourada. Força o buraco meio emperrado. Chaveiro nº2. Mão esquerda, chave tetra. Entra no buraco meio emperrado. Empurrão com força. Porta meio presa. Tapete. Duas vezes pé direito. Duas vezes pé esquerdo. Entrei.

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